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Por que a Depressão nos deixa tão cansados? Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que a Depressão nos deixa tão fatigados?

A fadiga e o stress tornaram-se estados permanentes para muitas pessoas.

O cansaço extremo e a falta de energia, geralmente, ocorrem após uma experiência exigente do ponto de vista mental/emocional ou fisicamente desgastante.

Mas nem sempre é temporária ou circunstancial.

A fadiga também pode ser um sintoma de um problema maior, como a depressão.

De facto, de acordo com dados de 2018, a fadiga está presente em mais de 90% dos casos de depressão.

Parte da razão pela qual a depressão e a fadiga andam de mãos dadas é porque a depressão afecta os neurotransmissores associados ao estado de alerta e ao sistema de recompensa.

Outra razão tem a ver com o facto de a depressão afectar de forma negativa o sono.

Seja pela dificuldade em adormecer, de ter um sono contínuo, de acordar cedo demais ou, simplesmente, não conseguir dormir profundamente.

De acordo com dados de 2018, a fadiga está presente em mais de 90% dos casos de depressão.

A depressão também prejudica a motivação, uma vez que é física e emocionalmente desgastante realizar tarefas simples.

Além disso, alguém deprimido tem de gastar muito mais energia para tomar decisões e para se concentrar no trabalho.

A relação entre a depressão e a fadiga pode tornar-se cíclica.

As pessoas com depressão, ao fazerem um grande esforço para realizarem as tarefas diárias, podem sentir-se ainda mais fatigadas.

O que, por sua vez, pode fazer com que se sintam ainda mais deprimidas. E o ciclo continua.

É importante dizer que é muito mais provável que a fadiga seja um sintoma de depressão do que a sua causa.

No entanto, doenças crónicas e problemas no sono podem tornar a pessoa mais susceptível à depressão.

Se alguém está sempre cansado por qualquer motivo, é provável que tenha dificuldade em ter uma vida mais rica.

Isso pode levar a menos socialização, menor foco no trabalho e nas rotinas diárias.

Por isso é crucial tomar medidas para melhorar o seu bem-estar geral, caso a fadiga seja devido à depressão ou a outra causa.

Caso você mude as suas rotinas, os seus hábitos de sono e de trabalho, e, ainda assim, se sentir exausto, considere procurar ajuda profissional para determinar se é um caso de depressão e iniciar o tratamento.

A partir de “Why Depression Makes You So Damn Tired All The Time” – Paige Smith

Depressão Sorridente - Pedro Martins Psicoterapeuta

A Depressão Sorridente

Não creio que se possa falar em “Depressão Sorridente” como entidade nosológica.

Mais correcto será dizer que certas pessoas, apesar de deprimidas, apresentam-se “sorridentes”. Mais que sorridentes no sentido literal, mantém-se funcionais: continuam a trabalhar (baixo absentismo), a cuidar do lar, da família, e têm actividade social.

São pessoas que apesar de estarem deprimidas parecem felizes.

Tende a pensar-se que as pessoas com depressão estão impossibilitadas de funcionar, mas não é exactamente assim. Para além disso, não só não existem duas depressões iguais, como cada pessoa vivencia a depressão de forma diferente.

Há casos em que algumas destas pessoas podem nem perceber que estão deprimidas, principalmente se se mantiverem “funcionais”.

Apesar de notarem (principalmente) um cansaço maior do que o habitual, tendem a desvalorizar ou a considerá-lo resultado de qualquer outra coisa. O mesmo acontece quando sentem alguma desmotivação, “preguiça”, ou um desinteresse generalizado.

Pode parecer estranho que alguém possa “andar sorridente” e ao mesmo tempo estar deprimido, mas acontece com frequência.

Aqueles que fazem acompanhar a sua depressão com um “sorriso” são os ficam surpreendidos quando são diagnosticados.

Outros nunca chegam a ser diagnosticados porque o receio de estarem deprimidos é tão grande que se afastam de qualquer coisa que lhes possa trazer essa confirmação.

Apesar de a tristeza ser um dos principais sintomas da depressão, as pessoas podem apresentar ansiedade, medo, raiva, fadiga, irritabilidade, desesperança e desespero.

As pessoas que não admitem estar deprimidas têm receio de se afundarem caso vacilem perante o mal-estar que sentem.

Também podem ter problemas com o sono, falta de satisfação em certas actividades prazerosas (até então) e perda de libido. A experiência é diferente para cada um. É possível ter apenas um ou vários destes sintomas.

As pessoas que sofrem da chamada depressão sorridente – as que não admitem estar deprimidas – têm um receio não muito consciente de se afundarem caso vacilem perante o mal-estar que sentem.

Por isso usam capas rígidas atrás das quais “escondem” dos outros, mas principalmente de si, os sinais de depressão.

Algumas destas depressões acabarão por ser ultrapassadas com o tempo.

