Mês: <span>Maio 2017</span>

Independência: Como ser emocionalmente Independente Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Independência: Como ser emocionalmente Independente

Há uma condição determinante para alcançar a independência: uma boa dependência.

Só experienciando uma dependência segura na relação com o outro podemos interiorizar um sentimento de segurança, condição necessária à independência.

Aqueles que necessitam certificar a sua independência perante o outro, são os que estão presos numa dependência má.

Uma vez que não conseguiram/não lhes foi permitido separar-se/autonomizar-se, o “outro” representa uma espécie de ameaça; algo do qual é necessário manter distância para não se sentir dependente.

Se a minha fome nunca é saciada fico eternamente preso à fonte de alimento.

Mas se eu for devidamente alimentado terei energia suficiente para ir buscar alimento a outra fonte e não ficar dependente de uma única fonte.

Em termos de relacionamentos poderíamos dizer que obtendo alimento afectivo suficiente junto dos pais/cuidadores – relação primária -, terei energia para procurar alimento afectivo junto de uma parceira – relação adulta.

Muitas psicoterapias são interrompidas porque os pacientes começam a sentir-se dependentes.

É caso para dizer que ainda procuram a boa dependência, mas como só conhecem a má dependência, receiam desenvolver uma relação mais profunda, ou seja, ficarem dependentes.

Se o terapeuta não compreender os medos de dependência do paciente e falar sobre eles nas sessões, a psicoterapia, muito provavelmente, será interrompida.

As relações saudáveis não causam dependência. Elas proporcionam espaço para vivermos estados de dependência quando precisamos ser cuidados, e espaço para crescer e nos autonomizar-mos.

psicoterapia

Processar as Emoções

É um capricho das mentes que nem todas as nossas emoções sejam plenamente reconhecidas, compreendidas ou mesmo, verdadeiramente sentidas.

Existem sentimentos que se encontram numa forma “não processada” dentro de nós.

Muitas inquietações podem, por exemplo, permanecer sem autorização de acesso e de interpretação. Nesse caso, é possível que se manifestem sobre a forma de ansiedade generalizada.

Sob a sua influência, podemos sentir medo de passarmos tempo sozinhos, uma compulsiva necessidade de permanecermos ocupados, ou ficarmos presos a actividades que garantam que nos mantemos afastados do que nos assusta.

Um tipo semelhante de desaprovação pode acontecer em torno da mágoa.

Alguém pode ter abusado da nossa confiança e levar-nos a duvidar da sua bondade, ou afectado a nossa auto-estima.

A dor está algures dentro de nós, mas à superfície adoptamos uma frágil alegria; entorpecemo-nos quimicamente ou então adoptamos um tom de cinismo generalizado que mascara a ferida que nos foi infligida.

Pagamos caro por não “processar” os nossos sentimentos.

As nossas mentes crescem apreensivas quanto ao seu conteúdo. Não conseguimos dormir porque durante o dia não processámos certos sentimentos – a insónia é a vingança dos pensamentos que por serem omitidos, não foram processados durante dia.

Ficamos deprimidos com tudo, porque não podemos ficar tristes com nada.

Evitamos processar emoções porque o que sentimos é tão contrário à nossa auto-imagem, tão ameaçador para as ideias que a nossa sociedade tem de normalidade e tão em desacordo com quem gostaríamos de ser.

Uma atmosfera propícia ao processamento seria aquela em que as dificuldades do ser humano fossem calorosamente reconhecidas e amavelmente aceites.

Não é por preguiça ou desleixo que não nos conhecemos, mas porque tememos que seja doloroso.

Processar emoções requer bons amigos, psicoterapeutas competentes e momentos para reflectir.

Então, podemos baixar as nossas defesas (normais) de forma segura e permitir que o material venha à superfície e seja explorado.

Muitas vezes tomamos consciência que, numa área ou outra, a vida não é o que gostaríamos que fosse. Mas só aceitando e processando essas emoções, o nosso estado anímico pode melhorar.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
a partir de Alain de Botton – Unprocessed Emotion

o problema da assimetria psicológica psicoterapia

O Problema da Assimetria Psicológica

Um dos factos mais básicos sobre a condição humana é que nos conhecemos por dentro, mas dos outros conhecemos apenas aquilo que eles escolhem ou são capazes de nos dizer, ou seja, um conjunto de dados muito limitado e editado.

