Mês: Janeiro 2017

psicólogo

A esperança

Para muitos de nós a esperança teve um custo muito elevado para voltarmos a apostar nela.

É possível que tenhamos sido expostos a grandes decepções quando éramos mais jovens ou num momento em que estávamos muito frágeis para lidar com elas.

Talvez esperássemos que os nossos pais ficassem juntos mas separaram-se. Ou esperávamos que algo que desejávamos muito acontecesse, mas não aconteceu. Talvez após nos atrevermos a amar alguém e, depois de algumas semanas de felicidade, tudo tenha terminado.

Isso acabou por criar em nós uma profunda associação entre esperança e risco. Daí que possamos viver de forma mais tranquila a decepção, e com receio a esperança.

A solução é lembrarmo-nos que podemos, apesar dos nossos medos, sobreviver à perda da esperança.

Já não somos aqueles que sofreram as decepções que nos levaram a sermos estas pessoas tímidas. As condições que forjaram os nossos receios já não correspondem à nossa vida actual.

O inconsciente pode, como é seu costume, estar a ler o presente através das lentes usadas no passado, mas o que tememos que possa acontecer – na verdade – já aconteceu.

Estamos a projectar no futuro uma catástrofe que pertence a um passado onde nos vimos impossibilitados de responder adequadamente.

Para além disso, o que fundamentalmente distingue a idade adulta, da infância, é que o adulto tem acesso a mais fontes de esperança do que a criança.

Podemos sobreviver a uma desilusão aqui e ali, porque nós já não vivemos numa pequena província, delimitada pela família, o bairro e a escola.

Nós temos um mundo inteiro onde podemos nutrir-nos de uma variedade de esperanças que, inevitavelmente, alguma pode resultar numa desilusão, mas – e essa é a grande diferença – apenas ocasional.

 

Traduzido e Adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

psicofármacos

Psicofármacos – É uma questão de custos e benefícios

Quando no âmbito do meu trabalho é solicitada a minha opinião sobre a medicação, a resposta que dou, e suponho, continue a dar, é a mesma: é tudo uma questão de custos/benefícios.

O ser contra ou a favor parece-me uma forma redutora de abordar a questão.

Pode, e deve-se discutir a representação que tem nos dias de hoje a medicação como forma de viver os problemas. Dado que o crescimento desenfreado do consumo não parece abrandar, é  urgente fazê-lo.

Isto vem a propósito de mais um estudo sobre psicofármacos – Benzodiazepinas: diazepam (Valium), alprazolam (Xanax) – publicado no British Medical Journal.

Na generalidade, os estudos que não são feitos pela indústria farmacêutica, apresentam resultados que devem deixar qualquer um apreensivo, não só quanto à sua eficácia, como, no que diz respeito aos efeitos secundários. Isto, por si só, já daria uma interessante discussão.

A outra questão é saber se há indicação para tratamento psicofarmacológico. Em grande parte dos casos sabemos que não. Como resultado, portugal apresenta taxas muito altas (e crescentes) deste tipo de fármacos. Uma vez que esta medicação tem muitos efeitos secundários, é necessário que seja prescrita com muito rigor.

Segundo o que me é dado a entender, aos pacientes não é colocada a questão do custo/benefício para poder escolher livremente. Nem tão pouco, se existem alternativas. Assim, sem o esclarecimento que lhe é devido, acaba por tacitamente aceitar o lhe é proposto.

As boas práticas sobre o consumo de Benzodiazepinas, como refere a agência europeia do medicamento, não deve ultrapassar algumas semanas, mas como é sabido elas ultrapassam muitas vezes um ano e em alguns casos há um consumo crónico.

É fundamental informar os pacientes do custo/benefício e das alternativas existentes.

(post publicado originalmente em 10.10.12)

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