Categoria: Relacionamentos

Três formas das mulheres heterossexuais escolherem os homens errados. Pedro Martins Psicólogo Clínico

Três formas das mulheres heterossexuais escolherem os homens errados

Se você está à procura de um relacionamento de longo prazo, esteja ciente dos seus instintos.

Muitas mulheres heterossexuais ficam frustradas com a procura de um parceiro para um relacionamento a longo prazo.

Pode ser útil que as mulheres reconheçam quando são atraídas por homens que dificilmente permanecerão em relações duradouras.

 

Atracção física

Embora seja difícil que algumas mulheres admitam, a atractividade física é importante.

As mulheres heterossexuais são indubitavelmente atraídas por homens com boa aparência (Eastwick e Finkel, 2008; Kurzban e Weeden, 2005; Sprecher, 1989).

Parte da atração por homens fisicamente atraentes pode ser inconsciente (Eastwick et al., 2011) e baseada na evolução (homens atraentes podem possuir genes de melhor qualidade, ver Perrilloux et al., 2010).

Também podem sentir-se atraídas por outras qualidades positivas que parecem andar de mãos dadas com a atractividade física, como melhores personalidades e experiências de vida mais ricas (Dion et al., 1972; Griffin e Langlois, 2006).

 

As mulheres heterossexuais são indubitavelmente atraídas por homens com boa aparência

 

No entanto, se está à procura de relacionamentos estáveis ​​a longo prazo, pode ser melhor não procurar homens atraentes.

Homens muito atraentes e masculinos são mais propensos a serem infiéis às suas parceiras (Rhodes et al., 2012).

Além disso, homens altamente atraentes têm maior probabilidade de se divorciarem das suas esposas, talvez porque tenham menos capacidade de resistir a oportunidades de se envolver com novas parceiras em potencial (Ma-Kellams et al., 2017).

 

Uma voz sexy

 

As mulheres são frequentemente atraídas por homens com vozes sensuais.

As mulheres tendem a preferir vozes mais profundas e masculinas nos homens, uma característica associada a níveis mais altos de testosterona (Simmons, et al., 2011).

A atractividade vocal e a atractividade física geralmente correspondem; homens cujas vozes são julgadas como mais atraentes também tendem a ser classificados como tendo rostos mais atraentes (Saxton et al., 2006).

Da mesma forma, homens com vozes atraentes também são mais simétricos (a simetria corporal também está ligada à qualidade genética e à atractividade física, ver Hughes et al., 2002).

Espera-se também que indivíduos classificados como tendo vozes mais atraentes tenham personalidades mais agradáveis ​​(Zuckerman et al., 1991).

 

As mulheres são frequentemente atraídas por homens com vozes sensuais.

 

Embora as mulheres heterossexuais possam preferir parceiros masculinos com vozes sensuais, homens com vozes atraentes tendem a ter mais parceiras sexuais e são mais propensos a serem infiéis durante os relacionamentos de longo prazo (Gallup & Frederick, 2010).

A atractividade vocal não está apenas associada à probabilidade de ter um caso; está associado a um maior risco de ter vários casos, bem como a um maior risco de fazer sexo com uma parceira que já está noutro relacionamento, um fenómeno conhecido como “mate poaching” (Hughes et al., 2004).

Embora as vozes sensuais pareçam apelativas, como os homens altamente atraentes discutidos acima, homens com vozes muito sensuais podem ser melhores parceiros a curto prazo do que a longo prazo.

 

Homens comprometidos

Curiosamente, as mulheres heterossexuais são frequentemente atraídas por homens comprometidos.

Essa situação é designada de “mate-choice copying” e também ocorre noutros animais, por exemplo, peixes e aves (Uller e Johansson, 2002).

Nos seres humanos, o interesse de outras mulheres indica que um homem tem qualidades desejáveis ​​- em certo sentido, ele está “pré-validado”.

A preferência por homens comprometidos é mais forte quando os homens têm namoradas do que esposas (Schmitt e Buss, 2001).

No entanto, para relacionamentos de longo prazo, pode não ser a melhor ideia, envolver-se com homens que já têm parceiras.

Se esses homens estiverem dispostos a deixar as suas parceiras por você, eles podem reagir da mesma maneira quando outra nova parceira em potencial aparecer.

 

As mulheres heterossexuais são frequentemente atraídas por homens comprometidos

 

Uma maneira de evitar “mate-choice copying” pode passar por ter mais experiência sexual.

Waynforth (2007) sugere que mulheres com mais experiência sexual não sentem a necessidade de copiar as escolhas; ter mais confiança nas suas próprias escolhas de parceiros pode reduzir o impulso de copiar as escolhas de outras pessoas.

 

Namorar os homens certos

Se você está à procura de um relacionamento de curto prazo, um homem fisicamente atraente com uma voz sexy pode ser o parceiro perfeito para si.

No entanto, se você estiver à procura de um relacionamento a longo prazo, pode ser útil procurar homens com outras características, igualmente desejáveis.

O respeito mútuo parece ser crucial para uma parceria de sucesso a longo prazo.

De facto, existe uma relação mais forte entre o respeito e a satisfação em relacionamentos a longo prazo do que com o amor por um parceiro (Frei e Shaver, 2002).

A honestidade também está associada a melhores resultados nos relacionamentos de longo prazo e a maior bem-estar (Brunell et al., 2010).

Em termos de atractividade física, casais que se parecem uns com os outros ao nível da atractividade física parecem ter parcerias mais longas e estáveis ​​(Feingold, 1988).

Além disso, à medida que conhecemos, gostamos e nos respeitamos mais uns aos outros, a atractividade física torna-se menos importante no início e na manutenção de um relacionamento de longo prazo (Hunt et al., 2015).

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de: Three ways heterossexual women choose the wrong men – Madeleine A. Fugère

Casamento - Casei-com-a-pessoa-errada.-Pedro-Martins-Psicoterapeuta

Casamento: Casei Com a Pessoa Errada?

“Não há nada de errado em se ter casado com a pessoa errada” – Alain de Botton

Alain de Botton analisa a questão do casamento a partir de uma perspectiva politicamente incorrecta, mas muito lúcida:

“Ninguém é perfeito. O problema é que, antes do casamento, raramente entramos na nossa própria complexidade.

