Mês: Outubro 2018

Pais Tóxicos - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Pais Tóxicos – Descubra como lidar com eles

Se é complicado estar com os seus pais e os evita, há grande probabilidade de eles serem tóxicos.

Não só os relacionamentos tóxicos podem incluir a relação com pais narcísicos, como muitas das relações tóxicas em que nos envolvemos têm como matriz relações familiares disfuncionais.

Quando crescemos com pais tóxicos podemos não reconhecê-los como tal.

Normalmente, os pais tóxicos não respeitam os filhos como indivíduos. Não se comprometem, não assumem a responsabilidade pelos seus comportamentos, nem pedem desculpa.

Os pais tóxicos podem prejudicar os filhos ao ponto de impedirem o seu crescimento, assim como os movimentos no sentido da retoma do desenvolvimento suspenso, da autonomia e da independência.

Quando crescemos com pais disfuncionais, podemos não reconhecê-los como tal. Tudo parece normal.

Podemos estar em negação e não perceber que fomos maltratados emocionalmente, principalmente, quando as nossas necessidades materiais foram satisfeitas.

 

Comportamentos Tóxicos

Aqui estão algumas questões que deve colocar em relação ao comportamento dos seus pais. Se a conduta deles é persistente, pode ser tóxica para a sua auto-estima.

1 – Eles tendem a exagerar ou a fazer cenas?

2 – Eles fazem chantagem emocional?

3 – Eles fazem exigências frequentes e/ou irracionais?

4 – Eles tentam controlar?

5- Eles criticam ou comparam você?

6 – Eles ouvem com interesse?

7 – Eles manipulam, usam a culpa, ou fazem-se de vítima?

8 – Eles culpam ou atacam você?

9 – Eles assumem a responsabilidade e pedem desculpa?

10 – Eles respeitam os seus limites físicos e emocionais?

11- Eles desconsideram os seus sentimentos e necessidades?

12 – Eles invejam ou competem consigo?

 

Separar-se dos pais tóxicos: Seja assertivo e defina limites

A autonomia e a independência do ponto de vista emocional não têm uma relação directa com distância/proximidade física. Mesmo que fisicamente se afaste bastante, a ligação emocional disfuncional pode persistir.

Relacionamentos com pais tóxicos podem ser difíceis de cortar

É mais difícil não reagirmos aos nossos pais do que aos nossos amigos e parceiros, com quem estamos em pé de igualdade. Os pais podem facilmente mexer com os filhos; eles sabem onde está o botão que faz desencadear certo tipo de reacções.

Uma vez que os limites nos foram impostos pela família, quando fazemos certos movimentos que ponham em causa esses limites, a família, em particular os pais, sentem necessidade de nos mostrar que não os devemos ultrapassar.

É muito complicado estabelecer novos limites com os pais, principalmente se você tenha uma mãe que liga (ou “exige” que você ligue) todos os dias; se queixa com frequência de problemas de saúde; diz sentir-se sozinha; faz chantagem emocional, e, dessa forma, provoca sentimentos de culpa.

À medida que os movimentos de autonomização são sentidos pelos pais, como reacção, começam a desferir ataques ao terapeuta, amigos ou companheiro, responsabilizando-os pelo estabelecimento dos novos limites.

Relacionamentos com pais tóxicos podem ser difíceis de cortar. Você pode precisar de se distanciar deles para criar os limites que não consegue estabelecer directamente com eles.

Algumas pessoas cortam com a família por esse motivo.

Os cortes podem ser necessários em casos de pais tirânicos. No entanto, embora reduzam a tensão emocional, os problemas subjacentes permanecem e podem afectar todos os relacionamentos.

É muito melhor, para o seu crescimento emocional, aprender a responder aos ataques.

Superar um relacionamento tóxico começa em si

Quando visitar os seus pais, preste atenção às regras não expressas; aos limites e aos padrões de comunicação. Tente comportar-se de uma forma diferente daquela que tinha quando era jovem.

Preste atenção aos hábitos e defesas que usa para gerir a sua ansiedade.

