Mês: Setembro 2017

psicoterapia zona de conforto

A Zona de Conforto é muito desconfortável

Consta que existe uma zona de conforto, mas tenho dúvidas que seja confortável.

Por princípio ninguém quer ficar no mesmo lugar. Na nossa natureza está o desejo de descobrir e conquistar coisas novas.

É esse ensejo pelo novo que nos faz avançar, mudar de lugar e concretizar novos objectivos.

Já diz o provérbio – parar é morrer.

Muitas vezes, apesar do receio vamos avançando. Mas quando o medo é muito grande ficamos paralisados.

Ter medo e ser incapaz de mudar, nada tem a ver com conforto, mas com desconforto.

É aqui, neste bloqueio, nesta impossibilidade de avançar que muitos vêm uma zona de conforto.

Mas ninguém que esteja nesta situação/zona está confortável.

O temor pelo novo é muitas vezes interpretado como um gosto pelo velho, pelo conhecido.

É a esta interpretação errónea que algumas vezes se dá o nome de zona de conforto.

Ter medo e ser incapaz de mudar nada tem a ver com conforto mas com desconforto.

Ficar parado é ver as coisas passarem sem lhes poder tocar. É passar ao lado da vida.

Como é hábito, certas expressões entram no vocabulário do dia-a-dia e passam a ser usadas na situação que der mais jeito.

Em grande medida a  expressão “zona de conforto” é usada para apontar o dedo a alguém que não investe, que não arrisca, que se acomoda.

Estes “julgamentos precipitados” acabam por não considerar o mais importante:

– O que leva alguém a acomodar-se com uma situação (trabalho ou relação) desagradável?

Não creio que possa falar em zona de conforto. Mais correcto será dizer que existe uma zona de desconforto:

– Uma zona desconfortável, onde as pessoas que permanecem lá se sentem sozinhas, frustradas e infelizes.

É exactamente por isso que é tão difícil sair de lá. Falta o brilho da alegria, o entusiasmo que alimenta o desejo de conquistar.

A coragem de avançar sem recear os tropeções  e as quedas; de conseguir rir e chorar.

Mudar é doer. Sofrimento em psicoterapia. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Mudar é doer. Sofrimento em psicoterapia

Ao ler o artigo “Mudar é doer” lembrei-me de algo que se passou há uns anos. Um amigo meu estava a considerar iniciar uma psicoterapia mas antes quis conversar comigo para esclarecer algumas questões. Falei-lhe superficialmente do processo, os moldes e os objectivos.

Como me atrasei a dar-lhe um contacto ele marcou com o psicoterapeuta de uma amiga. Saiu de lá em choque porque nada do que eu lhe tinha dito batia com o que acabara de ouvir. Entre elas estavam as coisas que encontrei no artigo: “Mas se tiver coragem de enfrentar esse estado de coisas; de dor insuportável, mas necessária, verá o incrível milagre da vida acontecer diante dos seus olhos.”

O que podemos encontrar nesta frase?

Em primeiro lugar temos uma espécie de sedução/manipulação por parte do psicoterapeuta: – É corajoso ou não é? Se não for pode ir embora. Aqui só há lugar para corajosos. Mas eu sinto que você é corajoso para enfrentar as coisas.

Depois de a coragem estar à flor da pele, aplica-se o segundo golpe – Não pode fugir à dor insuportável, porque, obviamente, ela é necessária. Para quê? Para ver um incrível milagre acontecer! Nesse caso vale bem a pena. Quando é que começamos?

Perante esta aceitação tácita, o paciente está condenado às atrocidades que estão para vir. Se não as suportar é porque não é corajoso, e o milagre da vida não quer nada com os fracos. Moral da história: Se as coisas correrem mal a culpa é sua!

Vamos passar ao lado do adjectivo “insuportável”, porque a dor em si é quanto baste. Introduzir mais dor em pessoas que certamente passaram por muitas ou que as vivem neste momento é mais que maldade, é uma perversão (caso esta pessoa não tenha perdido para sempre a esperança na psicoterapia, terá mais um problema quando entrar no gabinete do novo terapeuta).