O casamento acaba por ser uma espécie de aposta esperançosa feita por duas pessoas – que ainda não sabem bem quem são nem em quem se converterão -, que se unem tendo em vista um futuro que são incapazes de conceber e tiveram o cuidado de evitar investigar.”

De acordo com este pensamento, José Abadi refere que:

“Todos os relacionamentos implicam um risco, que tem a ver com o imponderável e o imprevisível.

Não existe um ideal, vivemos a aceitar as imperfeições recíprocas para nos aproximarmos da felicidade possível.”

 

O problema é que, antes do casamento, raramente entramos na nossa própria complexidade.

 

A ideia da cara-metade é um estereótipo do passado?

Ao longo do tempo, a ideia de casamento estava ligada a questões mais racionais do que sentimentais.

Mas o casamento da “razão” foi perdendo para o casamento com base em sentimentos, refere Botton.

A boa notícia é que não importa se damos conta de que casámos com a pessoa errada.

Não devemos abandonar essa pessoa, mas a ideia romântica sobre a qual a compreensão ocidental do casamento se tem baseado nos últimos 250 anos:

-Existe um ser perfeito que pode satisfazer todas as nossas necessidades e todos os nossos desejos.

Séculos atrás, um casal formava uma família e o amor não era o objectivo fundamental desse vínculo.

Actualmente as famílias assentam no amor – ou, pelo menos, tentam. No entanto, o amor é problemático porque não está garantido.

O erro é acreditar na existência da pessoa certa, explica o psicanalista Any Krieger. “É um erro esperar que o outro preencha as nossas faltas”.

 

“É um erro esperar que o outro preencha as nossas faltas”.

 

“Não há nada mais importante do que aceitar e admitir a complexidade de quem somos.

Temos aspectos negativos e positivos, temos luzes e temos sombras.

Temos traços do nosso carácter que resolvemos de maneira saudável e temos conflitos que continuam a aprisionar-nos.

Aprender a aceitar a imperfeição e até mesmo transformar essa falha em algo simpático e atraente é uma das chaves para o amor.”

Pelo contrário, o outro sinaliza essa falta, mostra a nossa incompletude, refere Krieger.

Outra forma de desmistificar o amor ideal é proposta por Arthur Aron, psicólogo americano que refere que com uma conversa profunda, íntima e sincera, com base num teste padronizado de 36 perguntas, duas pessoas podem terminar juntas.

Durante o processo de averiguação da eficácia do teste de Aron, dois participantes acabaram por casar.

A primeira das 36 perguntas é simples:

“Se eu pudesse convidar qualquer pessoa para uma refeição, quem convidaria?”.

A última pergunta aponta para um nível muito mais profundo de entendimento e intimidade:

“Compartilhe um problema pessoal e peça ao seu interlocutor para lhe dizer como ele ou ela teria agido para resolvê-lo. Pergunte-lhe também como ele acha que você se sente em relação ao problema que você partilhou. ”

De Botton sugere que nos primeiros encontros escondemos muito do que somos:

Numa sociedade mais sábia e consciente de si mesma do que a nossa, uma pergunta comum num dos primeiros encontros seria: ‘E tu, que problemas tens?’

 

Por que o sexo de reconciliação e de despedida são tão bons Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que o Sexo de Reconciliação e Despedida é fantástico?

“O sexo de reconciliação foi 10 vezes mais intenso do que eu alguma vez experimentei.”

“A única coisa que sei sobre sexo de reconciliação é que funciona muito bem.” – (mulher casada)

As pessoas descrevem o sexo de reconciliação como selvagem e extremamente gratificante, e é experimentado após uma discussão intensa.

O que faz com que no seguimento de uma discussão amarga, tudo seja esquecido, quando o casal se envolve no que muitos dizem ser um sexo incrivelmente selvagem e prazeroso?

E por que o sexo de despedida também é tão excitante?

 

Transferência de excitação

A explicação básica para a excitação no sexo de reconciliação é a transferência do estado de excitação de uma situação para outra.

Quando estamos excitados devido a um estímulo, é provável que sejamos facilmente excitados por outro.

O sexo de reconciliação é considerado por muitos como o melhor sexo que existe, o que, em muitos casos, compensa a discussão.

A excitação de transferência é explanada na clássica experiência da ponte realizada em 1974 por Donald Dutton e Arthur Aron.

Nessa experiência, transeuntes do sexo masculino são abordados por uma mulher muito atraente que lhes pede para preencher um questionário.

Metade dos entrevistados estava a atravessar uma ponte suspensa que gerava algum medo. A outra metade atravessava uma ponte baixa e segura.

A excitação sexual em relação à mulher foi maior nos sujeitos que atravessavam a ponte que gerava medo.

A excitação do medo foi transferida para a excitação sexual gerada pela presença de uma mulher atraente.

Outro exemplo deste género de transferência pode ocorrer quando assistimos a certos filmes:

– A nossa raiva em relação ao vilão pode facilmente transformar-se em excitação; a felicidade de vermos o vilão a ser castigado.

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas mas também de outras experiências agradáveis.

 

A grande excitação gerada pelo sexo de reconciliação pode ser explicada à luz dos exemplos anteriores.

O alto estado de excitação associado à discussão é transferido para um estado de grande excitação durante o sexo de reconciliação.

O sexo fantástico após uma discussão, deve-se, em certa medida, à mudança de humor e ao alívio (pelo menos temporário) que a reconciliação com o parceiro produz.

Mas também é resultado da transferência da excitação da discussão para o sexo.

O sexo de reconciliação ocorre após uma discussão desagradável e acalorada com um parceiro que abriu um abismo entre os dois, e assim, ameaçou a continuidade do relacionamento.

O sexo de reconciliação restabelece o vínculo de uma forma bastante palpável.

Como referiu uma mulher:

“O nosso relacionamento é muito mais seguro depois do sexo de reconciliação, para além do alívio adicional da re-conexão com o meu companheiro.

É um lembrete de que, embora nos tenhamos magoado, ainda estamos lá um para o outro.”

Uma maneira semelhante de aumentar a excitação sexual, através da transferência de excitação, é quando um parceiro age de forma selvagem e até mesmo sádica, em relação ao outro.

Aqui a excitação subjacente à raiva e até ao deseja de vingança é transferida para a excitação sexual.

Os casais também desenvolvem formas mais subtis de aumentar a excitação sexual. Por exemplo, através de provocações (teasing).

