Categoria: Psicanálise

reprimido

A Repressão e o Reprimido

A Repressão e o Reprimido

Num sentido lato, a repressão é designada como a operação psíquica tendente a fazer desaparecer da consciência um conteúdo (ideia, afecto, etc.) desagradável ou inoportuno. Nesse sentido o recalcamento seria uma modalidade especial de repressão.

No sentido mais frequente, a repressão, opõe-se, sobretudo, do ponto de vista tópico ao recalcamento, quer pelo carácter consciente da operação, quer pelo facto do conteúdo reprimido se tornar simplesmente pré-consciente e não inconsciente.

Segundo Laplanche & Pontalis, a repressão seria um mecanismo consciente actuando ao nível da “segunda censura”, que Freud situa entre o consciente e o pré-consciente; tratar-se-ia de uma exclusão para fora da consciência actual, e não da passagem de um sistema (pré-consciente-consciente) para outro (inconsciente).

Do ponto de vista dinâmico, as motivações morais desempenham um papel determinante na repressão.

freudian slip

Freudian Slip /Acto Falhado

Freudian Slip / Acto falhado ou falho

Acto em que o resultado explicitamente visado não é atingido, antes se acha substituído por outro.

Fala-se de actos falhados/Freudian Slip não para designar o conjunto das falhas da palavra, da memória e da acção, mas para os comportamentos em que o indivíduo é habitualmente capaz de obter êxito, e cujo fracasso é tentado a atribuir apenas à sua falta de atenção ou ao acaso.

Freud demonstrou que os actos falhados eram, tal como os sintomas, formações de compromisso entre a intenção consciente do indivíduo e o recalcado.

 

Vocabulário da Psicanálise – J. Laplanche & J.B. Pontalis

relações Psicanálise e Psicoterapia Relacional – continuação Pedro Martins Psicoterapeuta Psicoterapia

Psicanálise e Psicoterapia Relacional – continuação

O termo Psicanálise Relacional foi introduzido em 1983 por Stephen Mitchell e Jay Greenberg no livro Relational Concepts in Pshychoanalysis. Ele desenvolveu-se a partir da convergência de diversas correntes importantes na teoria psicanalítica que se afastaram muito do modelo pulsão/estrutura, no qual as pulsões têm papel central na vida psicológica.

As teorias relacionais postulam que “as relações com os outros constituem os blocos fundamentais na construção da vida mental”.

O termo relacional, tão amplo, inclui interações entre o indivíduo e o mundo social, relações interpessoais internas e externas, autorregulação e regulação mútua, formando, assim, uma ponte entre os espaços interpessoal e intrapsíquico (Lewis Aron, 1996).

O modelo relacional vê as operações da mente como sendo diádicas e interativas na sua natureza; a experiência surge num campo interativo entre pessoas, e a situação analítica é compreendida na psicanálise relacional como sendo moldada pela participação contínua do analisando e do analista, bem como pela construção mútua do significado, da autenticidade e das novas experiências relacionais.

Os antigos padrões relacionais repetem-se, mas espera-se que cada dupla analista-paciente consiga descobrir modos singulares de ir além da situação de aprisionamento ao passado, e consigam construir e negociar novas formas de estarem um com o outro. Busca-se menos a verdade objectiva e mais o significado do que eles sejam capazes de construir.

O modelo relacional reforça a ambiguidade da realidade: cada indivíduo tem seu ponto de vista plausível; todo conhecimento tem como base uma perspectiva, mas há outras perspectivas e outros centros de subjectividade além do nosso (Aron, 1996).

O primeiro e mais importante desvio que levou a teoria psicanalítica a avançar do modelo freudiano de desenvolvimento, de psicopatologia e tratamento do paciente, que era um modelo de “uma pessoa”, para um modelo de “duas pessoas”, ou relacional, foi feito por Ferenczi.