Em alguns casos pode tratar-se de uma personalidade depressiva em vez de uma depressão propriamente dita. (Ver: Personalidade Depressiva e Depressão)

Outras terão uma boa evolução se reconhecidas pelo próprio e pela família e amigos. Dado serem ligeiras poderão ser ultrapassadas sem recurso a terapia.

As mais profundas necessitam de tratamento.

Caso conheça alguém que tenha dificuldade em aceitar que está deprimido e procura ajudar essa pessoa, evite colocar a questão de forma muito directa. A resposta será um rotundo não.

Destapar à força a depressão que alguém procura tapar, não só é ineficaz, como contraproducente e até cruel.

Compartilhar sentimentos é a melhor forma de ajudar.

Personalidade Depressiva e Depressão - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico. Foto Enzo Penna

Personalidade Depressiva e Depressão

O estudo dos estados depressivos mostra-nos que devemos distinguir entre a personalidade depressiva e a depressão propriamente dita.

A personalidade depressiva é caracterizada pela deficiente organização do investimento narcísico – a baixa auto-estima é o seu pano de fundo.

O indivíduo é dominado por um sentimento mais ou menos permanente de frustração, de não realização dos seus planos e projectos.

Podemos olhar para o depressivo como uma espécie de frustrado, em grande parte, em função do seu desejo omnipotente, de uma enorme ambição.

A baixa auto-estima é o pano de fundo da personalidade depressiva.

Mas também em face das decepções sofridas no passado.

Portanto, na depressividade há uma situação de frustração, de falta do desejado; e não bem uma situação de perda.

Mais do que uma situação de perda, é o reconhecimento da impossibilidade de concretização de um desejo e de uma fantasia.

O reconhecimento da limitação imposta pela realidade; mas mal aceite, não elaborado, não “digerido”. Desta forma, uma constante insatisfação marcam o seu humor e o seu destino.

Na depressão propriamente dita, há uma perda.

É evidente que este desejo e fantasia não surgem (como aliás nada) por geração espontânea. Resultam do hiperinvestimento de pais narcísicos, insatisfeitos e frustrados, que investem compensatoriamente nos filhos.

Na depressão propriamente dita, há uma perda. Essa perda é ao mesmo tempo narcísica e acompanhada por sentimentos de culpa. (ver: “Depressão: As Causas e a Cura“)

O núcleo do sofrimento depressivo é o sentimento de falta de afecto, de carência afectiva – essa dolorosa brecha com raízes num passado longínquo.

Como acreditar no amor, se a experiência primeira, a do que é consagrado e sentido como o berço do amor, foi de não-amor, de pouco ou de amor insuficiente?

É uma vida triste. E é-o porque foi; o ferrete do passado marca o destino do presente.

É esse sentimento profundo de que a vida foi e é pobre de afecto, em que no balanço entre a tristeza e a alegria o volume da primeira se mostra sempre maior.

Bibliografia: “A Depressão” – Coimbra de Matos

A erotização do contato - Pedro Martins Psicoterapeuta, Psicólogo clínico

A Erotização do Contacto

É difícil viver o defeito narcísico, por isso o depressivo o mascara. Ao mesmo tempo, as defesas contra o afecto depressivo são uma das principais causas do agravamento da estrutura depressiva.

O depressivo, duramente inferiorizado, esconde as vergonhas. O essencial, para ele, é salvar a face narcísica; mesmo que o interior continue ferido e a humilhação bem sentida.

É precisamente nos deprimidos que encontramos a maior resistência à reabertura do ferimento narcísico, falsamente cicatrizado.

A erotização do contacto é um mecanismo antidepressivo por excelência.

A dificuldade de relacionar-se, a que a inferioridade conduz (e que com ela se reforça), tem outra saída: a erotização do contacto.

A erotização do contacto é um mecanismo antidepressivo por excelência. A ansiedade relacional é erotizada e a inibição na relação curto-circuitada.

A ausência de uma figura de amor, a perda não reparada do amor dessa figura – (causa primeira e fundamental do sofrimento depressivo) é negada.

Na relação erótica o investimento no outro é substituído pelo investimento no acto; uma relação funcional e parcial vicariante da relação total de amor  – tida e considerada, como impossível.

Mas sabemos bem a miséria que esconde, a insatisfação que comporta, a monotonia em que se traduz, o aborrecimento a que conduz – a depressão que se iludiu e que cada vez mais se vai tornando mais funda.

“Fugir à depressão é agravar a depressividade”

Fugir à depressão e ao afecto depressivo da perda e ao tempo de depressão que é necessário para elaborar e fazer o trabalho do luto é agravar a depressividade.

Sem esse trabalho não é possível conquistar um novo amor – única cura da depressão-doença -, reorganizando uma relação vital (não há vida mental saudável sem uma constância de amor).