 

“Eu sinto mais amor durante o sexo de reconciliação, porque apesar do que aconteceu, sei que o nosso amor sobreviveu.” – (mulher casada)

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas, como a raiva que prevalece durante as contendas, mas também de emoções positivas, como o desfrutar de um bom jantar em conjunto ou de outras experiências agradáveis.

Também pode ser activada pela excitação sexual desencadeada por uma terceira pessoa, como um vizinho de boa aparência ou o herói de um filme que é, então, transferida para o parceiro.

As emoções são fenómenos muito dinâmicos e contagiosos: elas podem facilmente passar de uma pessoa para outra.

Assim, quando vemos uma pessoa triste e a chorar, muitos de nós também ficamos tristes.

Quando alguém nos ama, é mais provável que amemos essa pessoa de volta.

E quando percebemos que a pessoa com quem estamos está excitada sexualmente, também ficamos excitados.

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

A situação de amor / ódio é um desses casos. O amor intenso pode tornar-se um terreno fértil para o surgimento de um ódio intenso.

 

Quando estamos excitados devido a um estímulo, facilmente somos excitados por outro.

 

Sexo de Despedida

O sexo de despedida (“one for the road”) é o sexo agridoce e apaixonado que você tem com o seu parceiro logo depois, enquanto, ou pouco antes de terminar o relacionamento com ele.

Algumas pessoas consideram que o sexo de despedida é ainda melhor do que o sexo de reconciliação.

A excitante natureza do sexo de despedida deve-se às suas circunstâncias únicas:

  • É a última oportunidade de desfrutarem do sexo um com o outro.

Tal como Ted Spiker referiu, “é como no dia anterior ao início de uma dieta. Amanhã vou começar, mas hoje vou aproveitar para comer as coisas que mais gosto”.

O sexo é especialmente prazeroso quando o relacionamento é basicamente bom.

“O sexo de despedida é incrível! É realmente difícil entender até você experimentar! É melhor do que fazer sexo de reconciliação!” – (homem anónimo)

O sexo de despedida envolve o carinho que permanece apesar da separação.

Devido à sua natureza “final”, as pessoas não sentem inibições ou restrições no sexo e comportam-se como desejam, sem se preocupar com o futuro ou o efeito no outro.

Nesta experiência comovente e triste, as pessoas geralmente não falam dos maus momentos e do que arruinou o relacionamento; elas estão imersas na presença excitante, sabendo que não existe amanhã.

Frequentemente adoptam a atitude de: “comer, beber e ser feliz, porque hoje é o ultimo dia das nossas vidas”.

Nada tem importância, excepto a presente união sexual.

No sexo de despedida, a excitação resulta de experimentar uma ligação que não é restringida por circunstâncias passadas e futuras.

 

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

 

No sexo de reconciliação, a excitação tem origem na superação das dificuldades do passado e em olhar positivamente para o futuro.

A total ausência de constrangimento é o que faz com que o sexo de despedida geralmente seja o mais excitante dos dois.

 

Os riscos do sexo de reconciliação e de despedida

O sexo de reconciliação tem os seus próprios riscos, um dos quais é reforçar as discussões, ou pelo menos não levar as contendas tão a sério quanto deviam.

Isto é particularmente verdadeiro quando as discussões são violentas, como no caso das mulheres agredidas.

Muitas vezes, imediatamente após a uma situação de violência doméstica, os homens obrigam as mulheres a fazerem sexo com eles.

Não é preciso dizer o quanto isto é terrivelmente devastador para as mulheres.

No entanto, noutros casos, quando já passou um certo tempo desde que a violência ocorreu, o sexo de reconciliação pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

Esta é a história real de Tina Nash, uma mulher severamente espancada que ficou com o namorado apesar dos seus comportamentos violentos.

Depois de um episódio particularmente violento, ela voltou no dia seguinte com o intuito de apanhar o carro que ficado estacionado à porta de casa dele.

Ela refere: “Fizemos amor apaixonado naquela noite. O sexo de reconciliação com ele foi 10 vezes mais intenso do que eu já tinha experimentado antes. Ele foi carinhoso e olhava para mim como se quisesse possuir a minha alma.”

Alguns meses depois, ela perdeu a visão em resultado de outro episódio de violência.

Fazer sexo de reconciliação quando a relação é má não envolve uma verdadeira resolução para o conflito, mas um encobrimento temporário, que distrai a atenção do casal dos seus profundos problemas.

 

Riscos: pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

 

Quando as discussões são constantes e extremas, o sexo de reconciliação pode funcionar como uma droga que dá um alívio temporário e ilusório, mas não é uma solução real.

O sexo de despedida pode ser importante, principalmente, em duas situações:

(a) Ainda gostam um do outro e querem continuar amigos

(b) A decisão de terminar a relação é mútua

Em alguns casos, o sexo de despedida pode ser muito triste e doloroso.

Miguel refere: “A minha namorada levou-me para um fim-de-semana romântico com a ideia de fazermos sexo o máximo de vezes possível e antes de se ir embora disse-me que a nossa relação estava terminada. Isso deixou-me enfurecido e amargurado”.

Para outras pessoas, especialmente aquelas cujo amor pelo parceiro se extinguiu, o sexo de despedida faz com que se sintam tristes por estarem a ser usadas e a cederem a fazer sexo por pena do parceiro.

Outro problema (ou vantagem) do sexo de despedida é que, se é tão bom, gera segundos pensamentos em relação ao fim da relação, que ambos pensavam ser a decisão certa.

 

Sexo de reconciliação em bons e maus relacionamentos

O sexo de reconciliação é um remédio superficial para as discussões.

O remédio é benéfico quando o relacionamento é basicamente bom, e as discussões são tipicamente circunscritas e reduzidas, ou seja, não expressam uma divisão profunda e hostil.

Entretanto, quando existem problemas mais profundos na relação, o sexo de reconciliação tem pouco valor e pode mesmo invocar emoções negativas ao não se abordar o problema com seriedade.

Quando os conflitos subjacentes ao sexo de reconciliação são circunscritos e reduzidos, eles podem ser como pequenas quantidades de um vírus que imuniza o sistema.

Mas quando as doses do vírus são grandes o sistema pode colapsar.

 

Ter relações sexuais extremamente prazerosas não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Quando as discussões que antecedem o sexo de reconciliação são raras, elas podem ser consideradas como um obstáculo que o casal pode superar, e o sexo é uma das maneiras de fazê-lo.