Desde muito cedo, Ferenczi chamou a atenção para o analista como pessoa real, percebida pelo paciente em matizes subtis do seu comportamento e diante das quais o paciente reage. Deste modo, a transferência do paciente não surge exclusivamente de dentro dele; ela é influenciada pelos comportamentos e pelas intervenções do analista.

Segundo Fairbairn, a motivação fundamental dos seres humanos é procurar ligações com os outros. Cada indivíduo molda os seus relacionamentos conforme padrões de relação que trazem internalizados desde os seus mais precoces relacionamentos significativos. Os modelos de ligação com os primeiros objectos tornam-se as formas preferenciais e esperados de relacionamento com novas pessoas.

Os novos objetos amorosos são escolhidos pela sua similaridade aos objetos satisfatórios ou insatisfatórios do passado, e as interações com os novos parceiros desencadeiam os antigos comportamentos esperados. As novas experiências são processadas e interpretadas conforme as antigas expectativas.

Segundo ele, os pacientes não podem abandonar as ligações aditivas aos antigos objetos, a menos que acreditem e confiem que é possível desenvolver novos modos de relacionar-se que, de facto, eles podem ser ouvidos e vistos. Definiu o progresso analítico como sendo o resultado de uma capacidade modificada de se relacionar com os outros (Mitchell e Black, 1983).

O desvio conceptual da abordagem de “uma pessoa” para a abordagem de campo de “duas pessoas” tem, naturalmente, muitas consequências na situação analítica.

O método psicanalítico clássico baseia-se na premissa de que a psicanálise oferece ao paciente um tipo peculiar de experiência, por meio do estabelecimento de uma situação analítica cuidadosamente controlada: o divã, a frequência das sessões, quatro ou cinco vezes na semana, a regra fundamental da livre associação, o analista silencioso na maior parte do tempo e encoberto pelo anonimato são fatores técnicos que possibilitam ao paciente passar por uma experiência que activa antigas recordações e padrões da infância.

O elemento central desta visão é a premissa de que as experiências do paciente em análise se originam a partir do interior do paciente e se expandem no espaço analítico cuidadosamente planejado que a técnica clássica proporciona. Essa premissa torna o modelo clássico essencialmente numa perspectiva de “uma pessoa”. O encontro analítico funciona como uma máquina do tempo, na qual o paciente retorna ao seu passado por deslocamentos temporais da transferência. A pessoa do analista não é importante, já que o seu papel funcional é o de operador da máquina do tempo. Se for competente, o analista vai proporcionar uma função genérica que dá ao paciente a capacidade de experienciar, examinar e compreender mais plenamente seu passado.

A acção terapêutica dentro do modelo relacional depende do estabelecimento de um ambiente seguro no qual cada elemento da dupla contribui com percepções singulares que têm a sua própria experiência compartilhada. À medida que os padrões relacionais do início da vida do paciente vão sendo reencenados dentro do espaço analítico, os laços afectivos patológicos que o prendem a antigos objectos vão ser realçados e mantidos em rigoroso contraste com os relacionamentos novos, e espera-se, mais adaptativos e flexíveis, que paciente e analista lutam para negociar no presente.

Por meio do processo de contrastar, integrar e apreciar os matizes de perspectivas e subjectividades alternativas, diferentes das nossas, é que o paciente e analista constroem – em conjunto – uma visão compartilhada do mundo que existe, além das paredes do self, a partir de duas perspectivas diferentes.

Referências:

Sauberman, P. R. (2009). Psicanálise relacional contemporânea da pulsão para a relação. Rev. bras. psicanál v. 43 n.1 S. Paulo

auto-imagem Psicanálise e Psicoterapia Relacional – Uma introdução Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Psicanálise e Psicoterapia Relacional – Uma introdução

A Psicanálise Relacional começa a tomar a sua forma actual durante os anos oitenta do século passado, especialmente nos EUA, quando um grupo de autores (Mitchell, Aron, Stolorow, Benjamin Bromberg) procura integrar a tradição relacional (Sullivan, Murray, Kohut) com a teoria britânica das relações de objecto (Balint, Fairbairn, Winnicott).