O poder sentir, reconhecer e viver o vazio – de forma temporária – conduz, lógica e necessariamente, ao preenchimento, a novo encontro ou reencontro, e assim, substitui-se o vazio – que quando ignorado, caminha para o definitivo.

Caso contrário, é a morte da esperança, com a idealização do prazer. Parafraseando Samuel Johnson, diremos que: a vida não é um salto de prazer em prazer, mas um voo de esperança em esperança.

A relação biológica, animal, é ditada pelo instinto, mas a relação humana, pessoal, é nutrida pelo afecto.

A partir de: “Compensação narcísica e erotização do contacto” – A. Coimbra de Matos

sentimentos de culpa

Sentimentos de Culpa – O Passado é agora

Megan, quarenta e um anos, não consegue lidar com os sentimentos de culpa pelo divórcio dos pais,  devido ao terríveis comportamentos que teve depois do seu irmão ter morrido subitamente, quando ela tinha quatro anos e o irmão dois.

Por um lado, Megan sabe que estava a sofrer devido à morte do irmão, e que, numa idade tão tenra, o sofrimento manifestou-se através de horrendos ataques raiva mas, por outro lado, ela acredita que as suas birras e acessos de raiva causaram tanto stress que o pai saiu de casa para viver com a sua assistente que não tinha filhos.

A lógica da situação é clara para Megan. A forma do pai lidar com a morte do seu irmão foi deixar a família e procurar refúgio noutra vida. Mas a compreensão de Megan não altera o seu sentimento de profunda responsabilidade pela depressão subsequente da mãe. Megan acredita que se ela fosse mais solidária durante aquele período sensível, os seus pais permaneceriam casados ​​e mãe não teria ficado deprimida.

Terapeuta – “Talvez isso a ajude a pensar que poderia ter feito algo para mudar o rumo da história. No entanto, talvez seja preferível sentir-se completamente devastada com o facto de o seu irmão ter morrido, os seus pais se terem divorciado e sua mãe ter ficado deprimida.”

Digo-lhe, salientando que o sentimento de culpa é muitas vezes um substituto do sentimento de desamparo.

Megan – “Sim, mas isso não muda o facto de que eu vivo a minha vida sentindo-me horrível comigo mesma pelo meu comportamento.”

Megan explica-me que na sua mente, a imagem negativa que tem de si própria, decorre desse tempo extremamente traumático da sua vida.

Terapeuta – “É bom, de certa forma, ser capaz de fortalecer a sua debilitada auto-imagem, considerando a sua longa e extensa vida, onde você fez tantas coisas, boas e más.”

Refiro, lembrando-a que, embora a morte do seu irmão tenha sido um momento muito significativo na vida dela, ela fez muitas outras coisas, como casar-se, construir uma carreira, ter os seus próprios filhos, e se ela puder interiorizar esses eventos, podem contribuir para consolidar o sentimento de si mesma.

Megan – “É difícil ver as coisas dessa forma porque eu vivo com medo, sabendo que a vida pode mudar repentinamente.”

Terapeuta – “Sim, administrar essa ansiedade, que para você está tão viva, é um enorme desafio.”

Refiro, lembrando-a que, a um certo nível, todos nós percebemos a incerteza da vida, mas muitos de nós, somos capazes de saber isso sem que esse facto nos afete tão profundamente.

Megan – “Eu sei que vivo no passado. Eu sei que meu irmão morreu há muitas décadas. Eu sei que é particularmente difícil para mim encontrar a paz nisso. Você é a única pessoa com quem posso conversar porque sei que o meu marido, os meus amigos e a minha família não entendem as minhas ansiedades.”

Megan sublinha que se sente sozinha com seus sentimentos, em parte, porque ela não encontra legitimidade neles.

Terapeuta – “É difícil ter sentimentos que vêm tão lá de trás na sua vida. É difícil para você sentir que é onde está agora.”

Digo-lhe, tentando ajudá-la a aceitar que neste momento a sua mente está presa lá atrás.

Megan – “Sim, eu queria que as coisas fizessem mais sentido para mim…

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de “Childhood guilt” – Shirah Vollmer

breakdown

Por que as Crises são tão importantes?

Um dos grandes problemas dos seres humanos é que somos muito bons a “continuar”, a “andar para a frente”.

Somos especialistas em render-nos às exigências do mundo externo, a viver de acordo como o que é esperado de nós e seguir as prioridades definidas pelos outros.

Continuamos a dar a imagem de sermos uns excelentes rapazes ou raparigas – e podemos, sem grandes marcas visíveis, manter esse feito mágico durante décadas.

Até que um dia, de repente, para a surpresa de todos, incluindo nós mesmos, quebramos.

A crise pode assumir várias formas.

Já não conseguirmos sair da cama. Cairmos numa depressão catatónica.