Neste último caso, quando o relacionamento é basicamente bom, o sexo de reconciliação é normalmente muito bom, e a relação provavelmente melhora.

Quando as contendas são significativas e expressam a natureza problemática do relacionamento, o sexo de reconciliação pode prejudicar ainda mais a relação e os parceiros individualmente.

Não é necessário provocar discussões sérias para ter sexo muito prazeroso, pois há um preço a pagar pelas contendas.

Além disso, se uma discussão é deliberadamente provocada, o sexo subsequente pode perder a sua atracção como reafirmação do amor.

Para além do mais, como os desentendimentos, mal-entendidos e discussões são comuns nos relacionamentos saudáveis, não há necessidade de provocá-los artificialmente – somente a necessidade de superá-los de forma positiva.

Em suma, o sexo de reconciliação e o sexo de despedida podem ser importantes e maravilhosos em certas circunstâncias.

No caso do sexo de reconciliação, as discussões devem ser circunscritas e reduzidas

No caso do sexo de despedida, os dois ainda devem gostar um do outro, e o desejo de terminar resultar de um acordo mútuo.

Noutros casos, tanto o sexo de reconciliação como o sexo de despedida podem ser prejudiciais, já que não resolvem os problemas, mas apenas os aprofundam.

Em qualquer caso, um magnífico sexo não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Why make-up sex and breakup sex are so good – Aaron Ben-Zeév

Guia para Encontros na Era Digital Pedro Martins Psicoterapeuta

Guia para Encontros na Era Digital

Se está à procura de encontros casuais, um relacionamento a longo prazo, um parceiro para BDSM, ou alguém para ir ao cinema, é fácil ficar fatigado e frustrado com a enorme quantidade de aplicativos e sites que existem.

 

Coisas a ter em mente em relação a encontros nos dias de hoje:

 

Você está a conhecer um estranho

É importante não se esquecer que quando combina uma saída com alguém que conheceu através de uma aplicação ou de um site, você está a sair com um estranho.

A referência a este aspecto não tem a ver com os “perigos”, mas para salientar que você realmente não pode conhecer uma pessoa antes de conhecê-la.

Hoje em dia é cada vez mais raro ouvir alguém dizer que vai sair com uma pessoa que conheceu no trabalho.

A maioria das pessoas combina encontros através das redes sociais e aplicações.

No entanto, como muita da comunicação se dá em forma de mensagens de texto curtas, troca de fotos ou de mensagens por meio de aplicações, rapidamente se cria uma falsa sensação de intimidade, antes mesmo de você se encontrar com a pessoa na vida real.

 

A criação de uma fantasia

Como as pessoas com quem se combinam este tipo de encontros raramente compartilham um contexto comum, por exemplo, de escola ou de amigos, é muito mais fácil criar uma fantasia acerca da outra pessoa antes de se encontrar com ela.

As pessoas apresentam claramente versões retocadas e idealizadas de si mesmas nas redes sociais e nas aplicações.

Um paciente contou-me que um amigo tinha dois perfis diferentes no mesmo site de encontros:

Um dirigido para “aventuras” e outro para relacionamentos; cada um com uma lista diferente de hobbies e interesses.

 

A comunicação através de mensagens de texto curtas e troca de fotos cria uma falsa sensação de intimidade.

 

Outra paciente referiu que tinha andado a sair com uma pessoa que odiava a mãe, mas no seu perfil tinha fotos muito doces dos dois a abraçarem-se no Natal.

As palavras e as imagens que se apresentam nutrem a imaginação da pessoa que olha para o perfil.

Acontece numa questão de minutos. Por vezes a fantasia pode começar mesmo antes de uma mensagem ser trocada.

As mensagens trocadas antes do encontro perpetuam essas fantasias e podem ofuscar as incompatibilidades que surgiriam rapidamente se você se encontrasse com a pessoa na vida real.

 

É mais do que uma lista de características/qualidades

As pessoas quererem conhecer alguém que preencha certos requisitos, que podem incluir altura, educação, etnia, idade, fertilidade, excentricidade e muito mais.

O recurso “pesquisa avançada” em sites e aplicações facilita a pesquisa das pessoas que atendem aos critérios específicos e amplificam o problema.

Isso, associado com o número de pessoas on-line, leva à ideia de que você pode continuar a procurar alguém melhor ou mais compatível, reforçando a noção de que existem possibilidades ilimitadas.

No entanto, a verdade é que possibilidades infinitas tornam difícil avaliar a conexão com a pessoa sentada à nossa frente.

Se você estiver interessado num relacionamento e ainda estiver a sair com várias pessoas, não terá espaço emocional para descobrir quem é a pessoa certa para você.

Parte do objectivo dos encontros é descobrir se a outra pessoa tem capacidade de se ligar, de relacionar-se consigo, respeitar e comunicar de uma maneira honesta e confiável, e se conseguem divertir-se juntos.

Isso exige presença de mente, coração, e investimento de tempo.

As check list de qualidades/características por si só não são suficientes para perceber como alguém se relaciona. Você tem de se relacionar com a outra pessoa para descobrir.

 

Devido às características destes encontros é muito mais fácil criar uma fantasia acerca da outra pessoa antes de se encontrar com ela.

 

Aqui ficam algumas dicas para ajudá-lo a lidar com alguns desafios dos encontros na era digital:

Dicas para encontros na era digital

Não deixe que a comunicação digital ou as mensagens continuem por muito tempo. Limite-se a trocar um pequeno número de mensagens antes de passar para uma ligação telefónica.

Depois de você falar com a pessoa pelo telefone reflicta sobre as sensações com que ficou. Por exemplo, como a conversa fluiu.

Tente evitar enviar mais de três mensagens sem resposta. Isso faz com que você se sinta mal e pode fazer com que a outra pessoa se sinta pressionada.

Avalie a qualidade dos relacionamentos do potencial parceiro à medida que surgem situações com a família, amigos e ex-namorados.

Pensar em ser exclusivo não significa que você está comprometido para sempre. Mas sem isso é complicado perceber como é realmente a conexão.

Seja honesto com aquilo que você está à procura, seja a curto ou a longo prazo, significativo ou casual.

Você não vai assustar alguém que quer estar consigo por expressar os seus desejos.

A verdade é que nestes tempos existem muitas maneiras das pessoas poderem encontrar outras. Com algum esforço, a probabilidade de encontrar alguém aumenta.

