Mês: Maio 2020

Realismo Romântico - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

“Realismo Romântico”

“Realismo romântico” – Sete regras para evitar uma separação

 

Esperamos que o amor seja a fonte das nossas maiores alegrias. Mas, na prática, é um dos caminhos mais directos ​​para o tormento.

Poucas formas de sofrimento são tão intensas quanto as que experimentamos nos relacionamentos.

30% das pessoas que estão juntas descrevem-se como “activamente infelizes, mas incapazes de sair da relação”.

Os problemas começam porque, apesar de todas as estatísticas, somos optimistas crónicos sobre como o amor deve ser.

A gigantesca quantidade de informação não parece capaz de abalar a nossa fé no amor.

Milhares de divórcios passam à nossa frente mas parecem-nos todos irrelevantes.

Continuamos a não olhar para o amor como uma competência que pode ser aprendida.

Um dos nossos maiores erros em torno dos relacionamentos é imaginar que eles não são coisas sobre as quais podemos aprender e melhorar.

Na verdade podemos desenvolver uma competência emocional a que poderíamos chamar de “realismo romântico”.

De facto, como em todas as áreas, podemos melhorar a forma de amar outra pessoa.

 

Estamos prontos para um relacionamento quando:

1 – Aceitamos que a ideia de perfeição é irrealista

Devemos aceitar desde o início que qualquer pessoa com quem nos iremos relacionar estará muito longe da perfeição.

Somos seres imperfeitos. Quem quer que se junte a nós será imperfeito numa série de aspectos.

Devemos eliminar de forma definitiva a ideia de que as coisas seriam perfeitas com qualquer outra criatura desta galáxia.

Só pode haver um tipo de relacionamento e esse será “o suficientemente bom”.

Para que essa percepção se encaixe, é útil ter tido vários relacionamentos.

Não no sentido de encontrar “a pessoa certa”, mas para que se possa ter a oportunidade de descobrir em primeira mão e em vários contextos, a incontornável verdade: vistos de perto, todos temos muitas imperfeições.

 

Continuamos a não olhar para o amor como uma competência que pode ser aprendida

 

2 – Aprendermos a culpar o amor, não o nosso parceiro

Quando as dificuldades surgem nos relacionamentos, muitas vezes somos vítimas da ideia de que andamos a sair com uma pessoa um tanto ou quanto limitada.

A nossa tristeza deve ser culpa de alguém: e, naturalmente, concluímos que o culpado é o nosso parceiro.

Evitamos a conclusão mais verdadeira, mais sombria e mais simpática:

– Estamos a tentar fazer algo muito difícil, a qual quase ninguém consegue por completo.

No extremo, saímos do relacionamento cedo demais.

Em vez de ajustarmos as nossas ideias sobre o que são os relacionamentos em geral, mudamos as esperanças para novas pessoas que – confiamos ardentemente – não sofreram de nenhum dos problemas que experimentamos com o último parceiro.

Culpamos o nosso parceiro para não culpar o amor.

 

3 – Percebemos que o amor faz exigências irracionais aos nossos parceiros

O ideal romântico afirma que seremos mais agradáveis ​​para nosso parceiro do que para qualquer outra pessoa no mundo.

Eles foram escolhidos porque gostamos muito deles e, portanto, trazemos as nossas melhores partes para o relacionamento

Seremos muito melhores com eles do que, por exemplo, com qualquer um dos nossos amigos.

Mas a realidade é intrigante e decepcionantemente diferente.

Nós tendemos a nos tornar, se as coisas forem como planeámos, algo parecido com monstros no amor.

Provavelmente, seremos significativamente menos gentis com nosso parceiro do que com quase qualquer outro ser humano no planeta.

O que explica isso? Em primeiro lugar, há muito em jogo. Toda a nossa vida está em jogo.

 

Só pode haver um tipo de relacionamento e esse será “o suficientemente bom”

 

Amigos saem connosco à noite; os nossos desafios mútuos podem não ir além da necessidade de encontrar um bom restaurante.

