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Psicoterapia

Três formas das mulheres heterossexuais escolherem os homens errados. Pedro Martins Psicólogo Clínico

Três formas das mulheres heterossexuais escolherem os homens errados

Se você está à procura de um relacionamento de longo prazo, esteja ciente dos seus instintos.

Muitas mulheres heterossexuais ficam frustradas com a procura de um parceiro para um relacionamento a longo prazo.

Pode ser útil que as mulheres reconheçam quando são atraídas por homens que dificilmente permanecerão em relações duradouras.

 

Atracção física

Embora seja difícil que algumas mulheres admitam, a atractividade física é importante.

As mulheres heterossexuais são indubitavelmente atraídas por homens com boa aparência (Eastwick e Finkel, 2008; Kurzban e Weeden, 2005; Sprecher, 1989).

Parte da atração por homens fisicamente atraentes pode ser inconsciente (Eastwick et al., 2011) e baseada na evolução (homens atraentes podem possuir genes de melhor qualidade, ver Perrilloux et al., 2010).

Também podem sentir-se atraídas por outras qualidades positivas que parecem andar de mãos dadas com a atractividade física, como melhores personalidades e experiências de vida mais ricas (Dion et al., 1972; Griffin e Langlois, 2006).

 

As mulheres heterossexuais são indubitavelmente atraídas por homens com boa aparência

 

No entanto, se está à procura de relacionamentos estáveis ​​a longo prazo, pode ser melhor não procurar homens atraentes.

Homens muito atraentes e masculinos são mais propensos a serem infiéis às suas parceiras (Rhodes et al., 2012).

Além disso, homens altamente atraentes têm maior probabilidade de se divorciarem das suas esposas, talvez porque tenham menos capacidade de resistir a oportunidades de se envolver com novas parceiras em potencial (Ma-Kellams et al., 2017).

 

Uma voz sexy

 

As mulheres são frequentemente atraídas por homens com vozes sensuais.

As mulheres tendem a preferir vozes mais profundas e masculinas nos homens, uma característica associada a níveis mais altos de testosterona (Simmons, et al., 2011).

A atractividade vocal e a atractividade física geralmente correspondem; homens cujas vozes são julgadas como mais atraentes também tendem a ser classificados como tendo rostos mais atraentes (Saxton et al., 2006).

Da mesma forma, homens com vozes atraentes também são mais simétricos (a simetria corporal também está ligada à qualidade genética e à atractividade física, ver Hughes et al., 2002).

Espera-se também que indivíduos classificados como tendo vozes mais atraentes tenham personalidades mais agradáveis ​​(Zuckerman et al., 1991).

 

As mulheres são frequentemente atraídas por homens com vozes sensuais.

 

Embora as mulheres heterossexuais possam preferir parceiros masculinos com vozes sensuais, homens com vozes atraentes tendem a ter mais parceiras sexuais e são mais propensos a serem infiéis durante os relacionamentos de longo prazo (Gallup & Frederick, 2010).

A atractividade vocal não está apenas associada à probabilidade de ter um caso; está associado a um maior risco de ter vários casos, bem como a um maior risco de fazer sexo com uma parceira que já está noutro relacionamento, um fenómeno conhecido como “mate poaching” (Hughes et al., 2004).

Embora as vozes sensuais pareçam apelativas, como os homens altamente atraentes discutidos acima, homens com vozes muito sensuais podem ser melhores parceiros a curto prazo do que a longo prazo.

 

Homens comprometidos

Curiosamente, as mulheres heterossexuais são frequentemente atraídas por homens comprometidos.

Essa situação é designada de “mate-choice copying” e também ocorre noutros animais, por exemplo, peixes e aves (Uller e Johansson, 2002).

Nos seres humanos, o interesse de outras mulheres indica que um homem tem qualidades desejáveis ​​- em certo sentido, ele está “pré-validado”.

A preferência por homens comprometidos é mais forte quando os homens têm namoradas do que esposas (Schmitt e Buss, 2001).

No entanto, para relacionamentos de longo prazo, pode não ser a melhor ideia, envolver-se com homens que já têm parceiras.

Se esses homens estiverem dispostos a deixar as suas parceiras por você, eles podem reagir da mesma maneira quando outra nova parceira em potencial aparecer.

 

As mulheres heterossexuais são frequentemente atraídas por homens comprometidos

 

Uma maneira de evitar “mate-choice copying” pode passar por ter mais experiência sexual.

Waynforth (2007) sugere que mulheres com mais experiência sexual não sentem a necessidade de copiar as escolhas; ter mais confiança nas suas próprias escolhas de parceiros pode reduzir o impulso de copiar as escolhas de outras pessoas.

 

Namorar os homens certos

Se você está à procura de um relacionamento de curto prazo, um homem fisicamente atraente com uma voz sexy pode ser o parceiro perfeito para si.

No entanto, se você estiver à procura de um relacionamento a longo prazo, pode ser útil procurar homens com outras características, igualmente desejáveis.

O respeito mútuo parece ser crucial para uma parceria de sucesso a longo prazo.

De facto, existe uma relação mais forte entre o respeito e a satisfação em relacionamentos a longo prazo do que com o amor por um parceiro (Frei e Shaver, 2002).

A honestidade também está associada a melhores resultados nos relacionamentos de longo prazo e a maior bem-estar (Brunell et al., 2010).

Em termos de atractividade física, casais que se parecem uns com os outros ao nível da atractividade física parecem ter parcerias mais longas e estáveis ​​(Feingold, 1988).

Além disso, à medida que conhecemos, gostamos e nos respeitamos mais uns aos outros, a atractividade física torna-se menos importante no início e na manutenção de um relacionamento de longo prazo (Hunt et al., 2015).

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de: Three ways heterossexual women choose the wrong men – Madeleine A. Fugère

Raciocínio Motivado Por que vemos o que queremos ver Pedro Martins Psicoterapeuta

Raciocínio Motivado – Por Que Vemos o Que Queremos Ver?

A Neuropsicologia do Raciocínio Motivado

Uma vez Obi-Wan Kenobi aconselhou Luke Skywalker a não confiar nos seus olhos, porque “os teus olhos podem enganar-te”.

A maioria de nós pode lembrar-se de um exemplo em que os nossos olhos nos enganaram e viram o que eles queriam ver:

Uma pessoa em que estávamos a pensar, ao longe, numa rua movimentada; uma pedra em forma de coração que procurávamos na praia.

Há décadas que este fenómeno – Raciocínio/Percepção Motivado -, é investigado.

De facto, o mundo como o concebemos na nossa consciência não é exactamente uma representação precisa do que ele realmente é.

A nossa percepção é frequentemente tendenciosa, selectiva e maleável.

