Categoria: Borderline

As famílias dos pacientes Borderline - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

As Famílias dos Pacientes Borderline

Nas famílias dos pacientes borderline  temos um dos pontos-chave da etiopatogenia: a insuficiência narcísica dos pais e a sua própria personalidade limite ou próxima.

A necessidade que alguns pais têm de que os filhos preencham as suas lacunas narcíseas, é um dos aspectos mais importantes para o desenvolvimento dos estados limite.

O amor que dedicam ao filho depende de uma condição: que o filho os complete, lhes dê o brilho que eles não têm ou julgam não ter.

O amor que os pais dedicam não é incondicional, mas condicionado.

O filho é, então, uma espécie de prótese, instrumento ou adorno de um ou de ambos os pais. Só é valorizado enquanto tal, quando e como desempenha essa função.

Função tão essencial para o pai, que o filho será maciçamente desprezado e desinvestido se não a executar.

Vemos, portanto, um amor condicionado, não incondicional (é neste sentido que se emprega o conceito de “amor incondicional”; não, como é óbvio, na acepção de um amor exagerado, sem limites – que seria abafante e impeditivo de um desenvolvimento autónomo e diferenciado.

Trata-se de um vínculo de indiferença mais do que propriamente de hostilidade, que empobrece significativamente a interacção e a vida mental.

As pessoas vivem em conjunto mas sem intimidade afectiva; estão próximas, mas pouco comunicantes; dependentes, mas sem densidade de relação. Têm uma necessidade amorosa que jamais satisfazem.

As mães narcísicas e simbiotizantes tratam os filhos como objectos.

A mãe ou pai narcisista apresenta ainda outro aspecto patológico: o seu amor é captativo – na intenção de receber – e não de um amor oblativo como é próprio dos pais mentalmente saudáveis, e, desde logo, promotores de um desenvolvimento normal.

Cria-se então um laço filho-mãe/pai invertido: é o próprio filho que desempenha a função parental.

Se não cumpre este mandato será eternamente acusado de mau filho, sem amor pelos pais, abandonante, filho ingrato.

Em resumo a etiologia da patologia borderline:

– Personalidade borderline dos pais

– Modos anómalos de comunicação intra-familiar (informação paradoxal, abuso da mentira, manipulação).

– Encorajamento e recompensa dos comportamentos de obediência, de pendência, apego/desencorajamento e punição dos comportamentos de espontaneidade, autonomia e desapego.

– Incompetência e incoerência maternas – respostas inadequadas e ditadas, não pelas necessidades da criança, mas pelas variações de humor da mãe.

– Mães narcísicas e simbiotizantes que tratam os filhos como objectos transitivos, não considerando as suas (deles filhos) próprias necessidades – que, portanto não satisfazem – e controlando-os e utilizando-os para e a seu bel-prazer.

– Falência do pai: ausência de um pai que não só preencha as falhas como corrija os erros maternos e ajude na desidealização da mãe.

Assim, podemos considerar duas ordens de factores causais preponderantes:

a) Pais intrusivos, abafantes, controladores, agressivos, e traumatizantes. Famílias fechadas.

b) Pais distantes, abandonantes, negligentes e rejeitantes. Famílias desunidas.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

Borderline - Entre a Dependência e a simbiose. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Borderline – Entre a Dependência e a Simbiose

A síndrome Borderline, em qualquer idade que se apresente – infância, adolescência ou adultícia -, traduz um conflito intrapsíquico não resolvido.

Esse conflito está relacionado com a separação, isto é, a dolorosa fixação do paciente num estado de certa dependência/simbiose da figura materna.

Com efeito, observou-se que as perturbações na fase do desenvolvimento afectivo-relacional – na subfase de reaproximação do processo de separação-individuação – são das mais influentes na génese da perturbação borderline.

A simbiose está em franco declínio, quase extinção, sendo assim um período sensível (crítico) à desafinação, delonga ou precipitação, omissão ou paradoxalidade das respostas de amparo, auxilio, atenção e reabastecimento narcísico.

Uma resposta desadequada ou estimulação inoportuna repetidas – mesmo que de pouca monta – instalam a falta de confiança nos outros e no próprio, e a instabilidade narcísea.