A psicoterapia não é, nem pode ser uma fonte de dor, muito menos insuportável. Há coisas que custam, que são difíceis, mas não o são porque fazemos terapia – já o eram muito antes. Na verdade, é por essa razão que as pessoas decidem fazer psicoterapia: superar os bloqueios que as impedem de ter uma vida melhor.

psicólogo clínico procurar respostas

Efeito Streetlight – Onde procurar respostas

É muito comum sermos levados pelo “streetlight efect” – procurar algo no local onde incide a luz em vez do local onde foi perdido. Os seres humanos tendem a procurar respostas nos lugares onde é mais fácil pesquisar do que os locais onde é provável que elas estejam. Em aspectos importantes da nossa vida o efeito “streetlight” pode ter um grande impacto.

Crentes de que estamos a procurar as respostas no local certo, empenhamo-nos de corpo e alma nessa busca. Como sempre acontece, alguma resposta acabará por ser encontrada, maioria das vezes, a errada.

Implicações: terminamos relações pela razão errada, deixamos o emprego pela razão errada, vamos viver para outro país pela razão errada, etc.

Ao procurarmos fora as respostas que estão dentro de nós, não só acumulamos opções erradas, como vamos vivendo numa espécie de equívoco em relação a nós e ao mundo que nos rodeia.

Não é fácil redireccionar o foco de luz para nós, e muitas vezes necessitamos da ajuda do outro, mas só abrindo a nossa mão podemos dizer, “afinal as chaves estão aqui”.

psicólogo

O segredo da felicidade pode incluir emoções desagradáveis

A pesquisa recente contradiz a ideia de que se deve continuamente procurar prazer para encontrar a felicidade.

De acordo com pesquisas publicadas pela American Psychological Association, as pessoas podem ser mais felizes quando se permitem sentir certas emoções, mesmo que essas emoções sejam desagradáveis, como a raiva ou o ódio.

“A felicidade é mais do que sentir prazer e evitar a dor.”

A felicidade é ter experiências que sejam significativas e valiosas, incluindo as emoções que você acha que são as mais adequadas de se ter “, refere Maya Tamir.

Todas as emoções podem ser positivas nuns contextos e negativas noutros, independentemente de serem agradáveis ou desagradáveis”.

Um estudo multi-cultural que incluiu 2.324 estudantes universitários de oito países: Estados Unidos, Brasil, China, Alemanha, Gana, Israel, Polónia e Singapura, publicado no Journal of Experimental Psychology:

– foi o primeiro a encontrar uma relação entre a felicidade e permitir-se experienciar certas emoções, mesmo quando essas emoções são desagradáveis.

De uma maneira geral os participantes queriam experimentar mais emoções agradáveis do que desagradáveis, mas nem sempre era assim.

Os participantes foram avaliados sobre as emoções que queriam sentir e as emoções que realmente sentiam nas suas vidas.

Também avaliaram a sua satisfação com a vida e os sintomas depressivos.

Os participantes que experimentaram mais as emoções que desejavam sentir apresentavam maior satisfação e menos sintomas depressivos, independentemente de as emoções serem agradáveis ou desagradáveis.

No entanto, são necessárias mais pesquisas para testar se o experienciar das emoções que se desejam sentir realmente influencia a felicidade ou se está meramente associado a ela.

O estudo avaliou apenas um certo número de emoções desagradáveis, que incluem o ódio, a hostilidade, a raiva e o desprezo.

Pesquisas futuras devem testar outras emoções desagradáveis, como o medo, a culpa, a tristeza ou a vergonha, refere Tamir.

Todas as emoções podem ser positivas nuns contextos e negativas noutros.

As emoções agradáveis que foram examinadas no estudo incluíram a empatia, o amor, a confiança, a paixão, o contentamento e o entusiasmo.

Pesquisas anteriores mostraram que as emoções que as pessoas desejam experienciar estão ligadas aos seus valores e normas culturais, mas essas relações não foram examinados directamente nesta pesquisa.

O estudo pode esclarecer as expectativas irrealistas que muitas pessoas têm acerca dos seus próprios sentimentos.