Os nossos desejos podem afectar o que vemos, condicionando a maneira como processamos as informações visuais.

Num estudo de 1954, quando estudantes de universidades rivais assistiam a um jogo de futebol entre as suas equipas, houve discussão, uma vez que os estudantes disseram ter visto mais faltas cometidas pela equipa adversária.

 

Os nossos desejos e objectivos têm uma influência incontestável nas nossas vidas.

 

Por que somos propensos a ver o que queremos ver?

Pesquisas recentes publicadas na Nature Human Behavior demonstram como as nossas motivações e desejos podem dar origem a dois tipos de viés:

Um viés perceptivo (quando as nossas motivações influenciam de cima para baixo as nossas percepções) e um viés de resposta (quando relatamos ter visto o que queremos ver).

O estudo efectuado por investigadores da universidade de Stanford explora como esses vieses afectam as nossas percepções.

O estudo

Enquanto estavam a fazer uma ressonância magnética, os participantes realizaram uma tarefa de categorização visual.

Foram-lhes apresentadas imagens compostas que mostravam uma mistura de um rosto (masculino / feminino) e uma cena (interna / externa) em diferentes dimensões.

Os participantes tiveram quatro segundos para decidir se a imagem tinha “mais rosto” ou “mais cena”, ganhando dinheiro por cada categoria acertada.

 

Os nossos desejos podem afectar o que vemos.

 

Os pesquisadores, então, manipularam a motivação dos participantes para verem um tipo de imagem em detrimento de outra (por exemplo, um rosto sobre uma cena), informando-os que eles poderiam ganhar (ou perder) dinheiro extra se a próxima imagem que eles vissem fosse de uma categoria específica (uma face).

Os resultados mostraram que os participantes tenderam a demonstrar vieses nos seus julgamentos perceptivos, alinhados com as suas motivações e desejos.

Nomeadamente, eles tendiam a rotular as imagens ambíguas como exibindo a categoria associada à recompensa (face).

Isso ocorreu mesmo quando as suas percepções estavam incorrectas, levando a perdas monetárias.

Assim, o desejo de ver uma certa imagem afectou o julgamento dos participantes, reflectindo um viés perceptivo e de resposta – eles não apenas tendiam a referir o que desejavam ver, mas também eram mais propensos a realmente ver o que queriam ver.

 

Como fazemos julgamentos perceptivos?

Como é que os participantes do estudo decidiram se estavam a olhar para um rosto ou uma cena?

Tudo começa nos olhos. A informação viaja dos olhos para o córtex visual primário no lobo occipital do cérebro.

Uma teoria sugere que a informação é processada em duas vias visuais: a via ventral, que se pensa ser responsável por codificar o que estamos a ver; e a via dorsal, pela percepção das localizações onde ocorre o evento visual.

Na via ventral, existem áreas específicas contendo neurónios que são mais selectivos para a percepção de rostos e neurónios mais especializados em cenas.

Um julgamento perceptivo pode ser feito através da comparação da actividade dos neurónios mais selectivos para a percepção de faces e os neurónios mais selectivos para a percepção de cenas:

A região que mostra mais actividade deve “vencer” e a categoria representada por esses neurónios deve ser seleccionada.

 

A nossa percepção é frequentemente tendenciosa, selectiva e maleável.

 

O que os resultados do presente estudo sugerem é que os neurónios nessas regiões também podem ser influenciados por sistemas de atenção e recompensa.

De facto, os pesquisadores foram capazes de investigar os mecanismos neuronais correspondentes dos dois vieses e explorar como a motivação dos participantes para ver uma categoria (face) sobre a outra (cena) influenciou os seus julgamentos perceptivos.

Como tal, maiores vieses motivacionais estavam ligados a mais actividade neuronal nas áreas visuais ventrais do cérebro, enquanto a actividade no núcleo accumbens – uma região central do sistema de recompensa do cérebro – correlacionava-se com os vieses de resposta dos participantes.

Os nossos desejos e objectivos têm uma influência incontestável nas nossas vidas.

Como a pesquisa demonstra, essas influências afectam não apenas a nossa cognição, emoções e comportamento, mas também – literalmente – como vemos o mundo.

Segundo Yuan Chang Leong, o seu estudo tem duas implicações importantes.

A primeira tem a ver com a nossa representação do mundo. “Na maioria dos casos, gostaríamos de ter uma visão objectiva da realidade para fazer julgamentos precisos com base em evidências objectivas.

Se estivermos cientes de como os desejos pintam a nossa percepção, podemos tomar medidas para corrigir mentalmente o viés ”, refere Leong.

A segunda implicação diz respeito à maneira como nos relacionamos com os outros – em particular aqueles que não compartilham os nossos desejos e crenças:

“Sabendo que os outros podem realmente estar a ver as coisas de maneira diferente de nós, e nenhum de nós está necessariamente mais próximo da realidade objectiva, seriamos mais capazes de simpatizar com a forma como agem e se sentem.”

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de: Why we see what we want to see – Marianna Pogosyan

Casamento - Casei-com-a-pessoa-errada.-Pedro-Martins-Psicoterapeuta

Casamento: Casei Com a Pessoa Errada?

“Não há nada de errado em se ter casado com a pessoa errada” – Alain de Botton

Alain de Botton analisa a questão do casamento a partir de uma perspectiva politicamente incorrecta, mas muito lúcida:

“Ninguém é perfeito. O problema é que, antes do casamento, raramente entramos na nossa própria complexidade.

O casamento acaba por ser uma espécie de aposta esperançosa feita por duas pessoas – que ainda não sabem bem quem são nem em quem se converterão -, que se unem tendo em vista um futuro que são incapazes de conceber e tiveram o cuidado de evitar investigar.”

De acordo com este pensamento, José Abadi refere que:

“Todos os relacionamentos implicam um risco, que tem a ver com o imponderável e o imprevisível.

Não existe um ideal, vivemos a aceitar as imperfeições recíprocas para nos aproximarmos da felicidade possível.”

 

O problema é que, antes do casamento, raramente entramos na nossa própria complexidade.

 

A ideia da cara-metade é um estereótipo do passado?

Ao longo do tempo, a ideia de casamento estava ligada a questões mais racionais do que sentimentais.

Mas o casamento da “razão” foi perdendo para o casamento com base em sentimentos, refere Botton.

A boa notícia é que não importa se damos conta de que casámos com a pessoa errada.

Não devemos abandonar essa pessoa, mas a ideia romântica sobre a qual a compreensão ocidental do casamento se tem baseado nos últimos 250 anos:

-Existe um ser perfeito que pode satisfazer todas as nossas necessidades e todos os nossos desejos.

Séculos atrás, um casal formava uma família e o amor não era o objectivo fundamental desse vínculo.

