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Inconsciente, transferência, sintomas

Inconsciente, Transferência – conceitos da Psicoterapia

Inconsciente, Transferência, Sintomas – Conceitos-chave da Psicoterapia

A psicoterapia é uma das invenções mais importantes dos últimos cem anos, com um poder excepcional para aumentar os nossos níveis de bem-estar emocional, melhorar os relacionamentos, restabelecer a atmosfera familiar e ajudar-nos a extrair mais do nosso potencial profissional.

Mas também é profundamente incompreendida e alvo de fantasias, esperanças e suspeitas. A sua lógica raramente é explicada e a sua voz raramente ouvida com suficiente franqueza.

Entre os conceitos-chave da psicoterapia temos: Sintomas e Causas, Trauma de infância, Inconsciente, Regra fundamental, Acto falhado, Sexualidade, Transferência, Mecanismos de defesa, Verdadeiro e Falso Self, Sublimação, Superego, Luto.

 

Aqui estão pequenos resumos sobre alguns conceitos-chave da psicoterapia:

 

Sintomas e Causas

De uma maneira geral, as pessoas iniciam a terapia quando já não conseguem suportar certos sintomas cujas causas desconhecem. Porque estão sempre tão tristes? Porque – não tendo feito nada de errado de forma objectiva – estão tão receosos de serem despedidos? Porque já não conseguem ter relações sexuais?

O objectivo da terapia é ir além da superfície do “problema visível” para localizar (e tratar) o que está realmente em jogo. Sigmund Freud, o pai da psicanálise e da sua irmã gémea – a psicoterapia -, merece um lugar na história do século XX por causa da sua compreensão extremamente subtil da forma “diabólica” como os sintomas se desconectam das suas causas reais.

Não conseguimos estabelecer uma relação ou facilmente imaginar o que nos está afectar e, portanto, não podemos fazer nada de efectivo para ultrapassar o problema. À superfície podemos estar prisioneiros de um desejo incontornável de limpar a casa com uma intensidade maníaca, mas ao longo da terapia, podemos perceber que inconscientemente queremos expurgar a sensação de sermos indesejados e “maus”; legado de um pai que nos desprezou na primeira infância.

Não deixa de ser relevante o facto de Freud ter sido médico de formação. Na medicina, o factor decisivo por trás do sofrimento físico é muitas vezes (à primeira vista) inesperado; uma dor num dedo do pé pode estar ligada a um problema no abdómen. Freud adoptou esse modelo e aplicou-o ao sofrimento mental, propondo que os nossos problemas emocionais (actuais) geralmente são sintomas de problemas localizados nas cavernas, raramente visitadas, das memórias de infância. A psicoterapia é a disciplina que nos guia de volta ao passado problemático para nos dar, uma vez que podemos abordar as causas reais dos nossos sofrimentos, a possibilidade de um futuro com menos ansiedade, mais livre e esperançoso.

 

Inconsciente

A ideia de inconsciente é fundamental para a psicoterapia. A mente é representada como estando dividida em duas zonas. Uma área pequena e intermitente chamada consciência e um terreno vasto, complexo, obscuro e intemporal chamado inconsciente.

Uma vez que é da natureza da mente consciente ser extremamente susceptível, esquecemos constantemente ou ignoramos incidentes cruciais que afectam o nosso comportamento e estado de espírito no aqui e agora. Estes, no entanto, vivem no escuro contínuo do inconsciente.

Um episódio traumático – uma rejeição ou humilhação – que aconteceu quando nós ainda éramos pequenos vai continuar fresco no nosso inconsciente como se tivesse acontecido ontem e o seu efeito sobre o nosso comportamento actual pode ser muito maior do que podemos supor.

O nosso Eu inconsciente pode continuar a tentar apaziguar um pai irritado ou escapar da prudência excessiva de uma mãe. Uma parte de nós pode continuar a temer a repetição de uma coisa negativa (as desgraças que tememos no futuro são geralmente aquelas que já nos aconteceram no passado). E essas batalhas, de um passado esquecido, podem ter um impacto terrível na vida adulta.