Estamos continua e intimamente expostos às nossas próprias preocupações, esperanças, desejos e memórias – muitas das quais são extremamente intensas, estranhas ou tristes.

No entanto, quando se trata dos outros, estamos restritos a conhecê-los através do que revelam publicamente, do que podem ou querem revelar.

As dicas e pistas que nos deixam são vias muito imperfeitas para a realidade da existência de outra pessoa.

Em consequência desta assimetria psicológica pensamos em nós mesmos como muito mais peculiares, envergonhados e amedrontados do que as outras pessoas que conhecemos.

Os resultados da assimetria psicológica são a solidão e a timidez.

As nossas experiências sexuais, de ansiedade, raiva, inveja e de angústia parecem ser muito mais intensas e perturbadoras do que as de qualquer pessoa próxima.

Na verdade não somos, é claro, realmente tão estranhos: apenas sabemos muito mais sobre quem somos.

Os resultados da assimetria psicológica são a solidão e a timidez. Somos assaltados pela solidão porque não podemos imaginar que os outros anseiam e desejam, invejam e odeiam, suplicam e choram como nós.

Sentimos que somos empurrados para um mundo de estranhos, diferentes de todos aqueles com quem vivemos – e, em potência, fundamentalmente ofensivos para todos aqueles que possam conhecer-nos bem.

Parece que nos momentos sombrios, ninguém poderia conhecer-nos e ainda assim, gostar de nós.

Ficamos retraídos e facilmente intimidados por pessoas que assumimos não podem compartilhar as nossas vulnerabilidades, e que imaginamos serem totalmente incapazes de se relacionar com os pensamentos mesquinhos, grandiosos, perversos ou idealistas que passam nas nossas mentes.

Se alcançamos posições importantes sentimo-nos como impostores, acossados pela impressão de que as nossas peculiaridades separam-nos dos outros que ocuparam papéis comparáveis no passado.

O Amor dá-nos um sentido ocasional e profundamente precioso de segurança para revelar quem realmente somos a outra pessoa.

Nós crescemos de forma muito convencional, imitando o que vimos nas outras pessoas na falsa suposição de que isso é o que eles podem realmente ser interiormente.

As soluções para a assimetria psicológica encontram-se em dois lugares: Arte e Amor.

A arte fornece-nos retratos precisos da vida interior de estranhos e, com graça e charme, mostra-nos o quanto eles compartilham de problemas e esperanças que pensamos que poderíamos ser só nossas.

O Amor dá-nos um sentido ocasional e profundamente precioso de segurança para revelar quem realmente somos a outra pessoa e a oportunidade de aprender sobre a sua realidade a partir de uma posição de extrema proximidade.

Para superar os efeitos da assimetria psicológica, devemos constantemente confiar – especialmente na ausência de qualquer evidência – que os outros estão, provavelmente, muito mais próximos daquilo que somos (isto é, muito mais tímidos, mais assustados, mais preocupados e mais incompletos) do que aquilo que mostram ao mundo.

Felizmente, nenhum de nós é tão estranho, ou tão especial, quanto podemos supor ou temer.

Traduzido e adaptado por Pedro Martins a partir de:
“The Problem of Psychological Asymmetry” Alain de Botton

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As Várias Caras do Narcisismo

As várias caras do narcisismo

A cultura popular recorre há muito tempo a traços narcisistas para construir personagens problemáticos, desde Dorian Gray (Oscar Wilde) a Don Draper (série Mad Man). Gaston de “A Bela e o Monstro” apresenta um modelo apatetado, mas razoavelmente válido de grandiosidade, provavelmente a característica mais reconhecível em pessoas com um elevado narcisismo ou com Distúrbio Narcísico da Personalidade – NPD.

Esse fanfarrão corajoso – Gaston – canta: “Como espécime, sim, sou intimidador!… Como vês, eu tenho bíceps de sobra!… Eu sou especialmente bom a cuspir!… E não há bocadinho de mim que não esteja coberto de cabelo. ” Os narcisistas podem realmente ver-se como estando no topo – em termos de talento, aparência e sucesso.

Mas é um erro supor que todos os narcisistas são assim tão óbvios. “Nem todos os narcisistas se preocupam com a aparência, a fama ou o dinheiro”, refere Malkin. “Se nos concentrarmos muito no estereótipo, perdemos muitas características que não têm nada a ver com a vaidade ou com a ganância”.