Actualmente as famílias assentam no amor – ou, pelo menos, tentam. No entanto, o amor é problemático porque não está garantido.

O erro é acreditar na existência da pessoa certa, explica o psicanalista Any Krieger. “É um erro esperar que o outro preencha as nossas faltas”.

 

“É um erro esperar que o outro preencha as nossas faltas”.

 

“Não há nada mais importante do que aceitar e admitir a complexidade de quem somos.

Temos aspectos negativos e positivos, temos luzes e temos sombras.

Temos traços do nosso carácter que resolvemos de maneira saudável e temos conflitos que continuam a aprisionar-nos.

Aprender a aceitar a imperfeição e até mesmo transformar essa falha em algo simpático e atraente é uma das chaves para o amor.”

Pelo contrário, o outro sinaliza essa falta, mostra a nossa incompletude, refere Krieger.

Outra forma de desmistificar o amor ideal é proposta por Arthur Aron, psicólogo americano que refere que com uma conversa profunda, íntima e sincera, com base num teste padronizado de 36 perguntas, duas pessoas podem terminar juntas.

Durante o processo de averiguação da eficácia do teste de Aron, dois participantes acabaram por casar.

A primeira das 36 perguntas é simples:

“Se eu pudesse convidar qualquer pessoa para uma refeição, quem convidaria?”.

A última pergunta aponta para um nível muito mais profundo de entendimento e intimidade:

“Compartilhe um problema pessoal e peça ao seu interlocutor para lhe dizer como ele ou ela teria agido para resolvê-lo. Pergunte-lhe também como ele acha que você se sente em relação ao problema que você partilhou. ”

De Botton sugere que nos primeiros encontros escondemos muito do que somos:

Numa sociedade mais sábia e consciente de si mesma do que a nossa, uma pergunta comum num dos primeiros encontros seria: ‘E tu, que problemas tens?’

 

Esperar-o-pior-pode-levar-ao-pior.-Pedro-Martins-Psicoterapeuta

Esperar o Pior Pode Levar ao Pior

Um novo estudo mostra como os neuróticos criam as suas próprias profecias auto-realizáveis. Esperar o pior pode levar ao pior.

Você está prestes a encontrar-se com uma pessoa que conheceu online, talvez um futuro namorado; a ir a uma entrevista de emprego solicitada por uma empresa.

Inegavelmente, estas parecem ser grandes oportunidades, mas elas podem despertar muitas questões e medos internos.

Eles vão gostar de você o suficiente para avançar para um relacionamento, romântico ou profissional?

O que fará quando se encontrar com eles?

Você pensa nos momentos em que falhou em situações semelhantes e só consegue imaginar que as coisas vão correr mal.

Se disser a coisa errada a decepção será ainda maior.

E se deixar as suas crenças políticas escaparem na conversa, apenas para descobrir que essa pessoa pensa exactamente o oposto?

E se a sua mente ficar em branco quando tentar responder a uma pergunta importante?

 

As crenças negativas fazem com que as pessoas vejam as suas experiências através de um conjunto distorcido de percepções.

 

De acordo com a teoria cognitiva das emoções, a manutenção das crenças disfuncionais impedem as pessoas de vivenciarem a felicidade e leva-as a sentirem-se deprimidas e ansiosas.

Estas crenças disfuncionais incluem:

– Ideias de que as outras pessoas não gostam de você;

– Esperar o pior numa nova situação;

– Usar as ocasiões em que não teve sucesso como prova de que nunca terá êxito no futuro.

Segundo a teoria cognitiva as crenças negativas que você mantém sobre si mesmo fazem com que veja as suas experiências através de um conjunto distorcido de percepções.

 

O que faz manter as percepções negativas?

1 – Você teve tantas experiências negativas no passado que se acostumou ao fracasso e agora ele está enraizado na sua identidade.

2 – Os traços de personalidade distorcem as suas percepções de uma forma que impossibilitam que você tenha expectativas de que alguma coisa boa lhe vai acontecer.

Um estudo de Wilson McDermut e al. refere que os traços neuróticos de personalidade desempenham um papel importante ao afectarem as crenças disfuncionais das pessoas e, como resultado, a felicidade delas.

Em suma, a sua personalidade pode muito bem preparar o terreno para você ter crenças que atrapalhem o seu sucesso e felicidade. A questão é como.

O estudo de McDermut et al. sugere que a tendência para manter percepções distorcidas sobre si mesmo e das suas capacidades, e expectativas negativas parece mais provável de se desenvolver em pessoas cuja personalidade tende a olhar o mundo com preocupação e ansiedade.

Se crenças disfuncionais que indivíduos altamente neuróticos mantêm forem abordadas através de uma intervenção, então é possível ajudá-los a reverter o processo e desenvolver crenças renovadas nas suas capacidades.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de: “Expecting the Worst Can Lead to the Worst If You’re Neurotic” – Susan Krauss Whitbourne

Mães emocionalmente indisponíveis

Mãe Emocionalmente Indisponível

Mãe Emocionalmente Indisponível

“Acho que literalmente ansiava por amor e atenção quando era criança.

Quanto mais a minha mãe se afastava, mais frenética me tornava. Comecei a comportar-me mal porque sabia que assim ela me daria atenção, mesmo que isso significasse ser castigada.

Parece estranho, mas foi o que eu fiz. Ao não conseguir ter o amor, lutei para ter a raiva dela. Pelo menos, naqueles momentos, ela estava lá.” – Natália

Outra mulher descreve o que fazia para ter a mãe emocionalmente presente:

“Quando eu era muito jovem percebi que a minha mãe gostava de fazer de enfermeira.

Isso fazia com que se sentisse importante e reconhecida, coisa, que eu acho, não acontecia no seu dia-a-dia.

Alguns dos momentos mais felizes da minha infância estão entrelaçados com bronquite, acredite ou não.

Quando eu estava doente, ela tinha de me incluir na interminável lista de tarefas das quais ela se queixava constantemente.

Mas na maior parte do tempo, ela ignorava-me.”

 

O anseio por amor e atenção da mãe emocionalmente indisponível é a marca registada desta filha

 

Identificar uma mãe emocionalmente indisponível

Os filhos destas mães foram emocionalmente negligenciados, embora possam ter dificuldade em reconhecê-lo, pois as suas necessidades externas não foram apenas satisfeitas adequadamente, mas também, consideradas com atenção.

Estas mães tratam das coisas de forma escrupulosa; as casas impecavelmente organizadas e as crianças bem aprumadas.

Embora possam ser muito boas a tratar da casa e muito activas nas suas comunidades, elas não prestam atenção às necessidades emocionais dos filhos, nem aos seus sentimentos.

