Mês: <span>Março 2020</span>

Síndrome do Cólon Irritável Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Síndrome do Cólon Irritável

A síndrome do cólon irritável, também conhecida por colite nervosa, é uma doença do intestino que gera uma quantidade de sintomas desagradáveis:

Espasmos, dores e inchaço no abdómen, diarreia, prisão do intestino e outras alterações no movimento intestinal.

Podendo afectar até 20 por cento da população, é geralmente tratada com medicamentos (alívio dos sintomas gastrintestinais), mudanças na alimentação e estilo de vida.

No entanto, um estudo sugere agora uma terceira via: Psicoterapia.

O estudo Financiado pelo NHS britânico (Serviço Nacional de Saúde) e realizado por investigadores da Universidade de Southampton, do King’s College London e do King’s College Hospital, e publicado no jornal da especialidade (Gut) concluiu que as pessoas sujeitas a psicoterapia tiveram um alívio maior dos seus sintomas.

Isso sugere que em muitos casos poderão estar em causa situações de ansiedade e stresse.

Para a maioria dos pacientes com (síndrome do cólon irritável – SCI), é necessário considerar a mente e o corpo a fim de se obter uma minoração dos sintomas.

As alterações gastrointestinais, como a alteração do trato intestinal, o crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado e a hipersensibilidade aos estímulos viscerais, como a distensão intestinal, devem ser entendidas como provenientes de uma raiz comum: hiper-responsividade emocional.

 

Em muitos casos de síndrome do cólon irritável poderão estar em causa situações de ansiedade e stress

 

O sistema nervoso entérico (ENS), muitas vezes designado de segundo cérebro, é altamente complexo.

Ele está sob o controle involuntário do sistema nervoso central.

Alguns investigadores sugerem que os sintomas da (SCI) resultam da sensibilidade anormal do paciente aos estímulos externos, ou seja, interações e situações sociais; da estrutura emocional, e da híper-vigilância aos estímulos com origem nos órgãos internos.

A alteração no trato intestinal é explicada pelo desequilíbrio autonómico, enquanto que a dor se deve ao aumento da sensibilidade à dor causada pelo stress.

Isto também torna o paciente mais alerta e responsivo às sensações internas.

Um episódio efectivo de dor associado a estas sensações também pode condicionar o paciente a temê-las, produzindo assim sintomas de (SCI) mesmo sem disfunção intestinal real.

Desta forma, pode instigar um ciclo vicioso entre o pensamento negativo e receoso e as irregularidades funcionais do intestino, que se reforçam e se perpetuam mutuamente.

 

Redução do stress

A redução do stress é, portanto, de primordial importância para quebrar este ciclo. Isto pode envolver:

Técnicas de relaxamento e exercícios de respiração.

Yoga, pilates, ou tai chi relaxam e tonificam o corpo, e ao mesmo tempo fortalecem a conexão mente-corpo.

Caminhar, correr ou nadar também podem ajudar, distraindo a mente das sensações internas e proporcionando novos estímulos, assim como uma sensação de bem-estar. Além disso, é claro, há o benefício do próprio exercício físico.

 

Psicoterapia

Sentimentos de ansiedade e stress são muitas vezes difíceis de ultrapassar. A psicoterapia pode ser um importante auxílio, ajudando os pacientes a identificar a conexão entre o seu interior e o exterior, resolver conflitos, e desenvolver recursos internos para lidar com o stress.

Intimidade Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Intimidade

Duas pessoas só podem construir um verdadeiro sentimento de intimidade a partir da riqueza da experiência interior de cada uma, e com a clareza do que se sente e do que se é.

Ao pensar em intimidade, creio que, em geral, a esse pensamento estará associado um sentimento de tranquilidade, de bem-estar, de paz interior.

A intimidade será, assim, um bem que se deseja.

Para falar sobre intimidade é necessário compreender a pessoa.

E a primeira ideia que ocorre é a de que a capacidade de intimidade começa com a boa qualidade do contacto com o nosso mundo interno, com a nossa experiência de intimidade com nós mesmos. Em paz.

Em paz com as nossas memórias e com os nossos sentimentos.

Com as nossas certezas e com as nossas dúvidas, com a experiência daquilo que possuímos e com o desejo daquilo que ainda não alcançámos.

Em paz com o sentimento da limitação do que conhecemos e com o desejo de descobrir aquilo que ainda não sabemos.

É um ponto de chegada que não é fácil.

Considero que a capacidade de estar só é o fundamento da capacidade de estar bem, em intimidade, com alguém.

E a capacidade de estar só exige uma certa forma de viver o silêncio.

Tudo começa no princípio, na relação da mãe com o bebé, que organiza a relação que a criança em crescimento estabelece com o mundo.

Esta experiência inaugural é acolhida e mediada pela mãe, atenta a compreendê-la e a responder-lhe de forma harmoniosa, oportuna e sensível.

Para cada desconforto sensorial do filho, seja ele a necessidade de alimentação ou qualquer outra, a mãe, “sentindo o que ele sente”, traz-lhe a solução que permite reencontrar o “ bom estado”.