Alguns narcisistas, por exemplo, podem ser da variedade “comum”, e na verdade dedicarem as suas vidas a ajudar os outros.

Podem até concordar com declarações como: “Eu sou a pessoa mais prestativa que eu conheço” ou “Eu serei recordado pelas boas acções que fiz”. “Todos nós temos conhecimento de mártires grandiosamente altruístas, abnegados até o ponto de não suportarmos estar com eles”, refere Malkin.

E há narcisistas altamente introvertidos, ou “vulneráveis”. Esses indivíduos sentem que são temperamentalmente mais sensíveis do que os outros. Reagem mal (até) a pequenas críticas e precisam de reafirmação constante. A forma como se sentem especiais pode ser negativa: podem ver-se como a pessoa mais feia da festa ou sentir-se como um génio incompreendido num mundo que recusa reconhecer os seus dons.

O que todos os subtipos de narcisistas têm em comum, refere Malkin, é “auto-aprimoramento”. Os pensamentos, comportamentos e as suas posições separam-nos dos outros, e esse sentimento de distinção acalma-os, porque eles estão em luta com um entendimento instável que fazem de si mesmos.

“Os narcisistas sentem-se superiores aos outros”, refere Brummelman, “mas não estão, necessariamente, satisfeitos consigo mesmos como pessoa”.

Uma ligação à Depressão

A luta entre sentirem-se superiores e ao mesmo tempo insatisfeitos consigo mesmos, está no cerne de uma nova concepção de narcisismo, centrada tanto na depressão quanto na grandiosidade.

“A hipótese que se coloca é que os narcisistas são propensos a altos mais altos e baixos mais baixos”, refere Seth Rosenthal ” tem a constante necessidade de ter a sua grandeza verificada pelo mundo à sua volta. Mas quando contactam com a realidade, podem ficar deprimidos.”

Um retrocesso, como a perda de emprego, um divórcio, ou até mesmo o desprezo por algo que tinham planeado, afecta a auto-imagem cuidadosamente polida do indivíduo narcisista, “este é um verdadeiro ataque contra quem ele é”, refere Steven Huprich. “Alguém que ele pensava que iria confiar nele presentemente não o aprecia muito e não está disposto a suportá-lo mais. Não é de estranhar que ele se encontre mais em baixo e deprimido.”

Naturalmente, mesmo pessoas com estados mentais saudáveis lutam para lidar com tais mudanças dramáticas, refere Huprich, “mas para as personalidades narcisistas, a perda é realmente muito difícil, porque sugere vulnerabilidade e fraqueza. Isso indica que você não está realmente imune aos desafios da vida, os altos e baixos.”

Nesses momentos o narcisista também pode exibir uma atitude defensiva e de raiva. “Quando não recebem a admiração que desejam, sentem-se envergonhados e atacam agressivamente”, refere Brummelman. Outros, provavelmente, não terão o mesmo tipo de explosões agressivas.

Quando uma decepção rasga a camada espessa de grandiosidade narcísica e auto-promoção, e penetra no seu núcleo, a melancolia resultante ou a fúria explosiva pode motivá-los a procurar ajuda externa.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), de facto, aconselha os clínicos que indivíduos com NPD podem apresentar um humor deprimido. No entanto é raro procurarem tratamento para o seu narcisismo. “Eu nunca ouvi ninguém dizer, ‘Eu acho que sou uma personalidade narcisista'”, refere Huprich.

Isso não significa que os narcisistas não têm consciência do seu traço. Um estudo de 2011 publicado no Journal of Personality and Social Psychology com um título provocador, “Você, provavelmente, acha que este artigo é sobre si” – relatou que os narcisistas tinham uma percepção sobre a sua personalidade: Eles descreveram-se como arrogantes e sabiam que os outros os viam de forma menos positiva do que eles próprios se viam.

Mas geralmente não vêem isso como um problema, e a questão continua sobre se a sua grandiosidade reflecte uma crença rígida na sua superioridade ou mascara uma ausência subjacente da auto-confiança.