Estas mães podem, elas próprias ter uma vinculação evitante ou, simplesmente, não gostarem das exigências da maternidade.

Alexandra refere:

“A minha mãe não respondia às minhas necessidades e quanto mais carente me sentia, menos atenção me dava.

Ela via o choro como um sinal de fraqueza e acusava-nos disso.

Cedo aprendi a pedir pouco porque era realmente melhor quando não fazia exigências.

O meu irmão e eu reagíamos a ela da mesma forma, e só na minha adolescência, quando vi as mães dos meus amigos a agirem é que percebi o quanto a minha mãe era fria.

Eu fiz psicoterapia durante alguns anos e ainda tenho dificuldade em pedir ajuda, carinho ou qualquer outra coisa. Tenho 45 anos e ainda sou muito defensiva.”

 

Como uma mãe emocionalmente indisponível o pode afectar

Ao contrário da mãe controladora ou de uma pessoa com traços narcísicos que deliberadamente faz do filho um satélite a circular à sua volta, a mãe emocionalmente indisponível faz isso sem querer.

Na verdade ela só quer ter uma relação a um nível superficial.

 

Parece estranho, mas foi o que eu fiz. Ao não conseguir ter o amor, lutei para ter a raiva dela. Pelo menos, naqueles momentos, ela estava lá.” – Natália

 

O anseio por amor e atenção da mãe é a marca registada desta filha, e ela lidará com isso eliminando as suas emoções e necessidades emocionais, consciente e inconscientemente, ou tornando-se subordinada a esse anseio.

Aqueles que se revestem de armaduras sofrem de problemas de confiança, dificuldade em manter uma ligação e problemas para identificar sentimentos, e têm um estilo de vinculação evitante.

Aqueles que estão subordinados pelos seus anseios continuam a tentar chamar à atenção das suas mães, por vezes, recorrendo a substitutos pouco saudáveis para preencher o vazio nos seus corações.

Reconhecer a negligência emocional que se sofreu é, frequentemente, um caminho longo, como explicou uma filha de 43 anos:

“Quando eu ouvia as palavras ‘negligência emocional’, imediatamente pensava em alguém que era pobre e morava numa barraca, porque eu pensava que negligência emocional era parte de não ter coisas suficientes.

Mas agora percebo perfeitamente que se pode ser emocionalmente pobre e viver numa casa linda, com piscina e court de ténis.

A minha mãe nunca me deu uma palavra de apoio ou validação e levei vinte anos para perceber que aquilo que sentia em relação à minha infância era real.

Você pode estar esfomeado com o frigorífico cheio de comida e negligenciado com um armário cheio de roupas novas e dinheiro para gastar.

Demorei muito tempo para conseguir acreditar em mim mesma.”

 

Reconhecer a negligência emocional que se sofreu é, frequentemente, um caminho longo.

 

Enredado na confusão

Um dos enigmas para as filhas de mães emocionalmente indisponíveis é o intrigante fenómeno de como a mãe pode estar fisicamente presente e completamente ausente do ponto de vista emocional.

Para a criança pequena, isto é mentalmente confuso e, à medida que a criança amadurece, ela pode permanecer assim e desenvolver uma profunda insegurança.

Provavelmente, perguntará se há algo errado com ela. Ela é demasiado carente ou exigente? Está pedindo demais?

Ou pode perguntar se está apenas a inventar. Essas perguntas podem atormentar uma filha durante a vida adulta, como explicou Laura:

“Uma parte de mim queria que a minha mãe fosse má de maneiras que pudessem ser vistas – barafustando e gritando ou talvez até mesmo bater-me, mas isso nunca aconteceu.

À superfície, ela parecia ser uma óptima mãe e, acredite em mim, toda a gente pensava assim.

Mas ela nunca realmente me ouviu ou se importou verdadeiramente comigo.

 

A minha mãe nunca me deu uma palavra de apoio ou validação e levei vinte anos para perceber que aquilo que sentia em relação à minha infância era real.

 

Ela era inacessível e fria. Eu lutei durante anos, pensando que a culpa, de alguma forma, era minha.

Quando me casei, entrei em choque quando encontrei a família do meu marido pela primeira vez.

Francamente pensei que a mãe dele estava a representar. Mas ao longo do tempo, percebi que aquilo que eu estava a ver eram demonstrações genuínas de amor e carinho. Percebi que, afinal, eu não era louca.”

 

Passos para a cura

A descoberta é o primeiro passo e implica reconhecer a forma como a sua mãe a tratava e, em seguida, começar a ver como você se adaptou a ela.

Comportamentos que você sempre considerou serem partes inatas da sua personalidade, muitas vezes revelam ser o resultado de tentar lidar com o ambiente emocional da sua família de origem.

Independentemente da forma como reagiu à indisponibilidade emocional é importante ter em atenção o peso de certos aspectos:

– Confiar nos outros é um problema na sua vida

– O grau em que você deseja ou desdenha ligações próximas

– Se você tende a isolar-se e a minimizar a importância dos relacionamentos

– Se você está sempre alerta e temerosa num relacionamento e tem problemas com limites saudáveis

– O grau em que você é emocionalmente inteligente e consegue identificar e agir de acordo com os seus sentimentos

– Se você está a repetir o padrão, sentindo-se atraído por amigos e parceiros emocionalmente indisponíveis

 

A recuperação é possível, embora seja preciso tempo e esforço.

A melhor opção é o acompanhamento por um terapeuta experiente.

A boa notícia é que você não precisa permanecer para sempre aquela menina à espera da mãe (que não veio nem virá). Existem outras formas de sair daquele quarto da infância.

 

Traduzido/adaptado por P

Por que o sexo de reconciliação e de despedida são tão bons Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que o Sexo de Reconciliação e Despedida é fantástico?

“O sexo de reconciliação foi 10 vezes mais intenso do que eu alguma vez experimentei.”

“A única coisa que sei sobre sexo de reconciliação é que funciona muito bem.” – (mulher casada)

As pessoas descrevem o sexo de reconciliação como selvagem e extremamente gratificante, e é experimentado após uma discussão intensa.

O que faz com que no seguimento de uma discussão amarga, tudo seja esquecido, quando o casal se envolve no que muitos dizem ser um sexo incrivelmente selvagem e prazeroso?

E por que o sexo de despedida também é tão excitante?

 

Transferência de excitação

A explicação básica para a excitação no sexo de reconciliação é a transferência do estado de excitação de uma situação para outra.

Quando estamos excitados devido a um estímulo, é provável que sejamos facilmente excitados por outro.

O sexo de reconciliação é considerado por muitos como o melhor sexo que existe, o que, em muitos casos, compensa a discussão.