Pergunte a si mesmo: “Do que tenho medo?” Lembre-se de que, embora possa sentir-se como uma criança quando está com os seus pais, você já não é uma criança. Agora você é um adulto. Se quiser pode ir-se embora, ao contrário de quando era criança.

Superar um relacionamento tóxico começa em si – nos seus sentimentos e atitudes -, e termina em si. A expectativa que os seus pais vão mudar vai diminuindo, até que finalmente percebe que eles nunca vão mudar, mas você vai.

 

Aspectos a ter em mente em relação aos seus pais:

1 – Não é necessário que os seus pais mudem para você ficar bem.

2 – Você não é os seus pais. Eles são uma coisa, você é outra.

3 – Você não é aquilo que eles dizem que você é.

4 – Não é obrigatório gostar dos seus pais, no entanto, pode estabelecer uma nova relação com contornos diferentes e amá-los.

5 – Você não pode mudar os seus pais.

O que você pode fazer

Inicie uma psicoterapia, fortaleça a sua rede de apoio/amigos e procure obter uma independência financeira.

Borderline - Entre a Dependência e a simbiose. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Borderline – Entre a Dependência e a Simbiose

A síndrome Borderline, em qualquer idade que se apresente – infância, adolescência ou adultícia -, traduz um conflito intrapsíquico não resolvido.

Esse conflito está relacionado com a separação, isto é, a dolorosa fixação do paciente num estado de certa dependência/simbiose da figura materna.

Com efeito, observou-se que as perturbações na fase do desenvolvimento afectivo-relacional – na subfase de reaproximação do processo de separação-individuação – são das mais influentes na génese da perturbação borderline.

A simbiose está em franco declínio, quase extinção, sendo assim um período sensível (crítico) à desafinação, delonga ou precipitação, omissão ou paradoxalidade das respostas de amparo, auxilio, atenção e reabastecimento narcísico.

Uma resposta desadequada ou estimulação inoportuna repetidas – mesmo que de pouca monta – instalam a falta de confiança nos outros e no próprio, e a instabilidade narcísea.

A relação patogénea (micro traumatismos acumulados), que destrói insensivelmente (água mole em pedra dura tanto bate até que fura”), é a causa mais frequente e em regra a mais grave que os grandes traumatismos isolados – porque menos reconhecível e por isso menos combatida ou evitada.

Os pais gratificam a simbiose/dependência e atacam os desejos, impulsos e comportamentos autónomos da criança.

Simbiose ou dependência, dissemos. Porquanto, algumas vezes é de verdadeira simbiose que se trata.

O outro elemento da díade (mãe/pai), fortemente unida, é também um simbionte em ligação simbiótica e simbiotizante com o filho.

Noutros casos, é uma dependência parasitária ou simplesmente passiva de uma pessoa que reduz a ansiedade.

De facto, a frequência com que encontramos, nestes doentes, uma mãe (pai ou ambos) com características simbiônticas – desejando, e vivendo predominantemente em simbiose – é enorme.

Isto leva-nos a considerar a importância etiológica na personalidade borderline do objecto maternante.

Assim, a simbiose da qual o paciente tem dificuldade em sair – ou na qual reentra por regressão – não é só produto de um período simbiótico infantil insuficiente ou insuficientemente vivido – por carência sistemática, abandono drásticos ou frequentes -, mas também da traça simbiôntica dos pais, que impede o desprendimento evolutivo e favorece o laço simbiótico.

São mães/pais que gratificam a simbiose/dependência e atacam os desejos, impulsos e comportamentos autónomos e autonomizantes da criança.

Toda a sua conduta de exploração e autonomia é sistematicamente reprovada e reprimida, ao mesmo tempo que é estimulado, valorizado e premiado o comportamento de aproximação e apego.

Logo, o percurso evolutivo é travado e distorcido por um predomínio do sistema de apego sobre o sistema de exploração.

É, vemo-lo, uma verdadeira colonização dos filhos; uma fábrica de gente casta, obediente, humilde e pobre. Mas que se revolta.

Submisso e rebelde, eis a dupla face do borderline.

