Mês: Novembro 2018

10 Traços que Podemos Encontrar nos Pais Tóxicos. Pedro Martins Psicoterapeuta

10 Traços dos Pais Tóxicos

É muito difícil criar filhos e ninguém tem o direito de julgar quando se trata do estilo parental de alguém.

Há uma linha muito ténue entre os erros cometidos pelos pais e o comportamento inadequado dos pais tóxicos.

Este artigo pode ajudar a determinar e lidar com situações tóxicas que prejudicam a nossa vida.

1 – “Sê o melhor, mas não te esqueças que não és nada de especial.”

Os pais tóxicos esperam que os filhos tenham um desempenho ao mais alto nível.

No entanto, todas as realizações da criança são consideradas dentro do esperado, portanto, não valorizadas.

Os comentários desagradáveis podem destroçar a vida das crianças, porque crescem convictas que são uma decepção para os pais.

2 – “Aceite a nossa ajuda, mas pare de se aproveitar.”

Estes pais oferecem algo que os filhos, verdadeiramente, não precisam. Mas qualquer recusa gera ressentimento.

Os filhos pensam: “Os meus pais, provavelmente, querem companhia e sentir que são importantes”. Então, aceitam a ajuda, agradecem aos pais e oferecem algo em troca.

Mas não há final feliz porque os pais estão sempre a recordar aos filhos os “favores” que fizeram por eles.

Os filhos ficam reféns dos pais:
– Caso recusem a ajuda dos pais: os filhos sentem-se mal por recusar a ajuda de um parente
– Caso aceitem a ajuda dos pais: os filhos sentem que devem ser gratos aos pais pelo apoio e devem estar prontos para retribuir a ajuda a qualquer momento.

Quando crescemos com pais tóxicos podemos não reconhecê-los como tal.

3 – “Vá embora, mas não me deixe.”

Nas famílias saudáveis, os pais ajudam os filhos a sair de casa e viver a sua própria vida.

Os pais tóxicos nunca querem que os filhos saiam, mas estão sempre atirar à cara que a casa, o dinheiro e a comida são deles.

Qualquer tipo de objecção e argumentação dos filhos é ignorada.

O que estes pais realmente querem? Querem que os filhos sejam submissos e permaneçam ao seu lado!

4 -“Faz o que eu te digo, mas culpa-te a ti próprio se falhares.”

Neste caso, os pais tratam os filhos como um objecto: fazem os seus próprios planos e esperam que os filhos os acompanhem.

A propósito, eles não se importam com as consequências de controlar completamente a vida dos filhos. Se algo der errado, a culpa não é deles.

“Eu fiz tudo por ti”. Frase típica dos pais tóxicos.

5 – “Progrida mas esqueça os seus planos para o futuro.”

Os pais querem que os filhos sejam bem-sucedidos, mas não consideram a forma como isso será feito.

Por exemplo, podem esperar que os filhos construam uma carreira de sucesso desde que nunca saiam de casa.

Os pais narcisistas ficam entusiasmados com as conquistas dos filhos por dois motivos:
– Gostam de se gabar do sucesso (que sentem como seu) dos filhos para que os outros os invejem.
– Filhos bem-sucedidos garantem uma vida melhor para os pais.

Ao mesmo tempo, existem outros pais que estão sempre a lembrar aos filhos que existe uma enorme distância entre os seus desejos a realidade.

Aos poucos os filhos vão interiorizando o pensamento dos pais: “Para quê sonhar alto se os sonhos não se podem realizar?!”

6 – “Confie em mim, mas… cuidado”

Vida privada? Espaço pessoal? Não existem para os filhos de pais tóxicos.

Se você tentar restringir o acesso dos seus pais ao seu “território pessoal”, eles vão acusá-lo de não confiar neles.

Mesmo na sua própria casa um filho adulto não está protegido, uma vez que estes tipos de pais não usam as chaves sobresselentes apenas em caso de emergência.

Os filhos devem responder a todas as perguntas – “Porque não lavaste a chávena?” ou “Porque gastaste dinheiro nessa porcaria?”

Estes pais não respeitam as vidas e as decisões pessoais dos filhos.

7 – “Nem vale a pena tentares porque não chegas lá.”

Quanto mais baixa a auto-estima de uma criança, mais fácil é controlá-la.

Os pais tóxicos discorrem sobre as falhas e os defeitos dos filhos e, na maioria dos casos, comentam a sua aparência, porque é uma das questões mais delicadas, principalmente, nos adolescentes.

Se não existem “defeitos óbvios”, os pais, simplesmente, inventam-nos, e com isso, os filhos vão desenvolvendo sentimentos de inferioridade.

São pais que têm muita dificuldade em aceitar o sucesso e a força de vontade dos filhos.

Relacionamentos com pais tóxicos podem ser difíceis de cortar. Você pode precisar de se distanciar para criar os limites que não consegue estabelecer directamente com eles.

8 – “Partilha comigo, mas não te sintas ridicularizada.”

Os pais narcísicos obrigam os filhos a contar-lhes tudo e às vezes fazem-nos sentir culpados por não compartilharem os seus sentimentos.