A excitação de transferência é explanada na clássica experiência da ponte realizada em 1974 por Donald Dutton e Arthur Aron.

Nessa experiência, transeuntes do sexo masculino são abordados por uma mulher muito atraente que lhes pede para preencher um questionário.

Metade dos entrevistados estava a atravessar uma ponte suspensa que gerava algum medo. A outra metade atravessava uma ponte baixa e segura.

A excitação sexual em relação à mulher foi maior nos sujeitos que atravessavam a ponte que gerava medo.

A excitação do medo foi transferida para a excitação sexual gerada pela presença de uma mulher atraente.

Outro exemplo deste género de transferência pode ocorrer quando assistimos a certos filmes:

– A nossa raiva em relação ao vilão pode facilmente transformar-se em excitação; a felicidade de vermos o vilão a ser castigado.

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas mas também de outras experiências agradáveis.

 

A grande excitação gerada pelo sexo de reconciliação pode ser explicada à luz dos exemplos anteriores.

O alto estado de excitação associado à discussão é transferido para um estado de grande excitação durante o sexo de reconciliação.

O sexo fantástico após uma discussão, deve-se, em certa medida, à mudança de humor e ao alívio (pelo menos temporário) que a reconciliação com o parceiro produz.

Mas também é resultado da transferência da excitação da discussão para o sexo.

O sexo de reconciliação ocorre após uma discussão desagradável e acalorada com um parceiro que abriu um abismo entre os dois, e assim, ameaçou a continuidade do relacionamento.

O sexo de reconciliação restabelece o vínculo de uma forma bastante palpável.

Como referiu uma mulher:

“O nosso relacionamento é muito mais seguro depois do sexo de reconciliação, para além do alívio adicional da re-conexão com o meu companheiro.

É um lembrete de que, embora nos tenhamos magoado, ainda estamos lá um para o outro.”

Uma maneira semelhante de aumentar a excitação sexual, através da transferência de excitação, é quando um parceiro age de forma selvagem e até mesmo sádica, em relação ao outro.

Aqui a excitação subjacente à raiva e até ao deseja de vingança é transferida para a excitação sexual.

Os casais também desenvolvem formas mais subtis de aumentar a excitação sexual. Por exemplo, através de provocações (teasing).

 

“Eu sinto mais amor durante o sexo de reconciliação, porque apesar do que aconteceu, sei que o nosso amor sobreviveu.” – (mulher casada)

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas, como a raiva que prevalece durante as contendas, mas também de emoções positivas, como o desfrutar de um bom jantar em conjunto ou de outras experiências agradáveis.

Também pode ser activada pela excitação sexual desencadeada por uma terceira pessoa, como um vizinho de boa aparência ou o herói de um filme que é, então, transferida para o parceiro.

As emoções são fenómenos muito dinâmicos e contagiosos: elas podem facilmente passar de uma pessoa para outra.

Assim, quando vemos uma pessoa triste e a chorar, muitos de nós também ficamos tristes.

Quando alguém nos ama, é mais provável que amemos essa pessoa de volta.

E quando percebemos que a pessoa com quem estamos está excitada sexualmente, também ficamos excitados.

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

A situação de amor / ódio é um desses casos. O amor intenso pode tornar-se um terreno fértil para o surgimento de um ódio intenso.

 

Quando estamos excitados devido a um estímulo, facilmente somos excitados por outro.

 

Sexo de Despedida

O sexo de despedida (“one for the road”) é o sexo agridoce e apaixonado que você tem com o seu parceiro logo depois, enquanto, ou pouco antes de terminar o relacionamento com ele.

Algumas pessoas consideram que o sexo de despedida é ainda melhor do que o sexo de reconciliação.

A excitante natureza do sexo de despedida deve-se às suas circunstâncias únicas:

  • É a última oportunidade de desfrutarem do sexo um com o outro.

Tal como Ted Spiker referiu, “é como no dia anterior ao início de uma dieta. Amanhã vou começar, mas hoje vou aproveitar para comer as coisas que mais gosto”.

O sexo é especialmente prazeroso quando o relacionamento é basicamente bom.

“O sexo de despedida é incrível! É realmente difícil entender até você experimentar! É melhor do que fazer sexo de reconciliação!” – (homem anónimo)

O sexo de despedida envolve o carinho que permanece apesar da separação.

Devido à sua natureza “final”, as pessoas não sentem inibições ou restrições no sexo e comportam-se como desejam, sem se preocupar com o futuro ou o efeito no outro.

Nesta experiência comovente e triste, as pessoas geralmente não falam dos maus momentos e do que arruinou o relacionamento; elas estão imersas na presença excitante, sabendo que não existe amanhã.

Frequentemente adoptam a atitude de: “comer, beber e ser feliz, porque hoje é o ultimo dia das nossas vidas”.

Nada tem importância, excepto a presente união sexual.

No sexo de despedida, a excitação resulta de experimentar uma ligação que não é restringida por circunstâncias passadas e futuras.

 

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

 

No sexo de reconciliação, a excitação tem origem na superação das dificuldades do passado e em olhar positivamente para o futuro.

A total ausência de constrangimento é o que faz com que o sexo de despedida geralmente seja o mais excitante dos dois.

 

Os riscos do sexo de reconciliação e de despedida

O sexo de reconciliação tem os seus próprios riscos, um dos quais é reforçar as discussões, ou pelo menos não levar as contendas tão a sério quanto deviam.

Isto é particularmente verdadeiro quando as discussões são violentas, como no caso das mulheres agredidas.

Muitas vezes, imediatamente após a uma situação de violência doméstica, os homens obrigam as mulheres a fazerem sexo com eles.

Não é preciso dizer o quanto isto é terrivelmente devastador para as mulheres.

No entanto, noutros casos, quando já passou um certo tempo desde que a violência ocorreu, o sexo de reconciliação pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

Esta é a história real de Tina Nash, uma mulher severamente espancada que ficou com o namorado apesar dos seus comportamentos violentos.

Depois de um episódio particularmente violento, ela voltou no dia seguinte com o intuito de apanhar o carro que ficado estacionado à porta de casa dele.

Ela refere: “Fizemos amor apaixonado naquela noite. O sexo de reconciliação com ele foi 10 vezes mais intenso do que eu já tinha experimentado antes. Ele foi carinhoso e olhava para mim como se quisesse possuir a minha alma.”

Alguns meses depois, ela perdeu a visão em resultado de outro episódio de violência.

Fazer sexo de reconciliação quando a relação é má não envolve uma verdadeira resolução para o conflito, mas um encobrimento temporário, que distrai a atenção do casal dos seus profundos problemas.