O objectivo central da terapia é reencontrar-nos adequadamente com as nossas histórias “esquecidas”: dar-nos domínio sobre regiões dispersas da vida mental e ampliar o nosso conhecimento sobre as nossas experiências inconscientes. A terapia pretende facilitar a redescoberta íntima de emoções aparentemente distantes, para que possamos repensá-las com as nossas faculdades adultas e libertar-nos da sua postura frequentemente enigmática e espinhosa sobre nós.

 

Transferência

A transferência refere-se à forma como, começamos a “actuar”, ou a transferir para a relação terapêutica dinâmicas que decorrem das nossas próprias histórias psicológicas.

Por exemplo, podemos convencer-nos de que o terapeuta não é muito bom, que é muito feliz (ou muito infeliz), casado, snobe, ou que nos admira muito ou que é sistematicamente hostil – qualquer uma destas possibilidades tem, provavelmente, pouca relação com a vida real do terapeuta e com os seus pensamentos (sobre quem é suposto sabermos pouco).

Ao invés de tentar desmontar essas fantasias, a terapia faz uso delas. O terapeuta irá mostrar-nos onde temos tendência a ver atitudes ou perspectivas que realmente eles não têm – e dessa forma, a relação terapêutica será usada como um veículo particular para compreendermos as nossas tendências emocionais mais imperceptíveis.

O terapeuta (com bondade) tentará assinalar que estamos a reagir como se tivéssemos sido atacados, quando ele colocou apenas uma pergunta; pode chamar à atenção para a prontidão com que parecemos querer contar-lhe coisas impressionantes, ou como parecemos apressar-nos a concordar ou a discordar com ele quando está apenas a tentar verificar uma hipótese sobre a qual não tem muita certeza.

O relacionamento com o terapeuta torna-se um modelo para a forma como podemos estabelecer relações com os outros, livres das manobras e pressuposições de fundo que trazemos dentro de nós desde a infância, e que nos podem limitar tão dolorosamente no presente.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de “Twenty Key Concepts from Psychotherapy” – Alain de Botton

reprimido

A Repressão e o Reprimido

A Repressão e o Reprimido

Num sentido lato, a repressão é designada como a operação psíquica tendente a fazer desaparecer da consciência um conteúdo (ideia, afecto, etc.) desagradável ou inoportuno. Nesse sentido o recalcamento seria uma modalidade especial de repressão.

No sentido mais frequente, a repressão, opõe-se, sobretudo, do ponto de vista tópico ao recalcamento, quer pelo carácter consciente da operação, quer pelo facto do conteúdo reprimido se tornar simplesmente pré-consciente e não inconsciente.

Segundo Laplanche & Pontalis, a repressão seria um mecanismo consciente actuando ao nível da “segunda censura”, que Freud situa entre o consciente e o pré-consciente; tratar-se-ia de uma exclusão para fora da consciência actual, e não da passagem de um sistema (pré-consciente-consciente) para outro (inconsciente).

Do ponto de vista dinâmico, as motivações morais desempenham um papel determinante na repressão.

psicólogo

A esperança

Para muitos de nós a esperança teve um custo muito elevado para voltarmos a apostar nela.

É possível que tenhamos sido expostos a grandes decepções quando éramos mais jovens ou num momento em que estávamos muito frágeis para lidar com elas.

Talvez esperássemos que os nossos pais ficassem juntos mas separaram-se. Ou esperávamos que algo que desejávamos muito acontecesse, mas não aconteceu. Talvez após nos atrevermos a amar alguém e, depois de algumas semanas de felicidade, tudo tenha terminado.

Isso acabou por criar em nós uma profunda associação entre esperança e risco. Daí que possamos viver de forma mais tranquila a decepção, e com receio a esperança.

A solução é lembrarmo-nos que podemos, apesar dos nossos medos, sobreviver à perda da esperança.

Já não somos aqueles que sofreram as decepções que nos levaram a sermos estas pessoas tímidas. As condições que forjaram os nossos receios já não correspondem à nossa vida actual.

O inconsciente pode, como é seu costume, estar a ler o presente através das lentes usadas no passado, mas o que tememos que possa acontecer – na verdade – já aconteceu.

Estamos a projectar no futuro uma catástrofe que pertence a um passado onde nos vimos impossibilitados de responder adequadamente.

Para além disso, o que fundamentalmente distingue a idade adulta, da infância, é que o adulto tem acesso a mais fontes de esperança do que a criança.