Mas a pessoa que amamos torna-se, se as coisas vão bem, parte de alguns dos assuntos mais complexos e grandiosos que já empreendemos:

Pedimos que eles sejam os nossos amantes, os nossos melhores amigos, os nossos confidentes, enfermeiros, consultores financeiros, motoristas, nosso parceiro social e sexual.

Juntamente com eles, podemos criar um lar, gerar um filho, administrar as finanças da família, cuidar de pais idosos, gerir as nossas carreiras, sair de férias e explorar a nossa sexualidade.

A descrição do “trabalho” é tão longa e tão exigente que ninguém no mercado de trabalho poderia responder a uma pequena parte do exigido.

Pedir a alguém para estar connosco acaba por ser uma coisa incrivelmente exigente e, portanto, muito “mazinha” para propor a alguém a quem realmente desejamos o melhor.

O amor também nos dá a segurança de mostrar a um parceiro quem realmente somos – um privilégio que, na verdade, seríamos mais sábios e amáveis, se não compartilhássemos completamente com ninguém.

É – naturalmente – muito difícil viver connosco; mas ninguém se importou o suficiente para nos dizer.

 

4 – Estamos prontos para amar em vez de ser amados

Nós começamos por saber apenas o que é ser amado.

Para a criança, parece que mãe/pai está espontaneamente à mão para confortar, guiar, entreter, alimentar e cuidar, ao mesmo tempo que permanece quase sempre caloroso e alegre.

Muitos pais não revelam a frequência com que morderam a língua, lutaram contra as lágrimas e ficaram demasiado cansados ​​para se despirem depois de um dia a cuidar do filho.

Devemos renunciar um pouco ao desejo de ser amado e, em vez disso, esforçar-nos para amar.

 

É a capacidade de tolerar a diferença que é o verdadeiro indicador da pessoa certa

 

5 – Aceitamos que os relacionamentos exigem gestão

A pessoa romântica instintivamente vê os relacionamentos em termos de emoções.

Mas o que um casal consegue fazer ao longo da vida tem muito mais em comum com o funcionamento de uma pequena empresa.

Passa por elaborar listas de tarefas, limpar, cozinhar, reparar, arrumar, contratar, despedir, orçamentar, etc.

Nenhuma destas actividades tem qualquer tipo glamour.

Aqueles que são obrigados a fazê-las são, portanto, altamente propensos a ressentirem-se delas e sentir que algo deu errado nas suas vidas por terem que se envolver tão intimamente nelas.

E, no entanto, essas tarefas são o que é verdadeiramente “romântico” no sentido de “promover e sustentar o amor” e devem ser interpretadas como o alicerce de um relacionamento bem-sucedido.

 

6 – Entendemos que o sexo e o amor nem sempre estão em sintonia

A expectativa geral é que o amor e o sexo estejam em sintonia.

Mas, na verdade, eles não permanecem assim mais do que alguns meses ou, no máximo, um ou dois anos.

Isso não é culpa de ninguém.

Como nos relacionamentos a longo prazo existem outras preocupações importantes (companheirismo, gestão do lar, filhos), o sexo, provavelmente, será afectado.

Estamos prontos para entrar num relacionamento a longo prazo quando aceitamos um grande grau de resignação sexual e desenvolvemos a capacidade de sublimar.

 

7 – Percebemos que não somos assim tão compatíveis

Espera-se que a pessoa certa seja alguém que compartilhe os nossos gostos, interesses e atitudes gerais com a vida.

Isso pode ser verdade a curto prazo. Mas, ao longo do tempo, a relevância disso diminui drasticamente; as diferenças inevitavelmente emergem.

A pessoa que é verdadeiramente mais adequada para nós não é a pessoa que compartilha os nossos gostos, mas a pessoa que pode gerir as diferenças de maneira inteligente.

 

Devemos renunciar um pouco ao desejo de ser amado e, em vez disso, esforçar-nos para amar

 

É a capacidade de tolerar a diferença que é o verdadeiro indicador da pessoa certa.