“Nas culturas ocidentais, em particular nos Estados Unidos, as pessoas querem sentir-se constantemente muito bem.

Mesmo que se sintam bem a maior parte do tempo, continuam a pensar que deveriam sentir-se ainda melhor, o que as pode (no geral) tornar menos felizes.

Article: The Secret to Happiness: Feeling Good or Feeling Right?, Maya Tamir, PhD, The Hebrew University of Jerusalem; Shalom H. Schwartz, PhD, The Hebrew University of Jerusalem and National Research University-Higher School of Economics; Shige Oishi, PhD, University of Virginia; and Min Y. Kim, PhD, Keimyung University; Journal of Experimental Psychology: General, published online Aug. 14, 2017.

psicoterapia

Como Funciona a Psicoterapia e Porquê

O contacto contínuo entre nós e o terapeuta, as sessões semanais que podem continuar durante meses ou anos, contribuem para a criação de algo que soa, num contexto profissional, particularmente estranho: uma relação.

Estamos quase certos que procuramos um terapeuta em primeiro lugar porque, de alguma forma, tornou-se difícil ter relações e não percebermos muito bem porquê: talvez tentemos agradar às pessoas e garantir a sua admiração, mas acabamos por nos sentir pouco autênticos e interiormente entorpecidos e recuamos. Talvez nos apaixonemos muito intensamente, mas então, acabamos sempre por descobrir um grande defeito no parceiro que nos faz acabar com a história e reiniciar o ciclo.

A relação com o psicoterapeuta pode ter muito pouco em comum com o tipo de ligações que temos na vida quotidiana. Não vamos fazer compras juntos nem ver televisão na cama. Mas, inevitavelmente levamos para os encontros com o terapeuta as nossas próprias tendências, que emergem nas nossas relações com outras pessoas das nossas vidas. Na terapia também podemos ser sedutores, e de seguida frios; ou cheios de idealizações que são seguidas de impulsos para fugirmos. Excepto que agora, na presença do terapeuta, as nossas tendências têm a possibilidade de serem testemunhadas, discutidas, exploradas com simpatia e – nas suas manifestações mais prejudiciais – superadas.

A relação com o terapeuta é um protótipo do comportamento que temos com as pessoas de forma geral e, assim, permite-nos, com base numa maior autoconsciência, modificar e melhorar a forma como nos relacionamos com os outros.

Na psicoterapia os nossos hábitos e tendências são reconhecidas e podem ser faladas – não como reprovações, mas como informações importantes sobre o nosso carácter do qual merecemos tomar consciência. O terapeuta (com bondade) assinala que estamos a reagir como se tivéssemos sido atacados, quando ele fez apenas uma pergunta, e pode chamar a nossa atenção para a prontidão com que parecemos querer dizer-lhe coisas que impressionem (ainda que gostem de nós de qualquer maneira), ou como parecemos apressar-nos a concordar ou discordar dele quando está apenas a tentar explorar uma ideia que ele próprio tem dúvidas que esteja certa; sinaliza a nossa propensão a determinar as atitudes ou perspectivas que realmente não tem; pode dar nota de como parecemos estar acometidos pela ideia de que ele está desapontado connosco, ou nos considera chatos.

Com grande descrição, o psicoterapeuta vai salientar a nossa tendência para colocar as pessoas do presente em papéis que derivam do passado e vai procurar connosco as origens das emoções, que provavelmente sentimos em relação às pessoas importantes que cuidaram de nós – e que agora se tornaram naquilo que esperamos de todos.

A relação terapêutica actua como um microcosmos das nossas relações em geral e, portanto, pode ser usada como uma via particular para aprender sobre as nossas tendências mais imperceptíveis. Ao revivermos os problemas relacionais com um outro empático que não responde como as pessoas comuns, que não gritará connosco, que não se vai queixar, ficar calado ou ir embora, pode ajudar-nos a entender o que andamos a fazer e assim, desenvolvermos novos padrões relacionais.

