Mês: Janeiro 2020

Por que é tão importante desenvolver uma vinculação?

A vinculação não é importante, é vital.

No momento do nascimento, o recém-nascido é cem por cento imaturo, o que nos torna dependentes da nossa mãe ou da pessoa encarregue de cuidar de nós.

A figura principal de vinculação, geralmente a mãe, é a responsável por satisfazer as necessidades básicas do recém-nascido (fome, protecção, calor, sono, etc.).

Não é apenas uma questão de melhorar a vida da criança, mas permitir que ela sobreviva.

Os estudos científicos e a prática clínica levam-nos a concluir que os bebés e as crianças que tiveram figuras de vinculação que atendiam às suas necessidades são:

Mais auto-confiantes, mais autónomas, têm uma boa capacidade de resolução de conflitos, são mais resilientes, têm uma auto-estima maior, são valorizados no trabalho, nos relacionamentos e com os amigos. Enfim, são mais felizes.

Existem coisas importantes que uma figura de vinculação deve ter em conta:

– Explicitar o seu amor à criança

– Incentivar a sua autonomia

– Legitimar as emoções e ajudar a geri-las

– Dedicar tempo de qualidade aos filhos

– Atender às necessidades dos filhos

– Protegê-los de situações perigosas de maneira equilibrada (sem serem super-protectores)

– Estabelecer limites claros e respeitosos

 

Os adolescentes que têm um apego seguro tendem a ter uma auto-estima alta

 

É importante notar que a ideia de quanto mais melhor, é falsa. As crianças precisam apenas de estímulo suficiente.

Foi demonstrado que os adolescentes que têm uma vinculação segura tendem a ter uma auto-estima alta, enquanto os adolescentes que têm uma vinculação insegura tendem a ter uma auto-estima mais baixa.

Isso é generalizável para qualquer estágio vital. John Bowlby, pai da teoria da vinculação, referiu que a auto-estima de uma pessoa está intimamente relacionada com o seu estilo de apego.

 

Vinculação Insegura

As consequências de uma vinculação insegura são terríveis e para toda a vida, a menos que algo seja feito para repará-la.

Existem diferentes estilos de apego inseguro, mas, em geral, as consequências da falta de protecção ou a superprotecção e a não promoção da autonomia são:

A dificuldade ou incapacidade de ser autónomo em diferentes áreas da vida

Baixa auto-estima

Um sentimento constante de desprotecção

Autocrítica constante

Ansiedade, somatização, medos, insegurança

Incapacidade de regular as suas próprias emoções

Dificuldade em ser empático

Maior probabilidade de desenvolver uma adição

Dependência emocional.

 

Para especificar um pouco mais, as pessoas que têm uma vinculação insegura do tipo evitante têm medo da intimidade e da proximidade.

Enquanto na vinculação insegura do tipo ansioso ambivalente, a pessoa é insegura e pouco autónoma, necessitando de outras pessoas para desenvolver os seus projectos de vida.

 

A reparação da vinculação só pode ser feita num relacionamento vertical.

 

A vinculação insegura evitante é normalmente fruto de pais autoritários, enquanto a vinculação ansiosa ambivalente é mais frequente em ambientes superprotetores, onde não há promoção da autonomia.

 

 Razões para o aumento da vinculação insegura

Primeiro, destacamos a falta de tempo que os pais passam com os filhos.

Entre outras coisas, é resultado dos horários de trabalho e da hiperestimulação em que estamos imersos.

Tudo isto dificulta a dedicação de tempo de qualidade aos filhos.

Em segundo lugar, encontramos crianças que são super-protegidas ou que se desenvolvem em contextos de desprotecção.

Ambos os estilos educacionais têm consequências muito semelhantes.

Outros aspectos que influenciam são o ritmo vertiginoso a que as crianças estão sujeitas (em resultado de uma sociedade hiperactiva), ausência de limites, modelos parentais rígidos e autoritários em que não é permitida a expressão de emoções, superestimulação, uso abusivo das novas tecnologias em detrimento da conexão social e emocional.

 

Reparar a vinculação insegura

A vinculação insegura pode ser reparada, pois o cérebro é orientado e tende para a saúde mental. Por isso vamos sempre a tempo de reparar um apego inseguro.