A compatibilidade é uma conquista do amor; não deveria ser a sua pré-condição.

Muitas vezes queixamo-nos, em aspectos complicados dos nossos relacionamentos, de que o amor se tornou muito difícil.

Talvez estejamos a discutir constantemente sobre pormenores domésticos, talvez já tenha passado muito tempo desde que verdadeiramente nos divertimos.

As dificuldades não apenas nos angustiam em si mesmas, elas também nos podem parecer ilegítimas, contrárias às regras do amor – e um sinal de que o próprio relacionamento é um erro.

 

Este é um legado do Romantismo, uma ideologia que nos leva à crença inútil de que o amor não é algo para ser trabalhado, porque é um sentimento e não uma competência.

Precisamos apenas de nos render às nossas emoções e os nossos relacionamentos irão prosperar.

De facto, é exactamente o contrário.

Devemos estudar o amor da maneira como estudamos qualquer outro assunto importante.

Devemos aceitar com modéstia a necessidade de nos inscrevermos na escola do amor.

 

O curso do amor – Alain de Botton

Porque as pessoas são más. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Por que é que as pessoas são más?

Por que é que as pessoas são más? Maldade – origem e reprodução

Algumas crianças não são muito simpáticas para os seus irmãos e irmãs, nem para os seus colegas de turma na escola.

Chamam-lhes nomes, implicam com eles ou tentam estragar-lhes o recreio.

Podem fingir ser suas amigas e depois dizer coisas muito pouco simpáticas nas suas costas.

Parece que tudo o que querem é que as outras pessoas se sintam pequenas e estúpidas.

Pode ser realmente perturbador e assustador estar do lado de quem recebe este tipo de intimidação.

Mas porque é que as pessoas são más?

Porque é que uma pessoa quer fazer outra pessoa sentir-se miserável?

A resposta é muito surpreendente: é porque elas se sentem pequenas e miseráveis dentro de si mesmas.

Não se sabe ao olhar para elas — elas podem parecer fortes e confiantes e muito satisfeitas consigo próprias. Podem parecer rir-se muito — talvez rirem-se de nós.

Mas se pensarmos nisso, ninguém que seja realmente feliz quereria fazer outra pessoa infeliz.

As pessoas que são realmente fortes e confiantes são quase sempre gentis e amáveis para com os outros.

Se alguém é mau e um agressor é porque em casa, ou no passado, alguma coisa ou alguém a assustou.

Provavelmente nunca saberemos os detalhes, mas podemos imaginar.

 

As pessoas são más porque se sentem pequenas e miseráveis dentro de si mesmas.

 

Talvez tenham um irmão mais velho que se mete com elas. Ou a mãe esteja sempre a mandar nelas. Talvez os pais gritem um com o outro.

Dentro das suas cabeças, estas pessoas que parecem tão corajosas e destemidas, na verdade sentem-se tristes e preocupadas.

Estão demasiado assustadas para deixar alguém ver como se sentem realmente fracas, por isso tentam fazer-se sentir melhor, fazendo outra pessoa sofrer.

Aqueles que foram feridos, ferem os outros.

Compreender isto não resolve imediatamente o problema se alguém estiver a ser mau para nós, mas pode ajudar um pouco.

Pode ajudar-nos a lembrar que não merecemos ser mal tratados, que não é algo que tenhamos feito e que não há nada de errado connosco.

A melhor maneira de compreender um intimidador ou uma pessoa má é colocar-mo-nos na sua posição.

Pensemos numa altura em que não tenhamos sido muito simpáticos para alguém.

A maioria das pessoas é um pouco má para alguém em algum momento, ou pode até ter querido ser um bocadinho horrível, mesmo que nada venham a fazer ou a dizer.

Não é mau ou errado, é apenas a vida.

Agora pensemos porque é que fomos maus para essa pessoa — é quase sempre porque algo mais nos estava a incomodar, que não sabíamos como corrigir.

 

Alain de Botton, Big ideas for curious minds

 

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