Mês: Março 2019

O que o seu estilo de vinculação pode revelar sobre a sua sexualidade.

O que a vinculação pode revelar sobre a sua sexualidade

O sistema comportamental de vinculação evoluiu no sentido de aumentar as possibilidades de sobrevivência das crianças e o sucesso reprodutivo futuro, mantendo a proximidade com os cuidadores.

A qualidade das interacções repetidas com as figuras de vinculação molda gradualmente os padrões “definitivos” de como a pessoa de vê a si própria, assim como os objectivos relacionais.

As interacções com as figuras de vinculação que respondem às necessidades da pessoa promovem um sentimento de vinculação segura.

Este sentimento de segurança proporciona a confiança de que se é digno do amor dos outros.

E que esses outros significativos nos apoiarão quando necessário, levando à consolidação de objectivos interpessoais voltados para a construção de relacionamentos íntimos.

Quando as figuras de vinculação respondem às necessidades da pessoa promovem um sentimento de confiança.

Em contraste, interacções com figuras de vinculação que são inconsistentemente responsivas ou consistentemente não responsivas resultam na adopção de estratégias alternativas para lidar com a insegurança resultante:

Hiperactivação e desactivação do sistema de vinculação, respectivamente.

Estas duas estratégias defensivas de vinculação ajudam a proteger a pessoa da angústia, de acordo com os medos que a motivam.

As estratégias de hiperactivação, que caracterizam a vinculação insegura ansiosa, resultam dos medos extremos de abandono e envolvem respostas de protesto destinadas a levar as figuras de vinculação a prestar atenção às suas necessidades.

As estratégias de desactivação, que caracterizam a vinculação insegura evitante, são alimentadas por medo da intimidade e envolvem respostas de fuga destinadas a manter a distância emocional e a confiança nos relacionamentos íntimos.

Estas estratégias iniciais acompanham as interacções interpessoais da pessoa durante toda a sua vida, afectando os níveis desejados de intimidade e interdependência nas relações profundas (teste aqui o seu estilo de vinculação).

A vinculação segura permite abordar a sexualidade com confiança e facilita a intimidade sexual.

Assim, é provável que influenciem a sexualidade no contexto dum relacionamento, incluindo os tipos de desejos que as pessoas pretendem satisfazer, os tipos de relação que procuram e o que entendem como sexualmente desejável com os parceiros actuais e potenciais.

As pesquisas indicam que a vinculação segura encoraja uma abordagem auto-confiante da sexualidade, facilita a intimidade sexual e o prazer nas interacções sexuais mútuas no contexto de relacionamentos profundos.

Em linha com os objectivos de construção dum relacionamento, os indivíduos com uma vinculação segura envolvem-se em sexo, principalmente, para melhorar o vínculo emocional (por exemplo, para expressar amor pelos seus parceiros) e são menos propensos do que os indivíduos menos seguros a envolverem-se em sexo casual.

O sentimento de segurança, que é caracterizado por uma relativa despreocupação com a ligação ao outro e inexistência de ansiedades quanto ao desempenho sexual, permite que os indivíduos com vinculação segura respondam com sucesso às preferências sexuais dos parceiros sem comprometer as suas próprias necessidades.

No geral, a abordagem confiante da sexualidade que acompanha a vinculação segura facilita um envolvimento prazeroso em actividades sexuais afectivas e exploratórias, promovendo, assim, a qualidade e a longevidade do relacionamento.

Por outro lado, os padrões inseguros de vinculação (ansioso / evitante) tendem a prejudicar o funcionamento sexual nos relacionamentos amorosos.

Os medos de rejeição das pessoas muito ansiosas podem levá-las a usar o sexo para responder às suas necessidades não satisfeitas de ligação profunda.

Se uma pessoa se sente permanentemente insegura quanto a ser amada, se essa insegurança se reflecte em preocupações quanto ao relacionamento ou em medo da intimidade, é pouco provável que a sexualidade dessa pessoa seja satisfatória.

A natureza desta interferência, no entanto, reflecte-se de forma distinta na vida amorosa das pessoas com vinculação insegura ansiosa, das pessoas com vinculação insegura evitatante.

Os medos de rejeição das pessoas muito ansiosas podem levá-las a usar o sexo, que é uma via proeminente para buscar proximidade (ver Erotização do Contacto), para responder às suas necessidades não satisfeitas de ligação profunda.

Tendem, por exemplo, a sexualizar o seu desejo de afecto e são propensos a ter sexo para conquistar um parceiro e/ou a manipular o parceiro para reduzir as possibilidades de abandono.

O “sexting” pode ser outra manifestação da sexualização das suas necessidades de vinculação.

Em concreto, tendem a enviar textos onde instam à actividade sexual, provavelmente, na esperança de obter uma resposta positiva dos seus parceiros e seduzi-los para um relacionamento mais profundo.