Desenvolvermos ansiedade social. Deixarmos de dormir e comer. Balbuciarmos incoerentemente. Perdemos o comando sobre uma parte do nosso corpo.

Somos levados a fazer coisas totalmente contrárias ao nosso Eu normal. Tornamo-nos completamente paranóicos em relação a qualquer coisa.

Recusamo-nos a agir de acordo com as “regras” nos nossos relacionamentos, temos um caso, fazemos uma fuga para a frente – ou, pelo contrário, colocamos um pau na engrenagem do dia-a-dia.

Uma crise não é apenas qualquer coisa a funcionar mal, é um apelo para a saúde.

As crises são extremamente inconvenientes para todos, e, sem surpresa, há uma urgência em medicalizar o problema e tentar retirá-lo de cena, para que as coisas, como de costume, possam continuar.

Mas isso é não compreender o que está a acontecer quando temos uma crise.

Uma crise não é apenas uma loucura fortuita ou qualquer coisa a funcionar mal, é algo muito real – um apelo para a saúde.

É uma tentativa de uma parte da nossa mente forçar a outra a um processo de crescimento, auto-compreensão e auto-desenvolvimento, que até então se recusou a empreender.

Se pudermos colocá-lo paradoxalmente, é uma tentativa de impulsionar o processo de ficar bem, verdadeiramente bem, através da doença.

O perigo de apenas medicalizarmos o problema e tentar fazê-lo desaparecer instantaneamente, é perder a lição embutida na nossa doença.

Uma crise não é apenas uma dor, embora também seja isso, é claro; é uma oportunidade extraordinária para aprender.

A razão pela qual quebramos é porque nós, durante anos, não quisemos ver as coisas.

Havia algo que era preciso ouvir dentro das nossas mentes, que colocámos habilmente de lado.

Existiam mensagens que precisávamos ter prestado atenção, aprendizagens emocionais e conexões que era necessário fazer e não fizemos.

E agora, depois de termos assobiado para o lado durante tanto tempo, demasiado tempo, o Eu emocional está a tentar fazer-se ouvir da única maneira que nesta fase ele sabe.

Está totalmente desesperado – e devemos entender e até empatizar com a sua raiva silenciosa.

Uma crise não é apenas uma dor, é uma oportunidade extraordinária para aprender.

O que a crise nos está a dizer acima de tudo é que as coisas não podem ser levadas como de costume.

Que as coisas têm que mudar ou (e isso pode ser assustador de testemunhar) o suicídio pode surgir no horizonte.

Por que não podemos simplesmente ouvir a necessidade emocional calmamente e, em tempo útil – evitar o melodrama de uma crise?

Porque a mente consciente é inerentemente preguiçosa e muito relutante em se envolver com o que a crise – de forma brutal – tem para dizer.

Durante anos, recusa-se a ouvir uma tristeza particular, uma ansiedade crescente, ou um problema num relacionamento.

Podemos comparar o processo com uma revolução.

Durante anos, as pessoas pressionam o governo para ouvir as suas exigências e agir em conformidade.

Durante anos, o governo diz “ok”, mas na prática não faz nada – até que um dia, as pessoas não aguentam mais, derrubam os portões do palácio, destroem as coisas à sua passagem e disparam aleatoriamente contra inocentes e culpados.

Normalmente, em revoluções, não há bons resultados.

As queixas legítimas e as necessidades das pessoas não são ouvidas nem tidas em consideração.

Há uma guerra civil muito feia – às vezes, literalmente, a morte. O mesmo se aplica às crises.

No entanto, perante as queixas físicas, os bons profissionais – tentam arduamente escutar em vez de censurar a doença.

Eles detectam entre as particularidades um pedido de mais tempo para nós mesmos, para um relacionamento mais próximo, para um modo de ser mais honesto e, para a aceitação de quem realmente somos.

É por isso que começamos a beber e a isolar-nos, ou a crescer inteiramente paranóicos ou maniacamente sedutores.

Uma crise representa uma vontade de crescimento que não encontrou outra forma de se expressar.

Muitas pessoas, depois de um horrível período de meses ou anos, dirão: “Eu não sei como é que eu teria ficado bem se eu não tivesse adoecido”.

No meio de uma crise, muitas vezes perguntamos se enlouquecemos.

Não, não enlouquecemos. Estamos a comportar-nos estranhamente, sem dúvida, mas sob a agitação superficial, estamos numa busca escondida e lógica para a saúde.

Nós não ficámos doentes; já estávamos doentes.