A relação patogénea (micro traumatismos acumulados), que destrói insensivelmente (água mole em pedra dura tanto bate até que fura”), é a causa mais frequente e em regra a mais grave que os grandes traumatismos isolados – porque menos reconhecível e por isso menos combatida ou evitada.

Os pais gratificam a simbiose/dependência e atacam os desejos, impulsos e comportamentos autónomos da criança.

Simbiose ou dependência, dissemos. Porquanto, algumas vezes é de verdadeira simbiose que se trata.

O outro elemento da díade (mãe/pai), fortemente unida, é também um simbionte em ligação simbiótica e simbiotizante com o filho.

Noutros casos, é uma dependência parasitária ou simplesmente passiva de uma pessoa que reduz a ansiedade.

De facto, a frequência com que encontramos, nestes doentes, uma mãe (pai ou ambos) com características simbiônticas – desejando, e vivendo predominantemente em simbiose – é enorme.

Isto leva-nos a considerar a importância etiológica na personalidade borderline do objecto maternante.

Assim, a simbiose da qual o paciente tem dificuldade em sair – ou na qual reentra por regressão – não é só produto de um período simbiótico infantil insuficiente ou insuficientemente vivido – por carência sistemática, abandono drásticos ou frequentes -, mas também da traça simbiôntica dos pais, que impede o desprendimento evolutivo e favorece o laço simbiótico.

São mães/pais que gratificam a simbiose/dependência e atacam os desejos, impulsos e comportamentos autónomos e autonomizantes da criança.

Toda a sua conduta de exploração e autonomia é sistematicamente reprovada e reprimida, ao mesmo tempo que é estimulado, valorizado e premiado o comportamento de aproximação e apego.

Logo, o percurso evolutivo é travado e distorcido por um predomínio do sistema de apego sobre o sistema de exploração.

É, vemo-lo, uma verdadeira colonização dos filhos; uma fábrica de gente casta, obediente, humilde e pobre. Mas que se revolta.

Submisso e rebelde, eis a dupla face do borderline.

À excessiva (em extensão e/ou intensidade) simbiose com a mãe, soma-se a carência paterna – por ausência ou indisponibilidade afectiva. O que, como é óbvio, não facilita a separação; pelo contrário, reforça a simbiose.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

Borderline - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Borderline – Uma Introdução

A baixa tolerância à frustração no borderline, enraizada em frustrações precoces e repetidas sem envolvimento afectivo compensador e reconfortante, está na origem de uma das características da sua personalidade – a passagem ao acto.

A relativa incapacidade de controlo dos impulsos e a ansiedade tendencialmente invasiva não são mais que derivados da referida inconstância da estrutura mental.

Na tendência ao acto impulsivo e não pensado ou realização imediata do cenário fantasmático que a resposta instintiva constrói (encenação agida, acting-out) pesa, por conseguinte, como significativo factor condicionante a insuficiente antecipação a médio e longo prazo.

 

O Borderline vive permanentemente em stress e ansiedade

 

É esta quase ausência de antecipação do futuro ou previsão – de mentalização antecipatória -, que explica o comportamento borderline.

Assim andará ao sabor das marés do humor (das antecipações negativas ou positivas momentâneas, do curto prazo) e dos ventos dos estímulos (dos factores do meio não processados por um programa pessoal de vida preexistente).

O Borderline vive permanentemente em stress e ansiedade: submetido a forças externas deformantes (stressores) e com medo do que vai acontecer.

Nesta situação, ou condição de existência, nada faz de construtivo; apenas reage para conservar o equilíbrio.

Deste modo não aprende com a experiência; repete e repete-se: dá a mesma resposta – de fuga/luta ou adaptação (consoante domina a disposição activa ou passiva) – e permanece no seu estilo bidimensional – retirada/eliminação ou conformismo; jamais elaboração mental e a construção do novo: o pensamento e a criação.

Uma das características nucleares da personalidade-limite é a ausência de relações complementares.

As relações, no borderline, são de completação e não de complementaridade. Alguém faz-me falta para me sentir completo, inteiro; mas não para formar uma nova unidade, o par.

O que falhou? – Uma relação de vinculação em que, sendo alguém para outro alguém, o fizesse alguém de significativo e de significante.

 

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

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