Infelizmente, as ansiedades de relacionamento das pessoas muito ansiosas continuam a assombrá-las no quarto, levando a comportarem-se de forma contraproducente que, por vezes, ironicamente, pode contribuir para a concretização dos seus piores medos.

Por exemplo, o medo que as pessoas muito ansiosas têm de perder os parceiros, leva-as a aceder aos desejos deles e a envolver-se em actividades sexuais indesejadas e muitas vezes arriscadas (por exemplo, relações sexuais desprotegidas).

Ao mesmo tempo, as suas próprias preferências sexuais podem não ser expressas.

As pessoas com vinculação insegura ficam desconfortáveis com proximidade imposta pelo contacto sexual e, assim, tendem a privar o sexo da intimidade psicológica.

A inibição das necessidades sexuais, juntamente com as preocupações com o relacionamento (por exemplo, sentir angústia de separação durante o sexo), impedem que se deixem levar pelas sensações eróticas, resultando em menor prazer e várias dificuldades sexuais.

As dificuldades sexuais, por sua vez, tendem a frustrar as expectativas irreais das pessoas altamente ansiosas em relação à “união perfeita” e a gerar um ciclo erosivo de preocupações no que diz respeito ao relacionamento e à sexualidade.

As pessoas muito evitantes, em comparação, sentem desconforto com a proximidade imposta pelo contacto sexual e, assim, tendem a privar o sexo da intimidade psicológica.

Especificamente, tendem a ter relações sexuais por motivos egoístas (por exemplo, melhorar a performance, reduzir o stress).

Estes objectivos sexuais momentâneos, combinadas com um baixo compromisso na relação, podem explicar por que reagem favoravelmente ao sexo “sem compromisso” e se envolvem em sexo fora dos relacionamentos.

As pessoas evitantes distanciam-se dos seus parceiros não apenas por se envolverem em sexo extra-conjugal, mas também porque raramente têm fantasias íntimas com os seus parceiros.

Assim, investem na actividade sexual solitária da masturbação, em vez de terem relações sexuais frequentes com os parceiros.

Quando as pessoas muito evitantes fazem sexo com os parceiros, são menos propensas a demonstrar afeição e a responder às necessidades dos seus parceiros.

As pessoas com vinculação insegura são mais susceptíveis de ter dificuldades sexuais e relacionais.

O descontentamento na relação transborda para o seu mundo de fantasias, e interfere na gratificação das suas próprias necessidades sexuais.

No geral, as dificuldades das pessoas evitantes em atenuar os medos da intimidade, que se estendem até ao mundo protegido das fantasias sexuais, privam a relação de calor e negam a oportunidade de experiências reparadoras.

Tomados como um todo, as pessoas com vinculação insegura são susceptíveis a ter dificuldades sexuais e relacionais.

No entanto, paradoxalmente, as relações de pessoas com vinculação  insegura são especialmente propensas a beneficiar do sexo.

Para essas pessoas, satisfazer a actividade sexual carrega o potencial de reduzir os receios de ligação e, assim, produzir um ambiente no relacionamento que conduza à formação de uma verdadeira intimidade.

Essa sensação de intimidade crescente, por sua vez, pode aumentar o desejo sexual entre os parceiros, intensificando ainda mais o relacionamento.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de: What you attachment style may reveal about your sex life – Gurit E. Birnbaum

Por que a Depressão nos deixa tão cansados? Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que a Depressão nos deixa tão fatigados?

A fadiga e o stress tornaram-se estados permanentes para muitas pessoas.

O cansaço extremo e a falta de energia, geralmente, ocorrem após uma experiência exigente do ponto de vista mental/emocional ou fisicamente desgastante.

Mas nem sempre é temporária ou circunstancial.

A fadiga também pode ser um sintoma de um problema maior, como a depressão.

De facto, de acordo com dados de 2018, a fadiga está presente em mais de 90% dos casos de depressão.

Parte da razão pela qual a depressão e a fadiga andam de mãos dadas é porque a depressão afecta os neurotransmissores associados ao estado de alerta e ao sistema de recompensa.

Outra razão tem a ver com o facto de a depressão afectar de forma negativa o sono.

Seja pela dificuldade em adormecer, de ter um sono contínuo, de acordar cedo demais ou, simplesmente, não conseguir dormir profundamente.

De acordo com dados de 2018, a fadiga está presente em mais de 90% dos casos de depressão.

A depressão também prejudica a motivação, uma vez que é física e emocionalmente desgastante realizar tarefas simples.

Além disso, alguém deprimido tem de gastar muito mais energia para tomar decisões e para se concentrar no trabalho.

A relação entre a depressão e a fadiga pode tornar-se cíclica.

As pessoas com depressão, ao fazerem um grande esforço para realizarem as tarefas diárias, podem sentir-se ainda mais fatigadas.

O que, por sua vez, pode fazer com que se sintam ainda mais deprimidas. E o ciclo continua.

É importante dizer que é muito mais provável que a fadiga seja um sintoma de depressão do que a sua causa.