A nossa crise, se a pudermos superar, é uma tentativa de mudar o estado das coisas, um alarme insistente para reconstruirmos as nossas vidas numa base mais autêntica e sincera.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de “The importance of having a breakdown” – Alain the Botton

psicoterapia

As Várias Caras do Narcisismo

As várias caras do narcisismo

A cultura popular recorre há muito tempo a traços narcisistas para construir personagens problemáticos, desde Dorian Gray (Oscar Wilde) a Don Draper (série Mad Man). Gaston de “A Bela e o Monstro” apresenta um modelo apatetado, mas razoavelmente válido de grandiosidade, provavelmente a característica mais reconhecível em pessoas com um elevado narcisismo ou com Distúrbio Narcísico da Personalidade – NPD.

Esse fanfarrão corajoso – Gaston – canta: “Como espécime, sim, sou intimidador!… Como vês, eu tenho bíceps de sobra!… Eu sou especialmente bom a cuspir!… E não há bocadinho de mim que não esteja coberto de cabelo. ” Os narcisistas podem realmente ver-se como estando no topo – em termos de talento, aparência e sucesso.

Mas é um erro supor que todos os narcisistas são assim tão óbvios. “Nem todos os narcisistas se preocupam com a aparência, a fama ou o dinheiro”, refere Malkin. “Se nos concentrarmos muito no estereótipo, perdemos muitas características que não têm nada a ver com a vaidade ou com a ganância”.

Alguns narcisistas, por exemplo, podem ser da variedade “comum”, e na verdade dedicarem as suas vidas a ajudar os outros.

Podem até concordar com declarações como: “Eu sou a pessoa mais prestativa que eu conheço” ou “Eu serei recordado pelas boas acções que fiz”. “Todos nós temos conhecimento de mártires grandiosamente altruístas, abnegados até o ponto de não suportarmos estar com eles”, refere Malkin.

E há narcisistas altamente introvertidos, ou “vulneráveis”. Esses indivíduos sentem que são temperamentalmente mais sensíveis do que os outros. Reagem mal (até) a pequenas críticas e precisam de reafirmação constante. A forma como se sentem especiais pode ser negativa: podem ver-se como a pessoa mais feia da festa ou sentir-se como um génio incompreendido num mundo que recusa reconhecer os seus dons.

O que todos os subtipos de narcisistas têm em comum, refere Malkin, é “auto-aprimoramento”. Os pensamentos, comportamentos e as suas posições separam-nos dos outros, e esse sentimento de distinção acalma-os, porque eles estão em luta com um entendimento instável que fazem de si mesmos.

“Os narcisistas sentem-se superiores aos outros”, refere Brummelman, “mas não estão, necessariamente, satisfeitos consigo mesmos como pessoa”.

Uma ligação à Depressão

A luta entre sentirem-se superiores e ao mesmo tempo insatisfeitos consigo mesmos, está no cerne de uma nova concepção de narcisismo, centrada tanto na depressão quanto na grandiosidade.

“A hipótese que se coloca é que os narcisistas são propensos a altos mais altos e baixos mais baixos”, refere Seth Rosenthal ” tem a constante necessidade de ter a sua grandeza verificada pelo mundo à sua volta. Mas quando contactam com a realidade, podem ficar deprimidos.”

Um retrocesso, como a perda de emprego, um divórcio, ou até mesmo o desprezo por algo que tinham planeado, afecta a auto-imagem cuidadosamente polida do indivíduo narcisista, “este é um verdadeiro ataque contra quem ele é”, refere Steven Huprich. “Alguém que ele pensava que iria confiar nele presentemente não o aprecia muito e não está disposto a suportá-lo mais. Não é de estranhar que ele se encontre mais em baixo e deprimido.”

Naturalmente, mesmo pessoas com estados mentais saudáveis lutam para lidar com tais mudanças dramáticas, refere Huprich, “mas para as personalidades narcisistas, a perda é realmente muito difícil, porque sugere vulnerabilidade e fraqueza. Isso indica que você não está realmente imune aos desafios da vida, os altos e baixos.”

Nesses momentos o narcisista também pode exibir uma atitude defensiva e de raiva. “Quando não recebem a admiração que desejam, sentem-se envergonhados e atacam agressivamente”, refere Brummelman. Outros, provavelmente, não terão o mesmo tipo de explosões agressivas.

Quando uma decepção rasga a camada espessa de grandiosidade narcísica e auto-promoção, e penetra no seu núcleo, a melancolia resultante ou a fúria explosiva pode motivá-los a procurar ajuda externa.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), de facto, aconselha os clínicos que indivíduos com NPD podem apresentar um humor deprimido. No entanto é raro procurarem tratamento para o seu narcisismo. “Eu nunca ouvi ninguém dizer, ‘Eu acho que sou uma personalidade narcisista'”, refere Huprich.

Isso não significa que os narcisistas não têm consciência do seu traço. Um estudo de 2011 publicado no Journal of Personality and Social Psychology com um título provocador, “Você, provavelmente, acha que este artigo é sobre si” – relatou que os narcisistas tinham uma percepção sobre a sua personalidade: Eles descreveram-se como arrogantes e sabiam que os outros os viam de forma menos positiva do que eles próprios se viam.