Mais tarde, essa mesma informação é usada contra os próprios filhos.

Parentes, vizinhos e outras pessoas estão a par de tudo o que a adolescente compartilhou com os pais. E, os pais, realmente, não vêm nada de errado nisso.

9 – “Você tem que lidar com os problemas dos adultos, mas ainda não tem direitos.”

Nas famílias tóxicas, os pais compartilham os seus problemas e as suas responsabilidades com os filhos.

As crianças são arrastadas para situações para as quais não estão preparadas.

Os adolescentes são obrigados a ouvir as queixas dos pais, ajustar-se a uma “situação complicada”, colocar-se no lugar dos pais, ajudar, tolerar e consolar.

Infelizmente, nestes casos, os filhos não têm o direito de expressar a sua opinião. Só são considerados maduros para aquilo que interessa aos pais.

10 – “Tenha medo de mim, mas ame-me.”

Para os pais tóxicos, um ataque emocional é sinónimo de amor e atenção.

Nestas famílias, as crianças conseguem perceber o estado de espírito dos pais pelo som que fazem ao pousar as chaves quando chegam a casa, ou pela forma como arrastam os pés ao caminhar.

Estas crianças vivem em constante medo e apreensão.

Estes pais, geralmente, ficam ofendidos quando as suas acções (supostamente) amáveis são olhadas com desconfiança.

Recorrem com frequência ao: “Eu fiz tudo por ti, e tu és tão ingrato”.

Os pais tóxicos não querem que os filhos saiam de casa, mas estão sempre atirar à cara que a casa, o dinheiro e a comida são deles.

Como lidar com pais tóxicos?

É muito difícil libertar-se de uma atmosfera tóxica – mesmo para adultos!

No entanto, aqui ficam algumas sugestões que podem ajudar a proteger os limites pessoais e a salvar um relacionamento.

Primeiro, precisamos perceber os seguintes factos:

Nós não podemos mudar o passado.

Um relacionamento tóxico é como uma espécie de doença crónica – é muito difícil curá-la, então é melhor evitar qualquer tipo de complicação.

As recomendações baseiam-se no entendimento de que cada pessoa tem dos seus próprios direitos e necessidades.

Você tem o direito de:

Viver na sua própria casa com as suas próprias regras.

Não tomar parte na resolução de problemas de outros parentes.

Limitar o acesso ao seu espaço.

Pensar pela sua cabeça e ignorar seus pais quando eles disserem “Eu sei o que é melhor para ti”.

Gerir os seus recursos: dinheiro, tempo e esforço.

Escolher os seus interesses pessoais em detrimento dos dos seus pais.

Adaptado a partir de “10 traits of toxic parents who ruin their children’s lives without realizing it”

Illustrated by Marat Nugumanov for BrightSide.me

Porque se Evita Falar de Desejos Sexuais- Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que se Evita Falar de Desejos Sexuais?

O conflito é inevitável nos relacionamentos. Você gostaria de economizar mais dinheiro para o futuro, mas o seu parceiro gostaria que os dois aproveitassem mais a vida agora. Você acha que o seu companheiro é muito duro com as crianças, mas o seu parceiro acha que você é demasiado tolerante. Você acha que já faz mais que a sua parte das tarefas domésticas, mas o seu parceiro acha que você não faz o suficiente.

Frequentemente, os casais discutem sobre questões como estas e, muitas vezes, podem encontrar soluções para as divergências.

Os casais que conversam sobre questões sexuais estão mais satisfeitos com os seus relacionamentos

No mínimo, quando falam sobre os seus problemas, percebem melhor as preferências dos parceiros. Mas há uma área de conflito que muitos casais evitam discutir a todo o custo: diferenças nos desejos sexuais.

Várias pesquisas mostram que os casais que conversam abertamente sobre questões sexuais estão mais satisfeitos com os seus relacionamentos. No entanto, muitas pessoas preferem suportar uma vida sexual infeliz do que ter a temida conversa.

Porque é que tantas pessoas têm medo de dizer ao parceiro quais são os seus desejos sexuais?

Esta é a pergunta que a psicóloga Uzma Rehman e os seus colegas exploraram num estudo recente sobre comunicação de conflitos nos casais.

A comunicação de conflitos é sempre difícil, em grande parte porque estamos motivados para evitar emoções negativas. Os ânimos aquecem e as pessoas magoam-se.

Assim como evitamos ir ao dentista apesar duma dor de dentes, evitamos conversar com o nosso parceiro sobre questões delicadas. Então deixamos os problemas alastrarem-se.

Com os problemas não sexuais tendemos a chegar a um ponto em que, “rebentamos” e deixamos sair tudo.

As discussões podem ser saudáveis, sobretudo, quando a discussão permanece focada no assunto em questão e não é usada para desferir ataques.

Mesmo os casais que são razoavelmente bons a resolver vários tipos de conflito ficam presos quando se trata de discutir problemas sexuais.