À excessiva (em extensão e/ou intensidade) simbiose com a mãe, soma-se a carência paterna – por ausência ou indisponibilidade afectiva. O que, como é óbvio, não facilita a separação; pelo contrário, reforça a simbiose.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

Borderline - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Borderline – Uma Introdução

A baixa tolerância à frustração no borderline, enraizada em frustrações precoces e repetidas sem envolvimento afectivo compensador e reconfortante, está na origem de uma das características da sua personalidade – a passagem ao acto.

A relativa incapacidade de controlo dos impulsos e a ansiedade tendencialmente invasiva não são mais que derivados da referida inconstância da estrutura mental.

Na tendência ao acto impulsivo e não pensado ou realização imediata do cenário fantasmático que a resposta instintiva constrói (encenação agida, acting-out) pesa, por conseguinte, como significativo factor condicionante a insuficiente antecipação a médio e longo prazo.

 

O Borderline vive permanentemente em stress e ansiedade

 

É esta quase ausência de antecipação do futuro ou previsão – de mentalização antecipatória -, que explica o comportamento borderline.

Assim andará ao sabor das marés do humor (das antecipações negativas ou positivas momentâneas, do curto prazo) e dos ventos dos estímulos (dos factores do meio não processados por um programa pessoal de vida preexistente).

O Borderline vive permanentemente em stress e ansiedade: submetido a forças externas deformantes (stressores) e com medo do que vai acontecer.

Nesta situação, ou condição de existência, nada faz de construtivo; apenas reage para conservar o equilíbrio.

Deste modo não aprende com a experiência; repete e repete-se: dá a mesma resposta – de fuga/luta ou adaptação (consoante domina a disposição activa ou passiva) – e permanece no seu estilo bidimensional – retirada/eliminação ou conformismo; jamais elaboração mental e a construção do novo: o pensamento e a criação.

Uma das características nucleares da personalidade-limite é a ausência de relações complementares.

As relações, no borderline, são de completação e não de complementaridade. Alguém faz-me falta para me sentir completo, inteiro; mas não para formar uma nova unidade, o par.

O que falhou? – Uma relação de vinculação em que, sendo alguém para outro alguém, o fizesse alguém de significativo e de significante.

 

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

A Depressão na Adolescência - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico.

A Depressão na Adolescência

A depressão adolescentil instala-se habitualmente a meio ou para o fim da adolescência.

Habitualmente, após um período de uma separação-autonomia e individuação insuficientemente assumidas.

São casos em que aparentemente o pré-adolescente se autonomizou, mas durante o qual inconscientemente permanece fortemente ligado à infância.

“Um indivíduo jovem sai da adolescência quando a angústia dos seus pais não produz nenhum efeito inibidor.” F. Dolto

Um dos elementos de diagnose desta pseudo-independência é a ligação que o adolescente estabelece com o círculo relacional próximo da família:

–  Há um desejo de não se afastar, mas apenas de alargar o grupo familiar.

A este período (que se caracteriza por um estado eufórico, de dinamismo e de entusiasmo) de aparente separação da família, às vezes com um distanciamento comportamental evidente e escolha de padrões e valores diferentes dos dos pais, segue-se um período de manifesta regressão aos objectos e objectivos infantis.

Trata-se de um reencontro em novos moldes com a família, na vigência do qual o adolescente, de arisco e rebelde, se torna terno e simpático com os pais.

É quando se apercebe de que está abdicar dos seus projectos mais pessoais, defendendo activamente a submissão ao esquema parental, que o adolescente acorda da ilusão relacional euforizante.

Nessa altura tenta mais decididamente o luto da infância e das imagos parentais e a escolha de um objecto heterossexual verdadeiramente exogâmico e bem marcadamente seleccionado pelo seu desejo próprio, que a depressão autêntica, vivida –e, por vezes, séria – da adolescência se instaura.

Foi-se a alimentada ilusão de um retorno disfarçado à infância.

O caminho da desvinculação do passado e da aventura afirma-se como o mais válido e o único que conduz à realização criativa do homem.

No entanto, a nostalgia do passado, o luto inacabado da infância, a fixação e regressão infantis impedem-no de o trilhar com decisão.