Trata-se de uma psicanálise anti-cartesiana porque propõe que o mundo seja entendido, principalmente, como uma constelação de relacionamentos que permitem a construção do ser humano individual. A mente não nasce com o indivíduo mas desenvolve-se na interacção humana com o meio ambiente. A criança não é apenas um produto do meio ambiente, mas interage com ele, com a sua espontaneidade e inclinações.

Para a teoria freudiana, o ser humano é motivado por impulsos sexuais e agressivos, inata e biologicamente determinados. Para a nova abordagem, no entanto, a principal motivação é a busca de relações com os outros.

As relações iniciais com os cuidadores primários moldam o nosso comportamento, a auto-imagem e a forma de satisfazer os nossos desejos e necessidades, assim, não podem ser separadas do contexto relacional.

Os padrões iniciais de relacionamento tendem a ser reproduzidos posteriormente na interacção relacional com os novos companheiros de relação.

Uma das características marcantes da psicanálise relacional está no peso dado à interpretação, ou seja, esta não é considerada o factor terapêutico fundamental.

A presença empática do terapeuta, o acompanhamento, o apoio (Winnicott – holding), são factores, no mínimo, tão importantes, como aquilo que em concreto se possa interpretar/dizer ao paciente.

Outro importante factor é redução da assimetria entre o terapeuta e o paciente, ou seja, o terapeuta não se situa numa cúpula de onde emite o seu oráculo, que o paciente deve ouvir com humildade e submissão. Aqui, o paciente nem sempre está errado quando mostra a sua discordância com algo que o terapeuta disse ou fez.

 

Traduzido e adaptado de “Defenicion del Psicoanálisis relacional”

– Psicoanálisis: principios del psicoanálisis relacional

 

Complexo de Édipo - Uma Introdução. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Complexo de Édipo – Uma introdução

Quando se fala em Complexo de Édipo a ideia que normalmente surge é: o filho quer matar o pai para ficar com a mãe.

Antes de mais, é preciso dizer que o “Complexo de Édipo” é uma metáfora criada para descrever uma quantidade de ideias, emoções e impulsos, em grande parte inconscientes, que gravitam em torno das relações que as crianças estabelecem com os seus pais. O Complexo de Édipo aponta para a angústia e culpa que a criança sente em relação aos seus desejos, assim como para as consequências de agir de acordo com eles.

Para compreendermos melhor o mito Edipiano temos que ir à origem: Rei Édipo de Sófocles.

A história de Édipo começa com a traumatização psicológica e física de uma criança por aqueles que deveriam ser os seus protectores, os pais.

Laio e Jocasta, Reis de Tebas, foram advertidos pelo oráculo que o filho deles, o bebé Édipo, estava fadado a assassinar o próprio pai. Este, depois de lhe terem trespassado os pés com uma lança, é entregue a uma pastor por Jocasta, com instruções para ser abandonado no deserto para morrer.

Édipo acaba por escapar à sua morte prematura sendo cuidado pelos reis de Corinto, Polybus e Merope, e cresce acreditando que estes são os seus verdadeiros pais.

Quando certo dia lhe é sugerido que os Reis de Corinto não eram os seus pais, Édipo fica tão consternado que vai consultar o oráculo de Delfos, e este diz-lhe, que ele matará o seu pai e casará com a sua própria mãe. Acometido com essa profecia e desejando ardentemente proteger aqueles que pensa serem os seus pais, sai de Corinto decidido a não voltar.

Entretanto numa encruzilhada tem um desentendimento e mata um homem – Laio, o seu pai.