Um aspecto essencial para a reparação da vinculação é que ela deve ser feita num relacionamento vertical, ou seja, não pode ser realizada pelos nossos amigos ou parceiros (relacionamentos horizontais).

As Relações verticais ocorrem em contextos psicoterapêuticos.

É claro que um amigo, um parente e um relacionamento podem trazer muitos aspectos positivos, mas não é possível reparar uma vinculação nesses contextos, somente em relacionamentos verticais (psicoterapeuta-paciente).

Adaptado por Pedro Martins a partir de uma a entrevista a Rafael Guerrero

A Satisfação Conjugal Depende do Desejo Sexual das Mulheres - Pedro Martins Psicoterapeuta/Psicólogo Clínico

A Satisfação Conjugal Depende do Desejo Sexual das Mulheres

O declínio do desejo sexual nas mulheres prediz menor satisfação para ambos os parceiros.

O casamento é projectado para consolidar a permanência de um relacionamento, no entanto, muitos cônjuges ficam insatisfeitos com o casamento.

Os pesquisadores identificaram uma (outra) fonte potencial dessa insatisfação:

– Uma incompatibilidade na forma como os desejos sexuais dos casais mudam ao longo do tempo (McNulty et al., 2019).

McNulty e os seus colegas avaliaram, em casais heterossexuais recém- casados, o desejo sexual, a frequência, a satisfação conjugal e outras dimensões, como o stress e sintomas depressivos.

Eles também observaram se os recém-casados ​​tiveram filhos no decorrer do estudo.

Em dois estudos longitudinais (um de um ano e outro de quatro anos), os pesquisadores descobriram que em média, os níveis de desejo sexual das mulheres eram não apenas inferiores aos dos homens no início dos seus casamentos, mas também com muito mais variações ​​que nos homens.

Os níveis de desejo sexual dos homens permaneceram mais altos e mais constantes que os das mulheres ao longo dos dois estudos.

Além disso, declínios do desejo sexual das mulheres prediziam um declínio na satisfação conjugal nos dois membros do casal.

Curiosamente, embora a libido das mulheres tenha diminuído ao longo do tempo, a frequência das relações sexuais dos casais não diminuiu.

Isto sugere que as mulheres, provavelmente, tinham relações sexuais mesmo quando não o desejavam.

Como os dados foram recolhidos ao longo do tempo, os autores também avaliaram a possibilidade inversa – que a satisfação conjugal em declínio era preditiva de menos desejo sexual. No entanto, isso não foi suportado pelos dados.

 

Em média os níveis de desejo sexual das mulheres são inferiores aos dos homens.

 

Para os casais que tiveram filhos durante o decorrer do estudo, o desejo sexual das mulheres diminuiu ainda mais acentuadamente, mas o dos homens ainda tendia a permanecer estável.

No entanto, os autores enfatizam que, como os casais sem filhos também apresentaram declínios, a paternidade não é o único factor a influenciar a libido das mulheres e a satisfação conjugal dos casais.

Os autores sugerem que o desejo sexual nas mulheres pode funcionar não apenas para facilitar a reprodução, mas também para favorecer a ligação dos casais.

Eles especulam que, uma vez casadas, as mulheres podem não sentir uma necessidade tão grande de sexo para garantir o vínculo com os maridos.

Os pesquisadores referem que os resultados podem ser diferentes em casais homossexuais. Em futuros estudos é importante considerar outros grupos e culturas.

Além disso, os casais do estudo eram todos recém-casados; portanto, os autores acreditam que as correlações podem mudar para casais mais velhos ou não-casados.

Os pesquisadores também recomendam estudar os factores que podem prevenir/impedir o declínio do desejo nas mulheres, como “estar mais disposto a reconhecer e a responder às necessidades sexuais de um parceiro, tendo consciência que o sexo dá trabalho e o desejo tem flutuações”.

Referem que uma incompatibilidade no desejo sexual nos casais é normal e típico e os casais podem procurar resolver esses problemas com um terapeuta.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de :

Relationship Satisfaction Is Closely Tied to Women’s Sexual Desire – Madeleine A. Fugère

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