Mas geralmente não vêem isso como um problema, e a questão continua sobre se a sua grandiosidade reflecte uma crença rígida na sua superioridade ou mascara uma ausência subjacente da auto-confiança.

Ao longo de anos de pesquisa, Huprich e os seus colegas desenvolveram um conceito que pode ter uma relação com o narcisismo. Designaram-no de: “auto-estima maligna”. É uma explicação potencial para uma constelação de transtornos de personalidade não diagnosticáveis clinicamente com características sobrepostas, incluindo estilos de personalidade depressiva, auto-destrutiva e masoquista.

Aplicada mais amplamente aos subtipos narcisistas, a teoria sugere que a insegurança profundamente arraigada sobre o Eu e um senso extremamente frágil de auto-estima pode levar a pensamentos e comportamentos desajustados.

“As pessoas podem desenvolver uma auto-estima maligna no contexto dos seus relacionamentos.”

Os narcisistas extrovertidos exibem uma grandiosa procura de atenção. Os narcisistas vulneráveis, no entanto, simplesmente sucumbem à sua auto-imagem danificada. “Não são capazes de manter uma percepção coerente de quem são, então, quando são atacados, em vez de lutar, que é a primeira reacção do grandioso narcisista, eles têm uma reacção imediata de tristeza, de depleção e depressão” refere Huprich.

As pessoas podem desenvolver uma auto-estima maligna no contexto dos seus relacionamentos. Estes indivíduos podem ter tido experiências inconsistentes com os seus pais, relacionadas, em particular, com a forma como o sucesso e realização foram reconhecidos.

Os pais poderiam ter-se recusado a reconhecer ou a desencorajar as conquistas, tirando os óculos cor-de-rosa do narcisismo saudável que poderiam ter facilitado o caminho para os novos desafios na vida da criança.

As experiências da infância podem ter um papel primordial, mas os níveis elevados de traços de narcisismo ou NPD resultam da influência combinada da natureza e do ambiente.”Existem traços de personalidade que vêm ao mundo connosco”, refere Kali Trzesniewski. O ambiente pode enfraquecer ou fortalecer esses traços.

Os resultados de um estudo com gémeos indicaram que o narcisismo era um traço altamente hereditário. Noutro estudo verificou-se que as crianças em idade pré-escolar agressivas e que procuravam atenção eram mais propensas a tornarem-se adultos narcisistas.

Os estilos parentais, a influência de outras relações e os ambientes sociais e culturais podem encorajar (ou deter) o seu desenvolvimento.

Um elevado narcisismo não é o mesmo que uma elevada auto-estima. “Entre eles existe apenas uma fraca relação”.

Brummelman e seus colegas descobriram que quando as mães e os pais são calorosos e afetuosos, passam tempo com os seus filhos e mostram interesse pelas suas actividades, “as crianças gradualmente interiorizam a crença de que são indivíduos meritórios – o núcleo da auto-estima -, e isso não se transforma em narcisismo.

Em contrapartida, a sobrevalorização dos pais – colocar as crianças num pedestal – promove traços narcisistas.

Para evitar o aumento de narcisistas, é melhor os pais dizerem às crianças: “fizeste um bom trabalho”, em vez de: “mereceste ganhar” ou “porque é não foste tão bom quanto ela?”

Um foco precoce e pronunciado sobre o sucesso pode levar a um apego inseguro entre os pais e os filhos. Pode fazer com que os filhos apreendam que o amor e a atenção de uma mãe ou de um pai só estão disponíveis se as expectativas elevadas forem atingidas.

As crianças que sentem que nunca conseguem corresponder aos desejos dos pais podem tornar-se adultos com um ego frágil e ficarem presos a pensamentos e comportamentos narcisistas de forma a suster o ego.

Ludden refere que os pais que criam narcisistas, “apresentam aos seus filhos um mundo onde tudo é uma competição: “Há vencedores e perdedores e tu tens que ser o vencedor.” Uma abordagem mais saudável seria ensinar as crianças que “eles não têm que ser o melhor, mas apenas, o melhor que podem ser.”

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
A partir de “The Real Narcissists” – Rebecca Webber

narcisismo

Os verdadeiros narcisistas

Por todo o lado se ouve falar em narcisistas, mas este rótulo é bastante mal usado, na maioria das vezes, para descrever alguém contra quem temos algo.

No inverno passado uma amiga contou-me que estava a considerar divorciar-se. Disse: “Acho mesmo que o meu marido é um narcisista”.

Recentemente estive num almoço em que um dos presentes explicava a dinâmica da sua família: “A minha tia é tão narcisista, não sei como é que o meu tio ainda está com ela”.

O termo narcisista tem sido amplamente utilizado para descrever não apenas familiares complicados e ressentimentos em relação aos ex-companheiros mas também presidentes de alguns países e toda a geração conhecida como Millennials.