Boa sorte!

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de The Ultimate Guide to Dating in the Digital Age – Shirin Ali

 

A importância de beijar. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo

A Importância de Beijar

Um dos aspectos surpreendentes dos relacionamentos é a quantidade de segurança que precisamos para acreditar que somos activamente desejados.

Não é menos surpreendente, a forma como facilmente esquecemos este facto embaraçoso, tanto sobre nós mesmos como sobres as outras pessoas.

A narrativa dominante sobre amor diz-nos que a insegurança, no que diz respeito a ser desejado, atinge o seu auge no início do namoro, quando estamos profundamente conscientes das inúmeras razões pelas quais o nosso parceiro pode não estar interessado em levar as coisas adiante.

No entanto, uma vez que o relacionamento começou, que existe um lar, eventualmente filhos e um padrão estabelecido de vida, assumimos que o medo de não ser desejado desapareceu.

Longe disso. O medo de não ser desejado continua todos os dias. Podem sempre surgir novas ameaças ao amor.

Só porque fomos amados ontem, nada garante que seremos queridos hoje.

 

Para tentar acalmar as inseguranças devemos instituir um ritual: um beijo de manhã e outro à noite.

 

Mais perniciosamente, se nos deixarmos infectar pelo medo, podemos adoptar uma posição defensiva onde, porque assumimos que não somos desejados, começamos a comportar-nos com uma certa indiferença, o que encoraja o parceiro a agir da mesma forma.

Duas pessoas que são, no fundo, muito bem-dispostas uma com a outra podem entrar num ciclo de negação de que precisam do outro, porque assumem cautelosa e preventivamente que a outra pessoa não as quer mais.

Para tentar acalmar esses medos e ciclos de indiferença, devemos instituir um ritual, aparentemente pequeno, mas de facto crucial nas nossas vidas: um beijo de manhã e outro à noite.

Todas as manhãs, antes de sair, não importa o quanto estamos com pressa, devemos dar um ao outro um beijo nos lábios, por pelo menos sete segundos, o que é – na realidade – um tempo muito estranhamente longo.

Inclinem-se sobre o companheiro, não pensem nas muitas coisas que têm que fazer nas próximas horas. Simplesmente concentrem-se na sensação da boca dele na sua, sinta o nariz contra a pele dele.

Não parem abruptamente no final: continuem a olhar um para o outro por mais alguns momentos e sorriam. O mesmo deve ser repetido todas as noites aquando do regresso a casa.

 

Somos criaturas sensuais; precisamos do contacto físico.

 

Quando beijamos, estamos a entrar num canal fundamental de conexão emocional. O contacto físico íntimo afecta-nos de uma forma que é distinta e, em muitos aspectos, superior a palavras.

Somos criaturas sensuais pelo menos no mesmo grau em que somos racionais: um sorriso ou uma carícia pode, portanto, tranquilizar-nos muito mais profundamente do que um eloquente “amo-te muito”.

Em bebés, fomos serenados pelo toque muito antes de podermos entender a linguagem, e, portanto, continuamos a precisar de contacto físico para acreditar, verdadeiramente acreditar, que temos um lugar na vida da outra pessoa.

Normalmente, um beijo surge de um sentimento de ternura: primeiro temos uma emoção e depois a sua expressão.

Mas há outra forma das nossas mentes poderem trabalhar; uma maneira na qual um sentimento surge a seguir a uma acção.

 

Quando beijamos, estamos a entrar num canal fundamental de conexão emocional.

 

O beijo da manhã e da noite deve vir primeiro, independentemente de haver ou não uma emoção de ternura.

Então, é quase certo, se continuarmos com o beijo, a emoção surgirá (é muito difícil beijar e não sentir nada).

O beijo da manhã e da noite deve ser um ritual.

Uma característica básica dos rituais é que os fazemos, quer tenhamos vontade de praticá-los ou não.

O beijo deve acontecer mesmo que você tenha tido um desaguisado com o parceiro e estiver ressentido, ou se estiver com pressa para uma reunião importante. Melhores sentimentos se seguirão.

Quando saímos de casa a caminho do trabalho, em vez de questionarmos se nos esquecemos das chaves ou do carregador do telemóvel, devemos sempre perguntar se fizemos uma coisa muito mais importante e amorosa: se trocamos um beijo de sete segundos.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

Casais explosivos - Pedro Martins Psicoterapeuta

Casais Explosivos

Há muitas maneiras dos casais serem infelizes no amor, mas existe uma, a que psicologia moderna tem dado especial atenção:

– Os relacionamentos em que uma das partes tem um padrão de vinculação inseguro evitante e a outra, um padrão inseguro ansioso.

(Ver Teoria da Vinculação) (Veja qual é o seu estilo de Vinculação)

A teoria desenvolvida por J. Bowlby pressupõe dois estilos de vinculação:

Vinculação Segura.

Vinculação Insegura.

Por sua vez, a vinculação insegura divide-se em ansiosa e evitante.

 

Em primeiro lugar, temos aqueles que têm uma vinculação segura:

– São os que tiveram boas experiências na infância.

Esperam e fazem com que sejam bem tratados por aqueles que amam.

Trata-se de pessoas afortunadas que são capazes de empatizar e de ser generosas.

Comunicam com honestidade e objectividade as suas necessidades.

Assume-se que cerca de 50% da população tem uma vinculação segura.

 

Aqueles que na infância foram sujeitos a grandes decepções e traumas formam os restantes estilos de vinculação: Insegura-Ansiosa / Insegura-Evitante.

O que torna as coisas ainda mais complicadas é o facto das pessoas com um estilo inseguro evitante serem frequentemente atraídas para formar casais com as pessoas do estilo inseguro ansioso, onde as suas características emocionais contribuem para uma combinação particularmente explosiva.

 

Casais explosivos: as pessoas com um estilo inseguro evitante são frequentemente atraídas para formar casais com as pessoas do estilo inseguro ansioso.

 

As pessoas com vinculação insegura ansiosa terão num relacionamento o sentimento característico de não serem devidamente apreciadas e amadas.

Estão convencidas de que com mais proximidade, ternura e sexo a união pode ser possível.

Os parceiros com quem estão, no entanto, parecem-lhes dolorosamente desapegados.

Parece que nunca querem com tanta intensidade quanto a que eles oferecem.