Ao longo de anos de pesquisa, Huprich e os seus colegas desenvolveram um conceito que pode ter uma relação com o narcisismo. Designaram-no de: “auto-estima maligna”. É uma explicação potencial para uma constelação de transtornos de personalidade não diagnosticáveis clinicamente com características sobrepostas, incluindo estilos de personalidade depressiva, auto-destrutiva e masoquista.

Aplicada mais amplamente aos subtipos narcisistas, a teoria sugere que a insegurança profundamente arraigada sobre o Eu e um senso extremamente frágil de auto-estima pode levar a pensamentos e comportamentos desajustados.

“As pessoas podem desenvolver uma auto-estima maligna no contexto dos seus relacionamentos.”

Os narcisistas extrovertidos exibem uma grandiosa procura de atenção. Os narcisistas vulneráveis, no entanto, simplesmente sucumbem à sua auto-imagem danificada. “Não são capazes de manter uma percepção coerente de quem são, então, quando são atacados, em vez de lutar, que é a primeira reacção do grandioso narcisista, eles têm uma reacção imediata de tristeza, de depleção e depressão” refere Huprich.

As pessoas podem desenvolver uma auto-estima maligna no contexto dos seus relacionamentos. Estes indivíduos podem ter tido experiências inconsistentes com os seus pais, relacionadas, em particular, com a forma como o sucesso e realização foram reconhecidos.

Os pais poderiam ter-se recusado a reconhecer ou a desencorajar as conquistas, tirando os óculos cor-de-rosa do narcisismo saudável que poderiam ter facilitado o caminho para os novos desafios na vida da criança.

As experiências da infância podem ter um papel primordial, mas os níveis elevados de traços de narcisismo ou NPD resultam da influência combinada da natureza e do ambiente.”Existem traços de personalidade que vêm ao mundo connosco”, refere Kali Trzesniewski. O ambiente pode enfraquecer ou fortalecer esses traços.

Os resultados de um estudo com gémeos indicaram que o narcisismo era um traço altamente hereditário. Noutro estudo verificou-se que as crianças em idade pré-escolar agressivas e que procuravam atenção eram mais propensas a tornarem-se adultos narcisistas.

Os estilos parentais, a influência de outras relações e os ambientes sociais e culturais podem encorajar (ou deter) o seu desenvolvimento.

Um elevado narcisismo não é o mesmo que uma elevada auto-estima. “Entre eles existe apenas uma fraca relação”.

Brummelman e seus colegas descobriram que quando as mães e os pais são calorosos e afetuosos, passam tempo com os seus filhos e mostram interesse pelas suas actividades, “as crianças gradualmente interiorizam a crença de que são indivíduos meritórios – o núcleo da auto-estima -, e isso não se transforma em narcisismo.

Em contrapartida, a sobrevalorização dos pais – colocar as crianças num pedestal – promove traços narcisistas.

Para evitar o aumento de narcisistas, é melhor os pais dizerem às crianças: “fizeste um bom trabalho”, em vez de: “mereceste ganhar” ou “porque é não foste tão bom quanto ela?”

Um foco precoce e pronunciado sobre o sucesso pode levar a um apego inseguro entre os pais e os filhos. Pode fazer com que os filhos apreendam que o amor e a atenção de uma mãe ou de um pai só estão disponíveis se as expectativas elevadas forem atingidas.

As crianças que sentem que nunca conseguem corresponder aos desejos dos pais podem tornar-se adultos com um ego frágil e ficarem presos a pensamentos e comportamentos narcisistas de forma a suster o ego.

Ludden refere que os pais que criam narcisistas, “apresentam aos seus filhos um mundo onde tudo é uma competição: “Há vencedores e perdedores e tu tens que ser o vencedor.” Uma abordagem mais saudável seria ensinar as crianças que “eles não têm que ser o melhor, mas apenas, o melhor que podem ser.”

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
A partir de “The Real Narcissists” – Rebecca Webber

narcisismo

Os verdadeiros narcisistas

Por todo o lado se ouve falar em narcisistas, mas este rótulo é bastante mal usado, na maioria das vezes, para descrever alguém contra quem temos algo.

No inverno passado uma amiga contou-me que estava a considerar divorciar-se. Disse: “Acho mesmo que o meu marido é um narcisista”.

Recentemente estive num almoço em que um dos presentes explicava a dinâmica da sua família: “A minha tia é tão narcisista, não sei como é que o meu tio ainda está com ela”.