A relação com o terapeuta torna-se num modelo para a forma como podemos estabelecer relações com os outros no futuro, livres das manobras e dos pressupostos de fundo que carregamos dentro de nós desde a infância, e que nos podem magoar e limitar no presente.

A relação terapêutica pode ser para nós a primeira relação verdadeiramente saudável que temos, onde aprendemos a impedir que se imponham os nossos pressupostos sobre os outros e possamos confiar neles o suficiente para os deixar ver a realidade maior e mais complexa de quem somos, sem vergonha ou constrangimento. Torna-se um modelo – adquirido numa situação altamente incomum – que começamos a aplicar no mais corriqueiro, até acabar por fazer parte da nossa forma de ser e de estar com os outros.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de:
“HOW THERAPY WORKS AND WHY” – Alain de Botton

Why We’re All Messed Up By Our Childhoods

Por que somos todos marcados pela nossa infância?

Ninguém pretende que isso aconteça, é claro, mas em qualquer lugar da nossa infância, a nossa trajectória em direcção à maturidade emocional foi sendo constrangida.

Mesmo que cuidem de nós com sensibilidade e carinho, não escapamos aos primeiros anos das nossas vidas sem sofrer algum tipo de ferimento psicológico – ao qual podemos chamar “ferida primordial”.

As causas da nossa ferida primordial raramente são dramáticas, mas o seu efeito é importante e duradouro.

A infância abre-nos ao dano emocional, em parte porque, ao contrário de outros seres vivos, o Homo sapiens tem um desenvolvimento muito longo e estruturalmente claustrofóbico.

Um potro está em pé trinta minutos depois de nascer. Aos dezoito anos já passámos cerca de 25 mil horas na companhia dos nossos pais.

Mesmo a baleia azul, o maior animal do planeta, é sexualmente madura e independente aos cinco anos de idade.

Mas nós somos mais demorados.

Pode levar um ano até darmos os nossos primeiros passos e dois para verbalizarmos uma frase completa.

São precisas duas décadas para sermos classificados como adultos.

E, entretanto, estamos à mercê dessa instituição altamente particular a que chamamos lar, com supervisores bastante peculiares: os nossos pais.

Ao longo dos Verões e Invernos da nossa infância fomos intimamente moldados pela maneira de ser daqueles que nos rodeiam.

Conhecemos as suas expressões favoritas, os seus hábitos, como reagem quando estão atrasados e a maneira como se dirigem a nós quando estão irritados.

Nós memorizamos as texturas dos tapetes e os cheiros dos armários.

Na meia-idade ainda podemos recordar o sabor de um biscoito que gostávamos de comer depois da escola.

Durante a nossa longa gestação, num sentido físico, estamos completamente à mercê dos nossos cuidadores.

Somos tão frágeis que podemos ser derrubados por um galho. O gato da família é como um tigre.

Precisamos de ajuda para atravessar a estrada, vestir o casaco e escrever o nome.

Mas a nossa vulnerabilidade é essencialmente emocional.

Tal é a nossa fragilidade na infância, que qualquer coisa que nos tenha acontecido é suficiente para nos afectar interiormente de forma profunda.

Não podemos começar a entender as nossas estranhas circunstâncias:

– Quem somos, de onde vêm os nossos sentimentos, por que estamos tristes ou furiosos, como os nossos pais se encaixam num esquema mais amplo e porque se comportam de certa forma.

Nós, necessariamente, tomamos o que as pessoas grandes que nos rodeiam dizem como uma verdade inquestionável.

Estamos condenados a estar enredados nas suas atitudes, ambições, medos e inclinações.

Sendo crianças, não temos como evitar isso. Nós somos muito frágeis. Se um pai nos gritar, as fundações da terra tremem.

Não podemos dizer que algumas das palavras ásperas não foram inteiramente justificadas, ou tiveram origem num dia complicado no trabalho ou são repercussões da própria infância do adulto.

Simplesmente sentimos como se um gigante todo-poderoso tenha decidido, por boas razões (ainda que desconhecidas) que devemos ser passados a ferro.

Nem podemos entender, quando um pai vai embora no fim-de-semana, ou se desloca para outro país, que não nos deixaram porque fizemos algo errado ou porque não merecemos o seu amor, mas porque nem sempre os adultos controlam os seus próprios destinos.