 

Riscos: pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

 

Quando as discussões são constantes e extremas, o sexo de reconciliação pode funcionar como uma droga que dá um alívio temporário e ilusório, mas não é uma solução real.

O sexo de despedida pode ser importante, principalmente, em duas situações:

(a) Ainda gostam um do outro e querem continuar amigos

(b) A decisão de terminar a relação é mútua

Em alguns casos, o sexo de despedida pode ser muito triste e doloroso.

Miguel refere: “A minha namorada levou-me para um fim-de-semana romântico com a ideia de fazermos sexo o máximo de vezes possível e antes de se ir embora disse-me que a nossa relação estava terminada. Isso deixou-me enfurecido e amargurado”.

Para outras pessoas, especialmente aquelas cujo amor pelo parceiro se extinguiu, o sexo de despedida faz com que se sintam tristes por estarem a ser usadas e a cederem a fazer sexo por pena do parceiro.

Outro problema (ou vantagem) do sexo de despedida é que, se é tão bom, gera segundos pensamentos em relação ao fim da relação, que ambos pensavam ser a decisão certa.

 

Sexo de reconciliação em bons e maus relacionamentos

O sexo de reconciliação é um remédio superficial para as discussões.

O remédio é benéfico quando o relacionamento é basicamente bom, e as discussões são tipicamente circunscritas e reduzidas, ou seja, não expressam uma divisão profunda e hostil.

Entretanto, quando existem problemas mais profundos na relação, o sexo de reconciliação tem pouco valor e pode mesmo invocar emoções negativas ao não se abordar o problema com seriedade.

Quando os conflitos subjacentes ao sexo de reconciliação são circunscritos e reduzidos, eles podem ser como pequenas quantidades de um vírus que imuniza o sistema.

Mas quando as doses do vírus são grandes o sistema pode colapsar.

 

Ter relações sexuais extremamente prazerosas não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Quando as discussões que antecedem o sexo de reconciliação são raras, elas podem ser consideradas como um obstáculo que o casal pode superar, e o sexo é uma das maneiras de fazê-lo.

Neste último caso, quando o relacionamento é basicamente bom, o sexo de reconciliação é normalmente muito bom, e a relação provavelmente melhora.

Quando as contendas são significativas e expressam a natureza problemática do relacionamento, o sexo de reconciliação pode prejudicar ainda mais a relação e os parceiros individualmente.

Não é necessário provocar discussões sérias para ter sexo muito prazeroso, pois há um preço a pagar pelas contendas.

Além disso, se uma discussão é deliberadamente provocada, o sexo subsequente pode perder a sua atracção como reafirmação do amor.

Para além do mais, como os desentendimentos, mal-entendidos e discussões são comuns nos relacionamentos saudáveis, não há necessidade de provocá-los artificialmente – somente a necessidade de superá-los de forma positiva.

Em suma, o sexo de reconciliação e o sexo de despedida podem ser importantes e maravilhosos em certas circunstâncias.

No caso do sexo de reconciliação, as discussões devem ser circunscritas e reduzidas

No caso do sexo de despedida, os dois ainda devem gostar um do outro, e o desejo de terminar resultar de um acordo mútuo.

Noutros casos, tanto o sexo de reconciliação como o sexo de despedida podem ser prejudiciais, já que não resolvem os problemas, mas apenas os aprofundam.

Em qualquer caso, um magnífico sexo não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Why make-up sex and breakup sex are so good – Aaron Ben-Zeév

O Papel do Toque na Diminuição da Dor Pedro Martins Psicoterapeuta

O Papel do Toque na Diminuição da Dor

Quando os parceiros se tocam, a respiração e os batimentos cardíacos sincronizam-se e a dor diminui.

Esta é uma conclusão dum estudo onde se verificou que:

– Quando um parceiro empático segura a mão da mulher com dor, os ritmos cardíacos e respiratórios sincronizam-se e a dor dissipa-se.

“Quanto mais empático o parceiro e mais forte o efeito analgésico, maior a sincronização entre os dois quando se tocam”, refere Pavel Goldstein.

O estudo de 22 casais, publicado na revista Scientific Reports é o mais recente de um conjunto crescente de pesquisas sobre a “sincronização interpessoal”:

– Fenómeno no qual os indivíduos começam a reproduzir aspectos fisiológicos daqueles com os quais convivem.

Os cientistas sabem há muito tempo que as pessoas inconscientemente sincronizam os seus passos com a pessoa com quem caminham ou ajustam a sua postura para espelhar as de um amigo durante uma conversa.

Estudos recentes também mostram que quando as pessoas assistem a um filme emotivo ou cantam juntas, os batimentos cardíacos e os ritmos respiratórios sincronizam-se.

E quando os casais estão simplesmente na presença um do outro, os seus padrões cardiorrespiratórios e de ondas cerebrais sincronizam-se.

A ideia para o estudo surgiu a Goldstein depois de testemunhar o nascimento da sua filha, agora com 4 anos.

“A minha esposa estava com dores, e tudo que eu conseguia pensar era: ‘O que é que eu posso fazer para ajudá-la?’

Eu peguei na mão dela e pareceu ajudar”, lembra ele.

“Eu queria testá-lo em laboratório:

Pode-se realmente diminuir-se a dor com o toque e, em caso afirmativo, como?”

 

Quando os parceiros se tocam, a respiração e os batimentos cardíacos sincronizam-se e a dor diminui.

 

Goldstein recrutou 22 casais heterossexuais com um relacionamento longo, com idades entre 23 e 32 anos.

Fê-los passar por uma série de testes com o objectivo de reproduzir o cenário da sala de parto.

Aos homens foi atribuído o papel de observador; as mulheres o alvo da dor.

Ao mesmo tempo que os instrumentos mediam os ritmos do coração e da respiração, eles sentaram-se:

juntos sem se tocar; sentados juntos de mãos dadas; ou sentados em quartos separados.

Eles repetiram os três cenários enquanto a mulher era submetida a uma leve dor provocada por calor, no antebraço, por 2 minutos.

Tal como em investigações anteriores, o estudo mostrou casais fisiologicamente sincronizados em algum grau apenas quando sentados juntos.

Mas quando ela foi submetida à dor e ele não pode tocá-la, essa sincronização foi cortada.

Quando ele foi autorizado a segurar a mão dela, os ritmos voltaram a sincronizar-se e a dor diminuiu.

“Parece que a dor interrompe totalmente essa sincronização interpessoal entre casais”, disse Goldstein. “Com o toque restabelece-se a sincronização.”

A pesquisa de Goldstein mostrou que, quanto mais empatia o homem mostrava pela mulher (medida noutros testes), mais a dor diminuía durante o toque.

Quanto mais fisiologicamente sincronizados eles estavam, menos dor a mulher sentia.