Em vez de comunicarmos as nossas preferências e perguntar quais são as dos nossos parceiros, seguimos padrões culturais sobre como é suposto o acto sexual acontecer.

Apesar do nosso desejo de ruptura com a rotina, conservamos as fantasias para nós mesmos. Não é de admirar que as nossas vidas sexuais se tornem desenxabidas depois de anos de casamento.

Encontrar coragem para falar dos seus desejos sexuais pode impulsionar o relacionamento.

Pesquisas anteriores mostraram que os casais evitam a comunicação de conflitos porque os percepcionam como três formas de ameaça diferentes:

Ameaça ao relacionamento. As pessoas temem que a discussão sobre o conflito danifique irremediavelmente a relação. Noutras palavras, valorizam os seus relacionamentos mesmo quando não são felizes.

Então, preferem não dizer nada, a arriscar um conflito que poderia levar a uma melhoria na relação, mas que também poderia destruí-la.

Ameaça ao parceiro. As pessoas temem que a discussão sobre conflitos possa magoar os seus companheiros.

Ou seja, preocupam-se com o bem-estar dos seus companheiros, mesmo quando não estão felizes com a maneira como o relacionamento corre.

Mais uma vez, preferem viver nesse estado do que fazer com que o seu parceiro se sinta desconfortável, mesmo com a possibilidade de melhorar as coisas.

Ameaça para si mesmo. As pessoas temem que a discussão sobre conflitos as torne vulneráveis.

Se revelam muito sobre si mesmos, ficam preocupados com o facto de o seu companheiro os desaprovar ou fazer com que se sintam envergonhados.

Precisamos da aprovação do nosso parceiro, mas o medo de perdê-lo é a principal razão pela qual as pessoas evitam falar sobre assuntos delicados.

No seu estudo, Rehman e os seus colegas, pediram às pessoas com relacionamentos sérios que se imaginassem numa situação de conflito com o companheiro. O cenário envolvia uma questão não sexual sobre a divisão de tarefas domésticas e uma questão sexual sobre os envolvimentos íntimos.

Depois disso, os parceiros responderam a um questionário que media a sensação de ameaça ao relacionamento, ao parceiro e a si próprio.

Por um lado, os resultados mostraram que os conflitos sexuais são semelhantes aos conflitos não sexuais, em que todos os três tipos de ameaças percebidas eram altos.

Por outro lado, os argumentos sexuais resultaram em níveis ainda mais elevados de percepção de ameaça ao próprio do que os confrontos não-sexuais.

As pessoas não falam sobre questões sexuais é porque consideram uma ameaça a si mesmas

Em suma, este estudo mostrou que a principal razão pela qual as pessoas evitam falar com os seus companheiros sobre questões sexuais é porque elas consideram essa discussão como uma ameaça a si mesmas.

Com base nas respostas deste estudo e noutros, podemos apontar algumas razões pelas quais os casais se afastam das discussões sobre questões de intimidade.

Primeiro, por razões culturais, o sexo é um assunto embaraçoso, por isso evitamos, de todo, falar sobre isso. Ou então, aliviamos a tensão transformando as discussões sexuais em piadas.

Mesmo dentro de relacionamentos sérios, tendemos a ver o sexo como lascivo e por isso não falado.

Em segundo lugar, a educação sexual é, lamentavelmente, inadequada. Embora tenhamos noções sobre como o acto sexual deve ocorrer, poucos de nós entendemos a amplitude e o impacto que as actividades sexuais têm para os seres humanos.

Portanto, temos dificuldade de compreender os nossos impulsos sexuais, e não dispomos de vocabulário para comunicá-los aos nossos companheiros.

Por causa do nosso constrangimento e ignorância no que diz respeito às questões sexuais, sentimo-nos especialmente vulneráveis ao revelar as nossas fantasias secretas.

Como achamos que os nossos desejos são estranhos, assumimos que nosso parceiro pensará o mesmo.

As pessoas que têm coragem de discutir questões de intimidade com os companheiros geralmente são mais felizes nos relacionamentos.

Mas aprender a superar toda uma vida de constrangimento sobre sexo e desenvolver um vocabulário adequado exige esforço.

Apesar de o conflito ser inevitável nas relações e os casais fugirem deles, as questões de intimidade estão entre as mais difíceis de abordar.

O conflito em si não é um sinal de que algo corre mal na relação. Pelo contrário, se ambos os parceiros abordarem a discussão com a vontade de resolver a questão, o relacionamento será fortalecido.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de: “Why You Won’t Talk About Sexual Issues With Your Partner” – David Ludden. Ilustração Lumi Mae

 

Síndrome do Cólon Irritável Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Síndrome do Cólon Irritável

A síndrome do cólon irritável, também conhecida por colite nervosa, é uma doença do intestino que gera uma quantidade …

Intimidade Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Intimidade

Duas pessoas só podem construir um verdadeiro sentimento de intimidade a partir da riqueza da experiência interior de cada …

O Medo de Ser Mau na Cama Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

O Medo de ser Mau na Cama

Em momentos de baixa auto-estima, pode ser difícil evitar o medo de que se possa – e isso pode explicar certos altos …