 

A intimidade entre duas pessoas é construída a partir da experiência interior de cada uma

 

Com a repetição deste encontro entre os dois – encontro de intimidade –  podemos imaginar que o bebé, quando sente de novo o mesmo desconforto, deseja reencontrar satisfação obtida “no passado”, que a mãe, atenta, lhe traz no “presente”.

O nosso mundo interno teve o seu início na experiência do contacto com um outro, quando a nossa história começa, quando o silêncio é quebrado por uma voz que nos fala.

A experiência individual primitiva começa, então, a organizar-se sob a forma de relação.

Na continuidade  da experiência da relação, a criança inicia um processo de  conhecimento de si mesmo que depende da reacção humana global que o adulto – em princípio, a mãe e o pai – têm perante ela, especialmente da qualidade dos afectos que lhe dirigem, das qualidades que lhe atribuem e da percepção que dela têm como ser humano em desenvolvimento, para o qual imaginam um certo tipo de futuro.

O outro é descoberto como distinto e diferente, mas semelhante, a partir do momento em que a criança começa a aperceber-se de que o adulto tem um mundo interno semelhante ao seu, isto é, feito de sentimentos e de desejos, de estados de prazer e de sofrimento. Portanto, vivendo uma experiência como a sua.

Com este outro estabelecem-se contactos significativos e organiza-se um sistema de comunicação, que começa pela troca de afectos e de fantasias e vem mais tarde a incluir a expressão verbal.

A troca dos afectos é um elemento fundamental para conseguir o prazer de uma relação humana.

Cada um tem uma ideia de qual é o afecto que dirige ao outro, e de qual é o afecto que o outro lhe dirige.

E a criança vai, assim, formando uma ideia do tipo de pessoa que ela própria é, e do tipo de pessoa que o outro é.

 

A capacidade de estar só é o fundamento da capacidade de estar em intimidade com alguém.

 

E isto a partir do que sente que é para o outro e do que sente que o outro é para si.

De um modo mais geral podemos dizer que, desde que começamos a existir os contactos de vária ordem que estabelecemos vão ficando registados, constituindo um depósito de memória, que conduz a uma aprendizagem.

Aprendemos a conhecer-nos a nós próprios e ao ambiente que nos rodeia.

Mas de tantas coisas que aprendemos neste mundo, só nos são verdadeiramente úteis aquelas que, além de as sabermos, conseguimos também sentir.

Essas passam a fazer parte de nós, e contribuem para que sejamos aquilo que somos, isto é, contribuem para a nossa experiência pessoal.

As coisas “sabidas” porque “sentidas” podem ser assimiladas em profundidade e permitem-nos aprender – no sentido mais fundo da palavra – com a experiência.

Este saber passa a constituir um património pessoal que não se perde, mesmo que as ações externas a que se ligava tenham que ser abandonadas.

Fica como uma riqueza pessoal adquirida. Torna-se uma nova capacidade, aberta a outras aquisições.

No desenrolar de todo este processo desenha-se com progressiva clareza o sentimento de que essa experiência é comunicável. Partilhável numa relação de intimidade.

Nesta vivência da intimidade, esse outro é sentido como diferente mas ao mesmo tempo semelhante. Não se trata de dar novidades mas de comunicar e partilhar uma experiência interior.

E volto à ideia de que a capacidade de estar só é um pressuposto  da construção da intimidade com uma outra pessoa.

 

A proximidade exige saber ouvir e saber-se ouvido

 

Mas é importante perceber que nunca se está só mesmo quando se está sozinho.

Porque se está perante o próprio mundo interno, povoado por um complexo conjunto de sentimentos, memórias e experiências, tudo organizado num conjunto mantido em unidade coerente pelo próprio sentimento de identidade, tudo vivido como uma história pessoal.

Duas pessoas só podem construir um verdadeiro sentimento de proximidade, uma relação de intimidade, a partir da riqueza da experiência interior de cada uma, e com a clareza do que se sente e do que se é.

É a partir daqui que o desejo de comunicação com outro se torna presente.

Um desejo de falar e um desejo de escuta que leva à experiência de proximidade, de semelhança, de sintonia, como que escutando em conjunto uma mesma música interior, que é a ressonância afetiva da experiência vivida.

É um viver em paz e com prazer a diferença, a partir da consciência da semelhança.

O encontro de intimidade com outro, para ser verdadeiramente satisfatório, supõe a disponibilidade para a descoberta e a capacidade de escuta, que, por sua vez, parte da experiência apaziguadora do encontro com um bom objecto de satisfação interno, o que permite a serenidade e a alegria.

A intimidade exige saber ouvir e saber-se ouvido. Exige uma percepção positiva do mundo interno do outro, o que se faz no silêncio.

O silêncio é a linguagem dos íntimos, quando não é um vazio, mas  um silêncio vivo, porque cada um sabe o que o outro sente ou pensa, e por isso não é preciso preencher com palavras um espaço que seria inquietante entre duas pessoas, na ausência de uma intimidade verdadeira.

 

A partir de: Silêncio e Intimidade –  João Seabra Diniz

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