Se os pais estão na cozinha a falar num tom mais alto, pode parecer que essas duas pessoas se odeiam.

A altercação que as crianças ouvem pode ser sentida como catastrófica, como se tudo o que é seguro se estivesse a desintegrar.

Não há evidências em nenhum outro lado da compreensão da criança de que as discussões são uma parte normal dos relacionamentos.

E que um casal pode estar totalmente comprometido na relação ao longo da vida e, ao mesmo tempo, expressar com força o desejo de que o outro possa ir para o inferno.

As crianças são igualmente impotentes diante das várias teorias dos pais.

Elas não conseguem entender a resistência dos pais a juntarem-se com outras famílias da escola, ou a forma particular de se vestirem, ou porque se preocupam tanto com as limpezas e com os atrasos e como elas representam uma compreensão muito parcial das prioridades.

As crianças não têm emprego. Elas não podem ir para outro lugar. Elas não têm uma rede social alargada. Mesmo no seu melhor, a infância é uma espécie de prisão aberta.

Como resultado das peculiaridades desses primeiros anos, adquirimos a nossa maneira de ser.

Uma das características dos desequilíbrios que decorrem de feridas na infância é que não revelam de forma clara as suas origens.

As coisas dentro de nós começam a crescer em direcções estranhas.

Sentimos que não podemos confiar facilmente, ou temos que manter a sala limpa, ou ficamos incomodados com pessoas que levantam a voz.

Não é preciso que alguém faça algo particularmente chocante, ilegal, sinistro ou perverso para fazermos grandes distorções.

As causas da nossa ferida primordial raramente são dramáticas, mas o seu efeito é importante e duradouro.

Tal é a nossa fragilidade na infância, que qualquer coisa que nos tenha acontecido é suficiente para nos afectar interiormente de forma profunda.

Conhecemos bem a questão através das tragédias. Nos trágicos contos dos antigos gregos, não são os enormes erros e deslizamentos que desencadeiam o drama: são os erros mais ínfimos e inocentes.

A partir de pontos de partida aparentemente menores, as consequências terríveis desenrolam-se.

As nossas vidas emocionais são igualmente trágicas na estrutura. Todos à nossa volta podem estar a tentar fazer o melhor para nós como crianças e, no entanto, acabamos agora, como adultos, a tratar de grandes feridas que continuam a impedir-nos de ser o que poderíamos ser.

Por último, e de forma mais pungente, uma das características dos desequilíbrios que decorrem de feridas na infância é que não revelam de forma clara as suas origens, nem para as nossas próprias mentes, nem para o mundo em geral.

Não temos a certeza das razões porque fugimos tanto, ou porque ficamos chateados com tanta frequência, ou porque temos um ar orgulhoso e arrogante, ou nos subjugamos ou apegamos excessivamente às pessoas que amamos. Simplesmente, assumimos que é assim que somos.

Uma vez que as fontes dos nossos problemas nos escapam, não conseguimos compreender porque as pessoas são como são e assim perdemos uma fonte vital da simpatia.

Os nossos problemas começam com uma ferida que, se fosse conhecida e explicada de forma adequada, favoreceria, naturalmente, uma terna compreensão.

Mas porque as consequências que gera tendem a ser muito menos atraentes e faltam explicações, ficamos abertos ao desdém, ao sarcasmo e à auto-desvalorização.

A nossa ferida pode ter começado com um sentimento de invisibilidade, mas agora parece que somos apenas show-off.

Talvez tenha começado com uma decepção, mas agora queremos controlar tudo loucamente.

Talvez tenha começado com um bullying, um pai competitivo, mas agora parece que estamos simplesmente sem forças.

Nós tornamos as nossas vidas mais difíceis do que deveriam ser, porque insistimos em olhar para as pessoas, nós mesmos e os outros, como um mal e um meio, em vez de as vermos como vítimas, tal como nós, de uma história inicial extremamente complicada.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de:
“Why We’re All Messed Up By Our Childhoods” – Alain de Botton

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