O termo narcisista tem sido amplamente utilizado para descrever não apenas familiares complicados e ressentimentos em relação aos ex-companheiros mas também presidentes de alguns países e toda a geração conhecida como Millennials.

O narcisismo está realmente tão difundido ou em crescimento na população em geral?

Um consenso crescente entre os psicólogos diz que não, não é assim.

O verdadeiro narcisismo patológico sempre foi raro e permanece assim:

– Afecta cerca de um por cento da população, e a sua prevalência não mudou desde que os clínicos começaram a medi-lo.

A maioria (mas não todos) dos supostos narcisistas de hoje são vítimas inocentes de um uso excessivo do rótulo.

São indivíduos normais com egos saudáveis que podem ocasionalmente elogiar as suas realizações, sendo que alguns até podem ser um pouco vaidosos.

O Narcisismo é um traço que cada um de nós apresenta em maior ou menor grau.

Mas enquanto diagnosticamos os amigos, parentes e os colegas dos nossos filhos, os verdadeiros narcisistas patológicos não são reconhecidos porque a maioria de nós não conhece as múltiplas formas que a condição pode tomar.

O que é o Narcisismo (e não é)

O Narcisismo é um traço que cada um de nós apresenta em maior ou menor grau.

Mas como se tornou um traço negativo, foi necessário adicionar o “saudável” para especificar o tipo de narcisismo aceite socialmente.

Um pequeno grau de narcisismo é bom, é saudável.

Segundo Craig Malkin, o narcisismo “é a capacidade de nos vermos a nós mesmos e aos outros através de óculos cor-de-rosa”.

Isso pode ser benéfico porque ajuda a nos sentirmos um pouco especiais.

O narcisismo alimenta a confiança que nos permite assumir riscos, como tentar ser promovido ou convidar para jantar alguém que nos despertou interesse.

No entanto, sentir-se muito especial pode ser problemático.

Desenvolvido por Robert Raskin e Calvin S. Hall em 1979, o inventário de personalidade narcisista (Narcissistic Personality Inventory – NPI) é a medida mais usada para medir este traço.

Na sua aplicação pede-se ao sujeito para escolher entre pares de declarações que avaliam os níveis de modéstia, assertividade, inclinação para liderar e disposição para manipular os outros.

As Pontuações variam entre 0 e 40, com a média a diminuir tendencialmente a meio da adolescência, dependendo do grupo testado.

Aqueles cujo resultado é um desvio padrão acima dos seus pares podem razoavelmente ser considerados narcisistas.

No entanto, uma pontuação em qualquer posição ao longo da vasta gama da escala ainda pode indicar uma personalidade fundamentalmente saudável.

O narcisismo é a capacidade de nos vermos a nós mesmos e aos outros através de óculos cor-de-rosa.

O diagnóstico de narcisismo patológico – é um transtorno de saúde mental – e envolve critérios diferentes.

“O Distúrbio Narcísico da Personalidade – NPD” é uma manifestação extrema”, refere Eddie Brummelman.

O transtorno só pode ser diagnosticado por um profissional de saúde mental e no caso de se suspeitar que os traços narcisistas de uma pessoa possam prejudicar o seu funcionamento diário.

A disfunção pode estar relacionada com uma identidade autocentrada e causar atrito nos relacionamentos devido a problemas com a empatia e a intimidade .

Pode também surgir de um antagonismo patológico caracterizado por grandiosidade e busca de atenção.

“O narcisismo é um continuum, e a perturbação fica no final”, refere Brummelman.

O NPI pode detectar o nível de narcisismo de uma pessoa, mas os efeitos adicionais na vida real são necessários para o diagnóstico de NPD.

“Um transtorno de personalidade é um distúrbio generalizado na capacidade de uma pessoa controlar as suas emoções, manter um senso estável de identidade e de si mesmo e manter relacionamentos saudáveis no trabalho, nas amizades e no amor “, diz Malkin. – É uma questão de rigidez.

Alguém que tenha uma pontuação elevada no NPI pode, de facto, ocasionalmente, sentir-se estranho ou em stress em interacções sociais, mas para alguém com NPD, Malkin refere, “todas as defesas psicológicas estão incessantemente a trabalhar contra o funcionamento saudável”.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
A partir de “The Real Narcissists” – Rebecca Webber

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