Por fim Édipo chega a Tebas, que está nesse momento assolada pela Esfinge, que instalada num penhasco propõe enigmas a todos os que passam por perto, matando qualquer um que não desse a resposta correcta. Édipo, destroçado com tudo o que tem acontecido, e não tendo muito apreço pela vida, aceita o desafio da esfinge e consegue resolver o enigma que ela lhe apresentou. Como recompensa por ter libertado Tebas, Édipo é feito rei e casa com Jocasta.

Muitos anos depois, abate-se sobre Tebas a peste como punição do assassinato não vingado de Laio. Édipo, vai então procurar o assassino e a verdade é revelada. No fim da tragédia, Jocasta suicida-se e Édipo cega-se.

Aquilo que se entende por Complexo de Édipo tem um significado simbólico de grande riqueza referencial. Entender o Complexo de Édipo como: rapazinhos que querem matar o pai e casar com a mãe é de extrema simplificação, ou mesmo descabido. É preciso não esquecer que quando Édipo matou Laio e acabou casado com Jocasta, este não sabia que estes eram os seus verdadeiros pais. Na verdade Édipo saiu de Corinto para proteger aqueles que julgava serem os seus pais.

A Interpretação dos Sonhos. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

A Interpretação dos Sonhos

“A interpretação dos sonhos é a via régia que conduz ao conhecimento do inconsciente da vida psíquica.” S. Freud

Na “Interpretação dos Sonhos” (1900) S. Freud lança ideias inovadoras que vão permitir uma nova compreensão dos sonhos, defendendo que se trata de uma actividade psíquica organizada e com leis próprias.

O sonho é produzido pelo próprio sonhador e não provém de uma fonte exterior a ele.

Desta forma demarca-se dos métodos tradicionais de interpretar os sonhos recorrendo à decifração em função de chaves simbólicas culturais associadas a uma previsão do futuro.

A melhor metáfora para explicar de forma simplificada o facto de o sonho ter normalmente uma aparência estranha e confusa talvez seja a da “censura”.

No seu percurso de formação o sonho passa por uma censura (situada entre o inconsciente e o consciente) que determina se ele pode ou não prosseguir os seus intentos.

Para conseguir enganar a censura ele necessita de mudar a sua aparência através de um mecanismo de distorção – trabalho do sonho:

  • Processo que transforma o conteúdo latente em conteúdo manifesto).

O sonho é composto pelo conteúdo latente (pensamentos/desejos que estão ocultos e serão mais tarde descodificados/interpretados recorrendo ao método da associação livre);

e pelo conteúdo manifesto (corresponde aquilo que o indivíduo sonha e se recorda de forma mais ou menos imprecisa quando acorda) que normalmente é composto por materiais/acontecimentos recentes (restos diurnos).

“A interpretação dos sonhos é a via régia que conduz ao conhecimento do inconsciente da vida psíquica.”

O sonho manifesto, ou seja, aquilo que a censura permitiu que viesse até à superfície da consciência, foi alcançado devido a uma máscara de aparência inócua e de significado praticamente impenetrável.

Para transformar o sonho nessa coisa inocente/inofensiva/caótica/desconexa foi necessário recorrer a certas ferramentas:

 – Condensação: consiste em reunir num único elemento vários elementos; muito poderoso; torna o sonho difícil de entender

– Deslocamento: substitui os pensamentos mais significativos do sonho por pensamentos acessórios, desfocando o conteúdo importante e dissimulando a realização do desejo

– Representabilidade: transforma os pensamentos do sonho em imagens

– Elaboração secundária: consiste em apresentar o conteúdo onírico sob a forma de um cenário coerente e inteligível

– Dramatização: procedimento análogo ao do encenador que transpõe o texto escrito para a representação

É através desta acção conjunta organizada que se forma o sonho, “o guardião do sono”.

Catarse - Método Catártico. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Catarse – Método Catártico

Catarse – Método Catártico – Método de Psicoterapia em que o efeito terapêutico procurado é um “purgação” (catharsis), uma descarga adequada dos afectos patogénicos.