Ainda não está claro se a diminuição da dor causa o aumento da sincronicidade ou vice-versa.

“Pode ser que o toque seja uma ferramenta para comunicar empatia, resultando num efeito analgésico”, referiu Goldstein.

São necessárias mais pesquisas para descobrir como o toque de um parceiro diminui a dor.

Goldstein suspeita que a sincronização interpessoal pode desempenhar um papel, possivelmente por afectar uma área do cérebro chamada córtex cingulado anterior, que está associada à percepção da dor, empatia, função cardíaca e respiratória.

 

Quanto mais empático o parceiro e mais forte o efeito analgésico.

 

O estudo não explorou se o mesmo efeito ocorreria com casais do mesmo sexo, ou o que acontece quando o homem é sujeito à dor.

Goldstein mediu a actividade das ondas cerebrais e planeia apresentar esses resultados num estudo futuro.

Ele espera que a pesquisa ajude a dar credibilidade científica à noção de que o toque pode aliviar a dor.

Por enquanto, ele tem alguns conselhos para o parto:

– Esteja pronto e disponível para segurar a mão da sua parceira.

Guia para Encontros na Era Digital Pedro Martins Psicoterapeuta

Guia para Encontros na Era Digital

Se está à procura de encontros casuais, um relacionamento a longo prazo, um parceiro para BDSM, ou alguém para ir ao cinema, é fácil ficar fatigado e frustrado com a enorme quantidade de aplicativos e sites que existem.

 

Coisas a ter em mente em relação a encontros nos dias de hoje:

 

Você está a conhecer um estranho

É importante não se esquecer que quando combina uma saída com alguém que conheceu através de uma aplicação ou de um site, você está a sair com um estranho.

A referência a este aspecto não tem a ver com os “perigos”, mas para salientar que você realmente não pode conhecer uma pessoa antes de conhecê-la.

Hoje em dia é cada vez mais raro ouvir alguém dizer que vai sair com uma pessoa que conheceu no trabalho.

A maioria das pessoas combina encontros através das redes sociais e aplicações.

No entanto, como muita da comunicação se dá em forma de mensagens de texto curtas, troca de fotos ou de mensagens por meio de aplicações, rapidamente se cria uma falsa sensação de intimidade, antes mesmo de você se encontrar com a pessoa na vida real.

 

A criação de uma fantasia

Como as pessoas com quem se combinam este tipo de encontros raramente compartilham um contexto comum, por exemplo, de escola ou de amigos, é muito mais fácil criar uma fantasia acerca da outra pessoa antes de se encontrar com ela.

As pessoas apresentam claramente versões retocadas e idealizadas de si mesmas nas redes sociais e nas aplicações.

Um paciente contou-me que um amigo tinha dois perfis diferentes no mesmo site de encontros:

Um dirigido para “aventuras” e outro para relacionamentos; cada um com uma lista diferente de hobbies e interesses.

 

A comunicação através de mensagens de texto curtas e troca de fotos cria uma falsa sensação de intimidade.

 

Outra paciente referiu que tinha andado a sair com uma pessoa que odiava a mãe, mas no seu perfil tinha fotos muito doces dos dois a abraçarem-se no Natal.

As palavras e as imagens que se apresentam nutrem a imaginação da pessoa que olha para o perfil.

Acontece numa questão de minutos. Por vezes a fantasia pode começar mesmo antes de uma mensagem ser trocada.

As mensagens trocadas antes do encontro perpetuam essas fantasias e podem ofuscar as incompatibilidades que surgiriam rapidamente se você se encontrasse com a pessoa na vida real.

 

É mais do que uma lista de características/qualidades

As pessoas quererem conhecer alguém que preencha certos requisitos, que podem incluir altura, educação, etnia, idade, fertilidade, excentricidade e muito mais.

O recurso “pesquisa avançada” em sites e aplicações facilita a pesquisa das pessoas que atendem aos critérios específicos e amplificam o problema.

Isso, associado com o número de pessoas on-line, leva à ideia de que você pode continuar a procurar alguém melhor ou mais compatível, reforçando a noção de que existem possibilidades ilimitadas.

No entanto, a verdade é que possibilidades infinitas tornam difícil avaliar a conexão com a pessoa sentada à nossa frente.

Se você estiver interessado num relacionamento e ainda estiver a sair com várias pessoas, não terá espaço emocional para descobrir quem é a pessoa certa para você.

Parte do objectivo dos encontros é descobrir se a outra pessoa tem capacidade de se ligar, de relacionar-se consigo, respeitar e comunicar de uma maneira honesta e confiável, e se conseguem divertir-se juntos.

Isso exige presença de mente, coração, e investimento de tempo.

As check list de qualidades/características por si só não são suficientes para perceber como alguém se relaciona. Você tem de se relacionar com a outra pessoa para descobrir.

 

Devido às características destes encontros é muito mais fácil criar uma fantasia acerca da outra pessoa antes de se encontrar com ela.

 

Aqui ficam algumas dicas para ajudá-lo a lidar com alguns desafios dos encontros na era digital:

Dicas para encontros na era digital

Não deixe que a comunicação digital ou as mensagens continuem por muito tempo. Limite-se a trocar um pequeno número de mensagens antes de passar para uma ligação telefónica.

Depois de você falar com a pessoa pelo telefone reflicta sobre as sensações com que ficou. Por exemplo, como a conversa fluiu.

Tente evitar enviar mais de três mensagens sem resposta. Isso faz com que você se sinta mal e pode fazer com que a outra pessoa se sinta pressionada.

Avalie a qualidade dos relacionamentos do potencial parceiro à medida que surgem situações com a família, amigos e ex-namorados.

Pensar em ser exclusivo não significa que você está comprometido para sempre. Mas sem isso é complicado perceber como é realmente a conexão.

Seja honesto com aquilo que você está à procura, seja a curto ou a longo prazo, significativo ou casual.

Você não vai assustar alguém que quer estar consigo por expressar os seus desejos.

A verdade é que nestes tempos existem muitas maneiras das pessoas poderem encontrar outras. Com algum esforço, a probabilidade de encontrar alguém aumenta.

Boa sorte!

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de The Ultimate Guide to Dating in the Digital Age – Shirin Ali

 

Dar Demasiado Colo Estraga a Criança?

Dar Demasiado Colo Estraga a Criança?

“Dar demasiado colo estraga a criança”.

Poucos são os pais que nunca ouviram essa afirmação.

Apesar de ser uma ideia comum na sociedade, os especialistas recomendam:

  • dêem o máximo de colo, amor, carinho e cuidado aos bebés; eles precisam disso.

— Estamos sob a égide do mito de que o colo mima.

A primeira experiência que o bebé tem de “colo” é o útero da mãe.