Ficam profundamente magoadas com a frieza e a distância e, aos poucos, começam a sentir auto-aversão e rejeição.

Desvalorizadas e incompreendidas, são invadidas por sentimentos de vingança e ressentimento.

Por um longo período, podem calar as suas frustrações até que, eventualmente, o desespero irrompe.

Mesmo que seja num momento muito inadequado, não conseguem deixar de procurar resolver os problemas naquela ocasião.

Previsivelmente, esse tipo de discussão corre muito mal.

O parceiro ansioso perde a calma; exagera e crítica com tanta maldade que deixa o parceiro evitante convencido de que ele é louco e mesquinho.

Um parceiro seguro pode saber como acalmar a situação, mas um evitante, certamente, não é capaz.

Tragicamente, o evitante desencadeia uma insegurança ainda maior no parceiro ansioso.

Sob pressão para ser mais carinhoso e próximo, o parceiro evitante instintivamente retrai-se.

Sente-se perseguido; fica frio e desconecta-se, aumentando ainda mais a ansiedade do parceiro.

Por baixo do seu silêncio, o evitante está magoado por se sentir “controlado”.

Tem a sensação de ser perseguido: injustamente perseguido devido à “carência” do outro.

Silenciosamente pode fantasiar sair para fazer sexo com alguém, de preferência, um completo estranho.

 

A maioria de nós pode não ser completamente saudável no amor, mas pode encontrar formas de manter um bom relacionamento.

 

É importante saber que isto não se passa apenas no seu relacionamento.

Existem, literalmente, milhões de relações onde se passam coisas idênticas.

É igualmente importante, ter consciência de que as causas do sofrimento, que são tão pessoais e tão duras, são na verdade fenómenos gerais, e estão bem estudadas.

A solução, como sempre, passa pelo conhecimento; pela consciencialização.

Há uma grande diferença entre a pessoas ansiosas e evitantes agirem os impulsos e, como seria preferível, perceberem que eles fazem parte de nós; saberem de onde vieram e explicarem a si próprias e aos outros por que somos levados a fazer as coisas que fazemos.

Não podemos – a maioria de nós – ser completamente saudáveis no amor, mas também podemos ser algo quase tão benéfico:

Podemos ser pessoas comprometidas em explicar o nosso comportamento patológico (motivado por várias coisas) em tempo útil, antes de nos tornarmos excessivamente furiosos e magoar os outros, e, posteriormente pedir desculpa pelo sucedido.

Há poucas coisas mais românticas, no verdadeiro sentido da palavra, do que um casal que aprendeu a compartilhar de forma franca e delicada, o que os levou a reagir de certa forma, e que tudo farão para rapidamente voltar ao normal.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

 

Podemos ser só amigos? Pedro Martins Psicoterapeuta

Não Podemos Ser Só Amigos?

Uma das coisas mais docemente amarga de ouvir; dita carinhosamente no final de uma longa e divertida noite, é a proposta de que devemos, afinal, permanecer “apenas bons amigos”.

Tomamos a proposta para uma amizade como sinónimo de uma ofensa, porque a nossa cultura romântica tem continuamente, e desde tenra idade, deixado uma coisa muito clara para nós:

O amor é o propósito da nossa existência; a amizade é o insignificante prémio de consolação.

Deveríamos reflectir um pouco sobre alguns aspectos relacionados com o amor:

– o comportamento, o nível de satisfação e o estado de espírito dos próprios amantes.

Se fôssemos julgar o amor, principalmente, pelos impactos, pela quantidade de lágrimas, pelas enormes frustrações, pela crueldade das ofensas que se desdobram em seu nome, não continuaríamos a avaliá-lo da mesma forma, e, poderíamos até confundi-lo com um transtorno mental.

 

A amizade é o insignificante prémio de consolação.

 

As cenas que tipicamente se desenrolam entre os amantes dificilmente seriam imagináveis ​​noutras relações.

Honramos aqueles que amamos com o nosso pior humor, com as acusações mais injustas e com os insultos mais malignos.

É para os nossos amantes que dirigimos a culpa por tudo o que deu errado nas nossas vidas.

Esperamos que eles saibam tudo o que queremos dizer sem nos preocuparmos em explicar.

É aos seus pequenos erros e mal-entendidos que respondemos com indignação e raiva.

E, em comparação, é na amizade, um estado supostamente inferior, cuja alusão no final de um encontro nos esmaga, que mostramos as nossas maiores e nobres virtudes.

Na amizade somos pacientes, encorajadores, tolerantes, divertidos e, acima de tudo, gentis.

Esperamos um pouco menos e, portanto, temos uma capacidade enorme de perdoar.

Não presumimos que seremos completamente compreendidos e, assim, aceitamos as falhas de uma forma mais leve e humana.

 

Paradoxalmente são os amigos que nos oferecem o verdadeiro caminho para os prazeres que o romantismo associa ao amor.

 

Não imaginamos que os nossos amigos devam admirar-nos sem reservas e apoiar-nos em qualquer coisa que façamos.

E, por isso, esforçamo-nos e comportamo-nos, agradando a nós mesmos e aos nossos amigos ao longo da vida.

Nós somos, na companhia de nossos amigos, os nossos melhores Eus.

Paradoxalmente é a amizade que nos oferece o verdadeiro caminho para os prazeres que o romantismo associa ao amor.

O facto de isto soar surpreendente é reflexo do quanto limitada a nossa visão quotidiana de amizade se tornou.

Mas a verdadeira amizade é algo mais profundo e digno de regozijo:

– É um espaço no qual duas pessoas podem ter uma noção das vulnerabilidades uma da outra;

– Apreciar as loucuras um do outro sem recriminação;

– Tranquilizar-se mutuamente quanto ao seu valor e acolher as tristezas e as tragédias da existência com delicadeza e carinho.

Colectiva e culturalmente, cometemos um grande erro que acaba por nos deixar mais solitários e mais decepcionados do que seria necessário.

Num mundo melhor, o nosso objectivo principal não deveria ser encontrar um amante especial que substitua todos os outros humanos, mas colocar a nossa inteligência e energia em descobrir e cultivar um círculo de amigos verdadeiros.

No final de uma noite, quem sabe diríamos, a prováveis futuros companheiros, com um sorriso envergonhado, que os convidámos para entrar – sabendo que isso seria uma rejeição dolorosa – ‘Sinto muito, não poderíamos ser apenas… amantes?