O tratamento permite ao indivíduo evocar e até reviver os acontecimentos traumáticos a que esses afectos estão ligados, e ab-reagi-los.

Historicamente, o “método catártico” pertence ao período (1880-1895) em que a terapêutica psicanalítica se define progressivamente a partir de tratamentos operados em estado hipnótico.

O termo catharsis é uma palavra grega que significa purificação, purgação.

Foi utilizado por Aristóteles para designar o efeito produzido no espectador pela tragédia:

“A tragédia é a imitação de uma acção virtuosa e realizada que, por meio do temor  e da piedade, suscita purificação de certas paixões.”

Breuer e depois Freud retomaram este termo, que exprime para eles o efeito esperado de uma ab-reacção adequada do traumatismo.

Sabe-se efectivamente que, segundo a teoria desenvolvida nos Estudos sobre a Histeria (1895), os afectos que não conseguiram encontrar o caminho para a descarga ficam “coarctados”, exercendo então efeitos patogénicos.

Resumindo mais tarde a teoria da catarse, escreve Freud:

“Supunha-se que o sintoma histérico tinha origem quando a energia de um processo psíquico não podia chegar à elaboração consciente e era dirigida para a enervação corporal (conversão) […].

A cura era obtida pela libertação do afecto desviado, e a sua descarga por vias normais (ab-reacção).

A catarse nem por isso deixa de ser uma das dimensões de toda a psicoterapia analítica. […]

Do mesmo modo, a perlaboração, a simbolização pela linguagem, estavam já pré-figuradas no valor catártico que Breuer e Freud reconheciam à expressão verbal:

“É na linguagem que o homem encontra um substituto para o acto, substituto graças ao qual o afecto pode ser ab-reagido quase da mesma maneira…”

Vocabulário da Psicanálise – J. Laplanche & J.B. Pontalis

Compulsão à Repetição. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Compulsão à Repetição

A compulsão a repetir não é propriamente um “automatismo” (isto é, forma de repetição condicionada pelo hábito), mas a busca de uma satisfação que ficou em suspenso, representando a persistência de um desejo não realizado.

Ao nível da psicopatologia concreta, [a compulsão à repetição é um] processo incoercível e de origem inconsciente, pelo qual o indivíduo se coloca activamente em situações penosas, repetindo assim experiências antigas sem se recordar do protótipo e tendo pelo contrário a impressão muito viva de que se trata de algo de plenamente motivado na actualidade.

É de toda a evidência que a psicanálise viu-se confrontada desde a origem com fenómenos de repetição. Se encararmos nomeadamente os sintomas, por um lado alguns deles são manifestamente repetitivos (rituais obsessivos, por exemplo), e, por outro, o que define o sintoma em psicanálise é precisamente o facto de reproduzir, de maneira mais ou menos disfarçada, certos elementos de um conflito passado.

De um modo geral, o recalcado procurar “retornar” ao presente, sobre a forma de sonhos, de sintomas, do agir: “o que permaneceu incompreendido retorna; como uma alma penada, não tem repouso até encontrar resolução e libertação”

A compulsão à repetição é a busca de uma satisfação que ficou em suspenso.

Trata-se de uma reacção em face da não-aceitação do insucesso; sendo tanto mais fácil de organizar-se como fenómeno “compulsivo” (que se impõe no agir) – e por vezes obsessivo (que se impõe no pensar) e “o de repetição” – quanto menor for a tolerância à frustração ou, o que vem dar ao mesmo, maior a dependência do objecto e a necessidade de materializar o fantasma.

A “compulsão a repetir” é, assim, a sequência do que chamamos o vazio traumático: a necessidade imperiosa e reiterada de preencher uma lacuna na execução do plano (do fantasma de antecipação do prazer); lacuna que foi sentida como traumatismo.