O narcisismo está realmente tão difundido ou em crescimento na população em geral?

Um consenso crescente entre os psicólogos diz que não, não é assim.

O verdadeiro narcisismo patológico sempre foi raro e permanece assim:

– Afecta cerca de um por cento da população, e a sua prevalência não mudou desde que os clínicos começaram a medi-lo.

A maioria (mas não todos) dos supostos narcisistas de hoje são vítimas inocentes de um uso excessivo do rótulo.

São indivíduos normais com egos saudáveis que podem ocasionalmente elogiar as suas realizações, sendo que alguns até podem ser um pouco vaidosos.

O Narcisismo é um traço que cada um de nós apresenta em maior ou menor grau.

Mas enquanto diagnosticamos os amigos, parentes e os colegas dos nossos filhos, os verdadeiros narcisistas patológicos não são reconhecidos porque a maioria de nós não conhece as múltiplas formas que a condição pode tomar.

O que é o Narcisismo (e não é)

O Narcisismo é um traço que cada um de nós apresenta em maior ou menor grau.

Mas como se tornou um traço negativo, foi necessário adicionar o “saudável” para especificar o tipo de narcisismo aceite socialmente.

Um pequeno grau de narcisismo é bom, é saudável.

Segundo Craig Malkin, o narcisismo “é a capacidade de nos vermos a nós mesmos e aos outros através de óculos cor-de-rosa”.

Isso pode ser benéfico porque ajuda a nos sentirmos um pouco especiais.

O narcisismo alimenta a confiança que nos permite assumir riscos, como tentar ser promovido ou convidar para jantar alguém que nos despertou interesse.

No entanto, sentir-se muito especial pode ser problemático.

Desenvolvido por Robert Raskin e Calvin S. Hall em 1979, o inventário de personalidade narcisista (Narcissistic Personality Inventory – NPI) é a medida mais usada para medir este traço.

Na sua aplicação pede-se ao sujeito para escolher entre pares de declarações que avaliam os níveis de modéstia, assertividade, inclinação para liderar e disposição para manipular os outros.

As Pontuações variam entre 0 e 40, com a média a diminuir tendencialmente a meio da adolescência, dependendo do grupo testado.

Aqueles cujo resultado é um desvio padrão acima dos seus pares podem razoavelmente ser considerados narcisistas.

No entanto, uma pontuação em qualquer posição ao longo da vasta gama da escala ainda pode indicar uma personalidade fundamentalmente saudável.

O narcisismo é a capacidade de nos vermos a nós mesmos e aos outros através de óculos cor-de-rosa.

O diagnóstico de narcisismo patológico – é um transtorno de saúde mental – e envolve critérios diferentes.

“O Distúrbio Narcísico da Personalidade – NPD” é uma manifestação extrema”, refere Eddie Brummelman.

O transtorno só pode ser diagnosticado por um profissional de saúde mental e no caso de se suspeitar que os traços narcisistas de uma pessoa possam prejudicar o seu funcionamento diário.

A disfunção pode estar relacionada com uma identidade autocentrada e causar atrito nos relacionamentos devido a problemas com a empatia e a intimidade .

Pode também surgir de um antagonismo patológico caracterizado por grandiosidade e busca de atenção.

“O narcisismo é um continuum, e a perturbação fica no final”, refere Brummelman.

O NPI pode detectar o nível de narcisismo de uma pessoa, mas os efeitos adicionais na vida real são necessários para o diagnóstico de NPD.

“Um transtorno de personalidade é um distúrbio generalizado na capacidade de uma pessoa controlar as suas emoções, manter um senso estável de identidade e de si mesmo e manter relacionamentos saudáveis no trabalho, nas amizades e no amor “, diz Malkin. – É uma questão de rigidez.

Alguém que tenha uma pontuação elevada no NPI pode, de facto, ocasionalmente, sentir-se estranho ou em stress em interacções sociais, mas para alguém com NPD, Malkin refere, “todas as defesas psicológicas estão incessantemente a trabalhar contra o funcionamento saudável”.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
A partir de “The Real Narcissists” – Rebecca Webber

psicoterapia depressão

A Depressão e a impossibilidade de expressar a raiva

Às vezes somos varridos por um clima de tristeza que parece não ter nenhuma causa.

Acordamos desanimados e apáticos. Falta-nos energia e um sentido.

As coisas perdem o sabor e os menores desafios tornam-se incontestavelmente pesados.

Lutamos para tentar ver sentido em qualquer coisa.

Estamos – como os médicos dizem – num estado de depressão severa.

A depressão pode estar relacionada com uma raiva que não encontrou forma de se expressar.

Uma das descobertas sobre a depressão foi encontrada em trabalhos de psicanálise.