No entanto, doenças crónicas e problemas no sono podem tornar a pessoa mais susceptível à depressão.

Se alguém está sempre cansado por qualquer motivo, é provável que tenha dificuldade em ter uma vida mais rica.

Isso pode levar a menos socialização, menor foco no trabalho e nas rotinas diárias.

Por isso é crucial tomar medidas para melhorar o seu bem-estar geral, caso a fadiga seja devido à depressão ou a outra causa.

Caso você mude as suas rotinas, os seus hábitos de sono e de trabalho, e, ainda assim, se sentir exausto, considere procurar ajuda profissional para determinar se é um caso de depressão e iniciar o tratamento.

A partir de “Why Depression Makes You So Damn Tired All The Time” – Paige Smith

Dormir na Cama dos Pais Pedro Martins Psicoterapeuta

Dormir na Cama dos Pais

Muito se tem escrito sobre a vontade dos filhos irem dormir para a cama do casal e se os pais devem ou não permitir.

Mas fala-se menos sobre a vontade dos pais terem os filhos a dormir com eles, e, em alguns casos, a permanecer lá durante anos.

De uma maneira geral, aconselha-se que a criança durma sozinha a partir do quarto ou sexto mês de vida, no sentido de favorecer o desenvolvimento da sua autonomia.

Para que a criança possa desenvolver a “capacidade de estar só” – Winnicott -, é importante que os pais a coloquem a dormir sozinha.

O simples facto de a criança dormir sozinha faz com que a “capacidade de estar só” se desenvolva?

A resposta é não.

O desenvolvimento da autonomia está dependente das características do vínculo mãe-bebé. 

O desenvolvimento da “capacidade de estar só” está dependente do vínculo mãe-bebé. São as características deste vínculo que determinam se este processo será mais fácil ou mais difícil.

PAIS QUE DORMEM COM OS FILHOS

Nem sempre são os filhos a ir para a cama dos pais. Há casos em que acontece o contrário.

Devido aos medos que a criança manifesta na hora de adormecer muitos pais (a mãe ou o pai) dormem na cama dos filhos e por lá ficam.

Uns ficam umas horas, outros uns dias.

Mas temos também os pais que, aparentemente, trocaram de forma definitiva, a sua cama pela dos filhos.

O contrário também acontece, com os filhos a permanecer indefinidamente na cama dos pais.

Este funcionamento, de tão prolongado, adquire um carácter de normalidade.

Em ambos os casos a intimidade do casal está ameaçada ou, pelo menos, condicionada.

Muitas vezes, o nascimento de um filho é uma excelente justificação para os pais dormirem separados ou porem os filhos a dormir com eles, contornando, assim, os problemas pré-existentes no casal.

Ao mesmo tempo, o nascimento de um filho mexe, em certos casos, profundamente com a vida do casal:

O cansaço físico e emocional; a mãe que não aceita o seu corpo depois da gravidez, e por isso se afasta para não ter contacto íntimo com o parceiro; o pai que sente ciúmes do tempo que a mãe dedica ao filho; a diminuição do desejo sexual; etc.

Por vezes as mães sentem-se culpadas por continuarem a ser mulheres, depois da maternidade.

É como se o novo papel de mãe, para ser exercido plenamente implicasse recusar a sua feminilidade, e as coisas a ela associadas.

É muito importante que o pai não se afaste como homem e faça sentir à mãe que ela ainda é uma mulher desejada e com desejos.

Isto é importante para o casal como para o filho, na medida em que a mãe não busca somente na criança a gratificação afectiva.

 A presença dos filhos na cama dos pais é uma ameaça à intimidade do casal.

Existem casos em que as mães têm medo de que algo fatal possa acontecer com o bebé se não dormirem com ele.

Passam grande parte da noite acordadas a ouvir o batimento cardíaco do bebé e a respiração, para se assegurarem que continua vivo.

Normalmente, isto está associado a sentimentos de culpa.

Por vezes, a ansiedade, o medo e a angústia dos pais é apaziguada de forma mais cómoda colocando os filhos a dormir com eles na cama do casal.

Nos casos em que um filho passou por uma situação traumática, ou na elaboração de certas perdas, dormir com a criança durante um tempo pode ser importante para recuperar a confiança e, aos poucos, voltar para a sua cama.

FILHOS QUE DORMEM COM OS PAIS

Nos casos em que a cama é compartilhada, é habitual que a criança durma com os pais, sempre ou alternadamente até chegar aos dois ou três anos de vida e depois vá para o seu quarto, sem qualquer implicação emocional para a criança ou para os pais.

Portanto, no nosso caso, a questão não é dormir ou não dormir na cama do casal, mas saber o que leva os pais a fazerem-no.

Em abstracto podemos dizer que as coisas vão bem quando é a criança que quer dormir com os pais e não tanto, quando são os pais que precisam de dormir com os filhos.

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