Podemos sobreviver a uma desilusão aqui e ali, porque nós já não vivemos numa pequena província, delimitada pela família, o bairro e a escola.

Nós temos um mundo inteiro onde podemos nutrir-nos de uma variedade de esperanças que, inevitavelmente, alguma pode resultar numa desilusão, mas – e essa é a grande diferença – apenas ocasional.

 

Traduzido e Adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

negação

Negação: uma forma de lidar com as emoções

A negação é um termo teórico, que passou a ser usado na vida cotidiana, na maioria das vezes, distorcendo o seu significado.

Segundo o Vocabulário da Psicanálise – Laplanche & Pontalis, a negação ou (de) negação é o “processo pelo qual o indivíduo, embora formulando um dos seus desejos, pensamentos ou sentimentos, até aí recalcado, continua a defender-se dele negando que lhe pertença”; “recusa da percepção de um facto que se impõe no mundo exterior.”

A negação por um certo período de tempo pode ser considerada um mecanismo saudável.

A negação é um mecanismo de defesa inconsciente em que o conflito emocional e a ansiedade são evitados por recusa em reconhecer pensamentos, sentimentos, desejos, impulsos, ou factos que são conscientemente intoleráveis.

Em alguns casos, a negação por um certo período de tempo pode ser considerada um mecanismo saudável de mitigar o “intolerável”, dando à mente a oportunidade de elaborar e se adaptar.

Perante emoções demasiado intensas, a negação representa uma forma de preservar a coesão mental, ainda que a negação, em última análise, possa ser nociva.

Uma vez que negação também requer um investimento substancial de energia, implica que outras defesas sejam também utilizadas para manter os sentimentos inaceitáveis ​​afastados da consciência.

A perpetuação do uso das defesas e a sua falência acaba por ser uma das circunstâncias que levam algumas pessoas a procurar a psicoterapia.

Gradualmente as “defesas” tornarem-se cada fez mais inadequadas e ineficazes, deixando a dor emocional oculta (no seu estado original), ascender à superfície.

Os mecanismos de defesa podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, mas a sua presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos.

Compulsão à Repetição. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Compulsão à Repetição

A compulsão a repetir não é propriamente um “automatismo” (isto é, forma de repetição condicionada pelo hábito), mas a busca de uma satisfação que ficou em suspenso, representando a persistência de um desejo não realizado.

Ao nível da psicopatologia concreta, [a compulsão à repetição é um] processo incoercível e de origem inconsciente, pelo qual o indivíduo se coloca activamente em situações penosas, repetindo assim experiências antigas sem se recordar do protótipo e tendo pelo contrário a impressão muito viva de que se trata de algo de plenamente motivado na actualidade.

É de toda a evidência que a psicanálise viu-se confrontada desde a origem com fenómenos de repetição. Se encararmos nomeadamente os sintomas, por um lado alguns deles são manifestamente repetitivos (rituais obsessivos, por exemplo), e, por outro, o que define o sintoma em psicanálise é precisamente o facto de reproduzir, de maneira mais ou menos disfarçada, certos elementos de um conflito passado.

De um modo geral, o recalcado procurar “retornar” ao presente, sobre a forma de sonhos, de sintomas, do agir: “o que permaneceu incompreendido retorna; como uma alma penada, não tem repouso até encontrar resolução e libertação”

A compulsão à repetição é a busca de uma satisfação que ficou em suspenso.

Trata-se de uma reacção em face da não-aceitação do insucesso; sendo tanto mais fácil de organizar-se como fenómeno “compulsivo” (que se impõe no agir) – e por vezes obsessivo (que se impõe no pensar) e “o de repetição” – quanto menor for a tolerância à frustração ou, o que vem dar ao mesmo, maior a dependência do objecto e a necessidade de materializar o fantasma.

A “compulsão a repetir” é, assim, a sequência do que chamamos o vazio traumático: a necessidade imperiosa e reiterada de preencher uma lacuna na execução do plano (do fantasma de antecipação do prazer); lacuna que foi sentida como traumatismo.

A compulsão a repetir está ligada à não-aceitação da realidade frustrante, da inevitabilidade da perda; logo uma incapacidade de fazer o trabalho de luto.

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