O que o seu estilo de vinculação pode revelar sobre a sua sexualidade.

O que a vinculação pode revelar sobre a sua sexualidade

O sistema comportamental de vinculação evoluiu no sentido de aumentar as possibilidades de sobrevivência das crianças e o sucesso reprodutivo futuro, mantendo a proximidade com os cuidadores.

A qualidade das interacções repetidas com as figuras de vinculação molda gradualmente os padrões “definitivos” de como a pessoa de vê a si própria, assim como os objectivos relacionais.

As interacções com as figuras de vinculação que respondem às necessidades da pessoa promovem um sentimento de vinculação segura.

Este sentimento de segurança proporciona a confiança de que se é digno do amor dos outros.

E que esses outros significativos nos apoiarão quando necessário, levando à consolidação de objectivos interpessoais voltados para a construção de relacionamentos íntimos.

Quando as figuras de vinculação respondem às necessidades da pessoa promovem um sentimento de confiança.

Em contraste, interacções com figuras de vinculação que são inconsistentemente responsivas ou consistentemente não responsivas resultam na adopção de estratégias alternativas para lidar com a insegurança resultante:

Hiperactivação e desactivação do sistema de vinculação, respectivamente.

Estas duas estratégias defensivas de vinculação ajudam a proteger a pessoa da angústia, de acordo com os medos que a motivam.

As estratégias de hiperactivação, que caracterizam a vinculação insegura ansiosa, resultam dos medos extremos de abandono e envolvem respostas de protesto destinadas a levar as figuras de vinculação a prestar atenção às suas necessidades.

As estratégias de desactivação, que caracterizam a vinculação insegura evitante, são alimentadas por medo da intimidade e envolvem respostas de fuga destinadas a manter a distância emocional e a confiança nos relacionamentos íntimos.

Estas estratégias iniciais acompanham as interacções interpessoais da pessoa durante toda a sua vida, afectando os níveis desejados de intimidade e interdependência nas relações profundas (teste aqui o seu estilo de vinculação).

A vinculação segura permite abordar a sexualidade com confiança e facilita a intimidade sexual.

Assim, é provável que influenciem a sexualidade no contexto dum relacionamento, incluindo os tipos de desejos que as pessoas pretendem satisfazer, os tipos de relação que procuram e o que entendem como sexualmente desejável com os parceiros actuais e potenciais.

As pesquisas indicam que a vinculação segura encoraja uma abordagem auto-confiante da sexualidade, facilita a intimidade sexual e o prazer nas interacções sexuais mútuas no contexto de relacionamentos profundos.

Em linha com os objectivos de construção dum relacionamento, os indivíduos com uma vinculação segura envolvem-se em sexo, principalmente, para melhorar o vínculo emocional (por exemplo, para expressar amor pelos seus parceiros) e são menos propensos do que os indivíduos menos seguros a envolverem-se em sexo casual.

O sentimento de segurança, que é caracterizado por uma relativa despreocupação com a ligação ao outro e inexistência de ansiedades quanto ao desempenho sexual, permite que os indivíduos com vinculação segura respondam com sucesso às preferências sexuais dos parceiros sem comprometer as suas próprias necessidades.

No geral, a abordagem confiante da sexualidade que acompanha a vinculação segura facilita um envolvimento prazeroso em actividades sexuais afectivas e exploratórias, promovendo, assim, a qualidade e a longevidade do relacionamento.

Por outro lado, os padrões inseguros de vinculação (ansioso / evitante) tendem a prejudicar o funcionamento sexual nos relacionamentos amorosos.

Os medos de rejeição das pessoas muito ansiosas podem levá-las a usar o sexo para responder às suas necessidades não satisfeitas de ligação profunda.

Se uma pessoa se sente permanentemente insegura quanto a ser amada, se essa insegurança se reflecte em preocupações quanto ao relacionamento ou em medo da intimidade, é pouco provável que a sexualidade dessa pessoa seja satisfatória.

A natureza desta interferência, no entanto, reflecte-se de forma distinta na vida amorosa das pessoas com vinculação insegura ansiosa, das pessoas com vinculação insegura evitatante.

Os medos de rejeição das pessoas muito ansiosas podem levá-las a usar o sexo, que é uma via proeminente para buscar proximidade (ver Erotização do Contacto), para responder às suas necessidades não satisfeitas de ligação profunda.

Tendem, por exemplo, a sexualizar o seu desejo de afecto e são propensos a ter sexo para conquistar um parceiro e/ou a manipular o parceiro para reduzir as possibilidades de abandono.

O “sexting” pode ser outra manifestação da sexualização das suas necessidades de vinculação.

Em concreto, tendem a enviar textos onde instam à actividade sexual, provavelmente, na esperança de obter uma resposta positiva dos seus parceiros e seduzi-los para um relacionamento mais profundo.

Infelizmente, as ansiedades de relacionamento das pessoas muito ansiosas continuam a assombrá-las no quarto, levando a comportarem-se de forma contraproducente que, por vezes, ironicamente, pode contribuir para a concretização dos seus piores medos.

Por exemplo, o medo que as pessoas muito ansiosas têm de perder os parceiros, leva-as a aceder aos desejos deles e a envolver-se em actividades sexuais indesejadas e muitas vezes arriscadas (por exemplo, relações sexuais desprotegidas).

Ao mesmo tempo, as suas próprias preferências sexuais podem não ser expressas.

As pessoas com vinculação insegura ficam desconfortáveis com proximidade imposta pelo contacto sexual e, assim, tendem a privar o sexo da intimidade psicológica.

A inibição das necessidades sexuais, juntamente com as preocupações com o relacionamento (por exemplo, sentir angústia de separação durante o sexo), impedem que se deixem levar pelas sensações eróticas, resultando em menor prazer e várias dificuldades sexuais.

As dificuldades sexuais, por sua vez, tendem a frustrar as expectativas irreais das pessoas altamente ansiosas em relação à “união perfeita” e a gerar um ciclo erosivo de preocupações no que diz respeito ao relacionamento e à sexualidade.

As pessoas muito evitantes, em comparação, sentem desconforto com a proximidade imposta pelo contacto sexual e, assim, tendem a privar o sexo da intimidade psicológica.

Especificamente, tendem a ter relações sexuais por motivos egoístas (por exemplo, melhorar a performance, reduzir o stress).