A partir de “Audácia, Narcisismo e Sexualidade” – A. Coimbra de Matos

Raiva Narcísica Pedro Martins - Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Raiva Narcísica

A raiva narcísica é uma agressividade maligna, oriunda do ódio ou da hostilidade e geradora da mais temível, destruidora e verdadeira violência – porque uma violência que não pára, dificilmente se esgota e permanentemente se reconstitui.

Esta agressividade é uma reacção ao amor-próprio ferido, ou melhor, à ferida do amor-próprio.

Ao homem não lhe chega ser amado. Precisa não só de amor, como de apreço, admiração, consideração e respeito.

A primeira condição para a organização de uma regular auto-estima, de um normal narcisismo, é o facto – o acontecimento – de ser amado, de ter sido bem-amado. Só tendo sido amado, o indivíduo se ama a si próprio; e amando-se a si mesmo, pode amar o outro.

Mas ao homem não lhe chega ser amado – ter a certeza que tem um lugar no coração daqueles que ama. Precisa – como de pão para a boca -, não só de amor, como de apreço e até de admiração; assim como de consideração e respeito.

Frustrar a pessoa nesta necessidade narcísica é desencadear-lhe uma raiva – dita raiva narcísica – que, inundando toda a personalidade, vai alimentar profundos sentimentos agressivos, traduzidos por inveja, desprezo e desejo de eliminação dos considerados superiores.

O indivíduo com baixa auto-estima é sempre um potencial agressor.

Humilhado, o indivíduo desenvolve uma ferocidade silenciosa mas altamente destruidora e mesmo mortífera.

O acúmulo de ferimentos narcíseos torna o indivíduo mais sensível aos ataques à auto-estima e menos resistente aos seus efeitos devastadores no tónus narcísico (auto-estima básica).

Forma-se uma estrutura narcísica de baixa imunidade e de debilidade narcíseas – com grande intolerância às injúrias ao amor-próprio e um despertar fácil de comportamentos agressivos.

O indivíduo com baixa auto-estima é sempre um potencial agressor. Basta que se conjuguem a provocação e a condição de ser ou se julgar o mais forte.Por aqui se vê quão perigoso é socialmente.

Perigosidade maior porque ataca sempre o mais fraco dado o seu sentimento de inferioridade. É deste terreno que saem os tiranos, os pais violentos e os chefes despóticos.

A criança adquire muito cedo a noção do que é justo ou injusto. Tratada com injustiça, desenvolve um profundo ressentimento.

O ressentimento conduz ao desejo de vingança e à necessidade de reparação (de ser reparado). A acumulação de ressentimento conduz a uma atitude paranóide, querelante e reivindicativa.

DEFINIÇÃO E GÉNESE

A raiva narcísica é a fúria desencadeada pela frustração intolerável. Em face da expectativa enganadora que lhe foi criada pelo outro (falsa promessa), sobretudo quando reiterado, o indivíduo reage com grande sentimento de raiva; sente-se ludibriado.

Muito mais que a privação ou a perda afectiva, o que está em causa na génese do ódio e da raiva é a frustração, designadamente a frustração afectiva: o não aparecimento do amor anunciado.

A vivência repetida ou crónica de frustração afectiva é, por conseguinte, a matriz da hostilidade.

DESENVOLVIMENTO

A desvalorização e desqualificação, a ridicularização e a humilhação vão, seguidamente, condicionar o desenvolvimento da raiva narcísica.

É, com efeito, pela acção destas atitudes do outro ou dos outros que a ferida narcísica se vai alargando, cronicizando, transformando uma verdadeira chaga.

E assim se vai criando um sentimento crónico de orgulho/amor-próprio feridos, alimentando uma raiva constante, sempre pronta a desfechar em violência destrutiva e mortífera.

O homem não nasce violento. É a sociedade que o faz violento.

Porém, pela sua extensa memória, o seu amor-próprio e o seu sentimento de justiça, é potencialmente o ser mais violento.

Está nas mãos da cultura envolvê-lo de afecto, apreço e respeito, e, assim, atacar as raízes da violência.

Bibliografia:

– “Violência Inconsciente” – A. Coimbra de Matos

– “Génese, desenvolvimento e reprodução da violência” – A. Coimbra de Matos

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