Mês: <span>Outubro 2015</span>

Diagnósticos como Destino. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Diagnósticos como Destino

Quando João me procurou já tinha perdido a conta ao número de psicólogos e psiquiatras (e diagnósticos) que tinha consultado.

Resolveu vir conversar comigo mais por pressão da família do que por sentir que eu o poderia ajudar.

Apresentava muitos sinais de cansaço.

Chega a uma altura em que é difícil continuar na busca de soluções; faltam as forças e desistir parece fazer mais sentido que continuar.

Como paciente “profissional” que era, apresentava no seu curriculum uma lista enorme de diagnósticos.

Alguns, diga-se de passagem, bem caricatos. Desse leque “incorporou” aqueles que de alguma forma eram mais congruentes e se adequavam à forma como se sentia.

Conhecia os sintomas e reconhecia-os em si. Conhecedor profundo do mundo “psi” (diagnósticos, sintomas e medicamentos), pouco ou nada sabia sobre si.

Fiquei a ouvi-lo atentamente enquanto desfiava a sua história pela enésima vez.

À medida que João ia falando senti que aquela não era bem a sua história, mas uma história que lhe tinha sido contada sobre ele próprio – em forma de diagnóstico.

Impossibilitado de ser aceite na sua plenitude foi cortando, aqui e acolá, partes de si – da sua história -, e acrescentando as que lhe eram apresentadas.

Como paciente “profissional” que era, apresentava no seu curriculum uma lista enorme de diagnósticos.

A partir desse momento ficou impedido de escrever a sua história, ficando a vida em “Pause”.

Sem o saber, João sabia que aquela não era a sua história, mas estava amarrado a ela e não podia desprender-se do que tinham traçado sobre ele – uma espécie de destino.

Sem possibilidade de romper seguia o guião que escreviam para ele.

Ainda assim, havia um resquício de esperança. A busca continuava.

Não tinha desistido, mas o tempo passava e as dúvidas eram cada vez mais: “talvez esta seja mesmo a minha história e nada mais. Talvez nem exista história, somente um tempo em contagem decrescente”.

Às vezes, papel e caneta, tempo e espaço, disponibilidade e amor, é quanto baste para reescrever a história. “Play”.

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