Estes objectivos sexuais momentâneos, combinadas com um baixo compromisso na relação, podem explicar por que reagem favoravelmente ao sexo “sem compromisso” e se envolvem em sexo fora dos relacionamentos.

As pessoas evitantes distanciam-se dos seus parceiros não apenas por se envolverem em sexo extra-conjugal, mas também porque raramente têm fantasias íntimas com os seus parceiros.

Assim, investem na actividade sexual solitária da masturbação, em vez de terem relações sexuais frequentes com os parceiros.

Quando as pessoas muito evitantes fazem sexo com os parceiros, são menos propensas a demonstrar afeição e a responder às necessidades dos seus parceiros.

As pessoas com vinculação insegura são mais susceptíveis de ter dificuldades sexuais e relacionais.

O descontentamento na relação transborda para o seu mundo de fantasias, e interfere na gratificação das suas próprias necessidades sexuais.

No geral, as dificuldades das pessoas evitantes em atenuar os medos da intimidade, que se estendem até ao mundo protegido das fantasias sexuais, privam a relação de calor e negam a oportunidade de experiências reparadoras.

Tomados como um todo, as pessoas com vinculação insegura são susceptíveis a ter dificuldades sexuais e relacionais.

No entanto, paradoxalmente, as relações de pessoas com vinculação  insegura são especialmente propensas a beneficiar do sexo.

Para essas pessoas, satisfazer a actividade sexual carrega o potencial de reduzir os receios de ligação e, assim, produzir um ambiente no relacionamento que conduza à formação de uma verdadeira intimidade.

Essa sensação de intimidade crescente, por sua vez, pode aumentar o desejo sexual entre os parceiros, intensificando ainda mais o relacionamento.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de: What you attachment style may reveal about your sex life – Gurit E. Birnbaum

Amores Ardentes, Amores Frustrantes. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Amores Ardentes, Amores Frustrantes

A vida de certas pessoas é marcada por grandes entusiasmos e amores ardentes que rapidamente abandonam, porque rapidamente frustrantes – pela não correspondência ao ideal desejado.

Muito desejado porque nunca obtido – não fora essa a sua falta básica:

– A de um amor materno/paterno de qualidade indiscutível, que as tivesse verdadeiramente preenchido.

Um afecto incondicional, que não dependesse dos seus atributos ou desempenhos; cuja única condição fosse a de existir e ser filho.

Esse amor que só um pai ou uma mãe pode e sabe dar.

Que nenhum homem ou mulher irá oferecer numa relação conjugal;

Que nenhum amigo, colega, mestre ou discípulo preencherá.

Que só quem ama como mãe ou pai pode fornecer;

Ou quem possa entender essa falta essencial – alguém muito empático que a sorte lhe possa trazer.

Habitualmente isso não acontece.

 

Os amores ardentes são frustrantes por não corresponderem ao ideal desejado.

 

Só uma psicoterapia que considere o lado experiencial lhe poderá pôr cobro, pelo encetar de uma relação diferente que o paciente desconhece, e por isso nova.

É um novo vínculo de apego que se estabelece e vai relançar o desenvolvimento normal; e novo, também porque nunca antes verdadeiramente experimentado.

Processo que se inicia na relação terapêutica, mas que passa, se contínua e persiste no quotidiano.

 

São pessoas que, sobretudo, fazem escolhas precipitadas.

 

Nelas impera mais a primeira impressão que um exame cuidadoso, a razão apaixonada que o bom senso, o brilho do outro que a natureza do seu interior.

É uma escolha narcísica – o sujeito reflecte-se no espelhado do outro, no outro que o ecoa ou admira; ou aquece-se ao seu brilho e participa na sua grandiosidade.

Tais relações revelar-se-ão sempre decepcionantes e desprazerosas:

– porque simétricas e não complementares -, trazendo sofrimento e conduzindo a inevitáveis e até a desejadas roturas.

Enquanto persistir o mesmo mecanismo de selecção – o que acontece se a estrutura e o funcionamento mental não mudarem -, o ciclo reinicia-se a cada novo relacionamento amoroso.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

O Ressentimento Nas Relações. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

O Ressentimento nas Relações

A intensidade e a rapidez com que se instala o ressentimento afecta, sobretudo, os relacionamentos afectivos.

Como sabemos, o ressentimento está ligado à vulnerabilidade narcísica.

Estamos a falar de situações em que a pele psíquica é fina e delicada, e, portanto, facilmente ferida.

O ferimento não só desencadeia raiva, como um enorme ressentimento (característico da patologia borderline).

A decepção com alguém ou o desprazer com uma situação leva à rotura do laço afectivo e ao desinvestimento em relação à pessoa ou à situação frustrante.

Em virtude do violento, indomável e duradouro desejo de vingança, dá-se uma retracção narcísica e uma rotura relacional: a rotura por ressentimento.

Trata-se de uma rotura tendencialmente definitiva e dissolvente da representação do outro, que se apaga, quase desaparece.

Consequentemente, surge o sentimento de vazio – fruto da desertificação do mundo interior.

 

o ressentimento está ligado à vulnerabilidade narcísica.

 

O ressentimento resulta do não reconhecimento e insuficiente apreço de que o sujeito foi vítima na infância por parte de pessoas significativas.

E, por vezes, objecto de troça e alvo do ridículo.

O ressentimento é a espinha irritativa que permanentemente espicaça a agressividade destas pessoas.

De realçar que na génese da vulnerabilidade narcísea, está a ausência ou insuficiente confirmação narcísica nos momentos de reaproximação:

– Quando a criança volta à proximidade com as pessoas de referência e espera ver nestas o comportamento de aplauso pelos seus desempenhos.

Mas há ainda outro importante aspecto da rotura relacional por ressentimento. Trata-se do seu desastroso resultado:

O sujeito não parte para a luta, não se bate pela conquista ou reconquista do outro, da relação, do seu próprio objectivo. Fica preso na raiva.

A fim de limitar o sofrimento e a decepção, em fase de circunstâncias desagradáveis ou mesmo insuportáveis, retira-se e desinveste.

Trata-se de um desinvestimento temporário, voltando ao fim de algum tempo a investir de novo.

Muitas vezes, na mesma pessoa ou objectivo: o que se tornou hostil e desprezível pode voltar a ser amável e interessante.

Só a resolução de ressentimentos antigos pode pôr fim a este ciclo.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

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