A compulsão a repetir está ligada à não-aceitação da realidade frustrante, da inevitabilidade da perda; logo uma incapacidade de fazer o trabalho de luto.

Donald Winnicott

Winnicott era filho de Elizabeth Martha (Woods) Winnicott e do Sr. John Frederick Winnicott, um comerciante que se tornou cavaleiro em 1924 após servir duas vezes como prefeito de Plymouth.

A família era próspera e aparentemente feliz, mas atrás desse verniz, Winnicott se viu como oprimido por uma mãe com tendências depressivas como também por duas irmãs e uma babá. Foi a influência do seu pai, que era um livre-pensador e empreendedor que o encorajou em sua criatividade. Winnicott se descreveu como um adolescente perturbado, reagindo contra a própria auto-repressão que adquirindo sua capacidade de cuidar ao tentar suavizar os sombrios humores de sua mãe. Estas sementes de autoconsciência se tornaram a base do interesse dele trabalhando com pessoas jovens e problemáticas.

Decidindo se tornar um médico, ele começou a estudar medicina em Cambridge mas interrompeu seus estudos para servir como cirurgião aprendiz – residente em um navio (destroyer) britânico, o HMS Lúcifer, durante a Primeira Guerra Mundial. Ele completou sua formação em medicina em 1920 e em 1923, no mesmo ano do seu primeiro casamento com Alice Taylor, foi contratado como médico no Paddington Green Children’s Hospital em Londres. Foi também em 1923, que Winnicott iniciou sua análise pessoal com James Strachey (1887 – 1967), o tradutor das obras de Sigmund Freud para o inglês.

Em 1927 Winnicott foi aceito como iniciante na Sociedade Britânica de Psicanálise, qualificado como analista em 1934 e como analista de crianças em 1935. Ele ainda estava trabalhando no hospital infantil e posteriormente comentou que… ”naquele momento nenhum outro analista era também um pediatra, assim durante duas ou três décadas eu fui fenômeno isolado…” O tratamento de crianças mentalmente transtornadas e das suas mães lhe deu a experiência com a qual ele construiria a maioria das suas originais teorias. E o curto período de tempo que ele poderia dedicar-se a cada caso o conduziu ao desenvolvimento das suas “inter – consultas terapêuticas.” outra inovação da prática clínica que introduziu.

Durante os anos de guerra trabalhou como consultor psiquiátrico de crianças seriamente transtornadas que tinham sido evacuadas de Londres e outras cidades grandes, e separado de suas famílias. Ele continuou trabalhando ao Paddington Green Children’s Hospital nos anos 1960.

Passada a guerra, Winnicott tornou-se um médico contratado do Departamento Infantil do Instituto de Psicanálise, onde trabalhou durante 25 anos. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise por duas gestões, membro da UNESCO e do grupo de experts da OMS. Atuou como professor no Instituto de Educação e na London School of Economics, da Universidade de Londres. Dissertou e escreveu amplamente como atividade profissional independente.

Via Wikipedia

 

Sigmund Freud

Sigismund Schlomo Freud (Freiberg in Mähren, 6 de maio de 1856 — Londres, 23 de setembro de 1939), mais conhecido como Sigmund Freud, foi um médico neurologista criador da psicanálise.

Freud nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco (actualmente, a localidade é denominada Příbor, e pertence à República Tcheca).

Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais.

Ao observar a melhora dos pacientes tratados pelo médico francês Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da histeria era psicológica, e não orgânica.

Essa hipótese serviu de base para outros conceitos desenvolvidos por Freud, como o do inconsciente.

Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa e repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento das psicopatologias, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista.

Freud acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana.

Sua obra fez surgir uma nova compreensão do ser humano, como um animal dotado de razão imperfeita e influenciado por seus desejos e sentimentos.

Segundo Freud, a contradição entre esses impulsos e a vida em sociedade gera, no ser humano, um tormento psíquico.

Via Wikipedia

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