Nele, a pele do feto está em permanente contacto com a água (liquido amniótico), sentindo-se envolvido.

No parto, o bebé deixa esse espaço contentor e tem uma sensação de “queda”.

O que ele mais quer é ser acolhido imediatamente para retornar àquele sentimento de contenção — refere Vera Laconelli, psicanalista e directora do Instituto Gerar.

O contacto da pele dos bebés com os pais ajuda a estimular o sistema nervoso central da criança.

Nos primeiros momentos de vida, o bebé não reconhece o limite do seu próprio corpo e será a partir do colo, do toque, que essa sensação se formará.

É ao receber o colo que o bebé percebe que é desejado e amado pelos cuidadores.

“Se você deixar o bebé a chorar para ver se ele “se habitua”, a única coisa a que ele vai se acostumar é a sofrer.

Quando o bebé sofre uma experiência de desamparo, ele chora porque esse é o único recurso que tem.

Se alguém acode a esse choro, mesmo que não lhe tire o sofrimento, demonstra à criança que ela não vai estar sozinha na hora da dor.”

As crianças querem ajudar e devemos deixar. Pedro Martins Psicoterapeuta

As crianças querem ajudar e devemos deixar

Tendemos a pensar nas crianças mais como fonte de trabalho extra do que como fonte de ajuda.

Muitas vezes pensamos que levar a que os nossos filhos nos ajudem em casa é trabalho a dobrar.

Também tendemos a pensar que a única forma de obter ajuda das crianças é pressioná-las, através de ameaças de castigo ou “suborno”, que, por boas razões, podemos ser relutantes em fazer.

Geralmente pensamos no trabalho como algo que as pessoas naturalmente não querem fazer, e passamos essa visão aos nossos filhos, que depois a transmitem aos seus filhos.

No entanto, as pesquisas encontraram fortes evidências de que as crianças muito jovens, inatamente, querem ajudar.

E se tiverem permissão para fazê-lo, continuarão a ajudar, voluntariamente, ao longo da infância e até à idade adulta.

 

Evidências do instinto infantil de ajudar

Num estudo clássico, realizado há mais de 35 anos, Harriet Rheingold (1982) observou crianças de 18, 24 e 30 meses a interagir com os pais (mãe em alguns casos, pai noutros) enquanto estes realizavam tarefas domésticas de rotina.

Entre elas estavam: dobrar a roupa, varrer o chão, levantar a loiça da mesa, e arrumar coisas espalhados pelo chão.

 

As pesquisas encontraram fortes evidências de que as crianças muito jovens, inatamente, querem ajudar.

 

No estudo, pediu-se a cada pai que trabalhasse relativamente devagar e permitisse que o filho ajudasse se quisesse, mas não pedisse ajuda à criança ou direccionasse a ajuda por meio de instruções verbais.

O resultado foi que todas as crianças (80 no total) ajudaram voluntariamente a fazer o trabalho.

A maioria delas ajudou em mais de metade das tarefas que os pais realizavam, e alguns até iniciaram tarefas antes dos pais.

Além disso, nas palavras de Rheingold, “as crianças realizaram as tarefas com movimentos rápidos e enérgicos, entoações vocais de contentamento, expressões faciais de prazer, e satisfação com a conclusão da tarefa”.

Muitos outros estudos confirmaram o desejo, aparentemente universal, das crianças pequenas em ajudar.

Este comportamento de ajuda não tem por base a obtenção de uma recompensa.

 

As crianças são intrinsecamente motivadas, em vez de motivadas extrinsecamente

 

De facto, Felix Warneken e Michael Tomasello (2008) descobriram que oferecer uma recompensa por ajudar reduz a ajuda subsequente.

Numa experiência, possibilitaram que crianças de 20 meses ajudassem o experimentador de várias maneiras e que algumas crianças fossem recompensadas (com a oportunidade de brincar com um brinquedo atraente) e outras não.

O resultado foi que aquelas que tinham sido recompensadas ​​por ajudar tinham muito menos probabilidade de ajudar do que aquelas que não tinham sido recompensadas.

Apenas 53% das crianças na condição anteriormente recompensada ajudaram, em comparação com 89% na condição não recompensada.

Esta descoberta é uma evidência de que as crianças são intrinsecamente motivadas, em vez de motivadas extrinsecamente, para ajudar.

Isto é, ajudam porque querem ser úteis, não porque esperam algo por isso.

Muitas outras pesquisas mostraram que as recompensas tendem a minar a motivação intrínseca.

Na nossa cultura costumamos cometer dois erros em relação aos desejos das crianças pequenas de ajudar.

Primeiro, pomos de lado as ofertas de ajuda, porque estamos com pressa de fazer as coisas e acreditamos (muitas vezes correctamente) que a “ajuda” da criança vai-nos atrasar ou a criança não vai fazer bem as coisas e nós vamos ter de fazer de novo.

Segundo, se realmente queremos ajuda da criança, oferecemos algum tipo de acordo, alguma recompensa, para fazê-lo.

No primeiro caso, passamos a mensagem à criança de que ela não é capaz de ajudar.

E no segundo caso, passamos a ideia de que ajudar é algo que uma pessoa só fará se receber algo em troca.

 

O seu filho está ajudar, em parte, para reforçar o vínculo consigo.

 

Em resumo, a pesquisa sugere que, se você quiser que o seu filho seja seu parceiro nas tarefas de casa, faça o seguinte:

Assuma que se trata de um trabalho da família, e não apenas seu, o que significa que você não é a única pessoa responsável por fazê-lo.

Deve renunciar a algum controle sobre a forma como o trabalho é feito.

Se você quer que seja feito exactamente do seu jeito, terá que fazer isso sozinho ou contratar alguém para fazê-lo.

Entenda que as tentativas das crianças de ajudar são genuínas e, se você dedicar algum tempo para deixar a criança ajudar, talvez com um pouco uma orientação discreta, ela acabará por se tornar boa nisso.

Evite pedir ajuda, negociar, recompensar ou controlar, pois tudo isso prejudica a motivação intrínseca da criança para ajudar.

Um sorriso de contentamento e um agradável “obrigado” é bom e sabe bem. É o que seu filho quer de si.

O seu filho está ajudar, em parte, para reforçar o vínculo consigo.

A ajuda é boa não só para você, mas também para o seu filho. Ele está a crescer de forma muito positiva, ajudando.

Ao ajudarem os filhos adquirem capacidades e sentimentos de valorização pessoal, auto-estima e de pertença, contribuindo para o bem-estar da família.

Ao mesmo tempo, quando se permite à criança ajudar, o altruísmo inato é nutrido.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de “Toddlers Want to Help and We Should Let Them” – Peter Gray

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