Segundo esses  estudos a depressão pode não estar unicamente relacionada com a tristeza.

Mas ser uma espécie de raiva que não tem sido capaz de encontrar forma de expressão e nos deixa tristes com tudo e com todos.

Quando, na verdade, estamos apenas irritados com certas coisas e pessoas específicas.

Se ao menos pudéssemos entender a nossa decepção e raiva mais intimamente poderíamos, eventualmente, recuperar a nossa paz.

Como é possível estarmos profundamente zangados e ainda assim não conhecermos as causas ou o sentido do nosso aborrecimento?

No entanto, essa falta de autoconhecimento não é, em termos de nosso funcionamento mental, inteiramente surpreendente ou anómala.

Nós somos endemicamente maus para perceber a origem e a natureza de muitos dos nossos sentimentos, e não apenas no que diz respeito à tristeza e à raiva.

Mas há uma razão mais forte, pela qual podemos perder o contacto com a nossa raiva:

– fomos ensinados, provavelmente desde a infância, que não é muito agradável estar com raiva.

A raiva viola a imagem de nós mesmos como pessoas gentis e solidárias.

Pode ser muito doloroso e culpabilizante reconhecer que podemos sentir-nos furiosos e vingativos, principalmente, em relação às pessoas que amamos.

O que nos irrita também pode ser considerado absurdo.

Há pessoas que nunca se atreveram a levantar as suas vozes e amargamente tiveram de engolir as mágoas.

Talvez tenhamos sido feridos pelo tipo de coisa que pode ser vista como “insignificante” e que aprendemos a não prestar atenção porque nos imaginamos fortes e acima de sermos afectados por pequenas coisas.

Por fim, podemos não conseguir ficar zangados porque à nossa volta não assistimos às vantagens da expressão da raiva.

Podemos associar a palavra à destruição, a uma loucura tão perigosa quanto contraproducente.

Ou então vivemos muito tempo rodeado de pessoas que nunca se atreveram a levantar as suas vozes e amargamente tiveram que engolir as mágoas.

Não é a existência per se que nos deixou em baixo, mas alguns eventos particulares e actores cuja identidade perdemos de vista.

No luto transformamos a tristeza ilimitada e inominável numa dor concreta

O caminho para sair desse tipo de depressão é perceber que a alternativa não é a alegria, mas o luto.

O luto é uma palavra útil para indicar um tipo focalizado de sofrimento sobre um tipo identificável de perda.

Ao estarmos “enlutados”, transformamos a tristeza ilimitada e inominável numa dor muito mais específica:

– uma dor sobre o pai que não estava lá para nós, sobre o irmão que nos humilhou, o amante que nos traiu, o amigo que mentiu.

Não passa necessariamente por sair e confrontar estas pessoas (algumas delas podem até já estar mortas), mas reflectir sobre o que aconteceu e tomar consciência da dimensão da nossa raiva e do fardo que ela representa.

É possível que isso implique levantar alguma poeira sobre certos relacionamentos e episódios na nossa mente, mas rapidamente a vida como um todo se torna mais manejável e esperançosa.

Traduzido/Adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

Auto-suficiência: o outro lado

– Ninguém sabe como eu me sinto, ninguém se interessa…
– Já disseste a alguém como te sentes?

A expectativa de que os outros saibam como nos sentimos sem termos de o expressar, na maioria das vezes, não se concretiza.

A narrativa acaba por ser: “Não se interessam, não gostam de mim …”

O desejo de ser compreendido e que o outro venha ao nosso encontro sem necessidade de o expressarmos encontra paralelo na infância precoce onde a mãe antecipa os desejos/necessidades da criança e as satisfaz. Excluindo este “fenómeno” que resulta de uma profunda ligação mãe-bebé (que se desfaz gradualmente), a criança vai desde o início manifestando as suas necessidades e procurando pelos meios que dispõe que elas sejam satisfeitas.

Quando as coisas não correm bem nesta fase do desenvolvimento, a criança – amanhã adulto – vai-se fechando sobre si própria e reforçando a crença que pode, essencialmente, contar consigo mesma.

Se para algumas pessoas é difícil pedir ajuda, para outras isso é quase impossível. Sentem que pedir é uma espécie de pedinchar, sinónimo de pequenez, e nesse sentido, exposição de uma falha, de uma fragilidade que é necessário ocultar.

Quando pedem ajuda fazem-no de uma forma tão atabalhoada que por vezes mais parece que os outros é que sentem necessidade de os ajudar.

O receio de pedir e não receber não só expõe o sentimento de insuficiência como o pode ampliar.

Então, numa espécie de vitória invertida aguentam estoicamente em silêncio ao mesmo tempo que desenvolvem sentimentos hostis em relação ao outro que “não se interessa”.

Desta forma vai-se ampliando a distância, quando a proximidade é – e sempre foi – o maior desejo.

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