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Aprender a usar a Raiva - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Aprender a usar a Raiva

Há muitas razões para acreditar que um dos principais problemas no mundo de hoje é o excesso de raiva.

Mas pode ser bastante mais realista, ainda que estranho, insistir precisamente no oposto.

Qualquer que seja a impressão gerada por uma multidão de enfurecidos, o problema muito mais comum mas invisível (por natureza) é a tendência contrária.

Ou seja, uma incapacidade generalizada das pessoas de se zangar. Uma inépcia em conseguirem queixar-se com eficácia.

Engole-se a frustração e a amargura.

A consequência de não permitir que nenhuma das nossas dores legítimas seja expressa, é o surgimento de sinais (subterrâneos) de depressão.

Por cada pessoa que grita demasiado alto, há pelo menos vinte que perderam (injustamente) a sua voz.

Não estamos aqui a falar de uma raiva delirante que não leva a lado nenhum.

Não se trata de reabilitar a barbárie, trata-se de defender a capacidade de falar, de se manifestar – com dignidade e equilíbrio – para corrigir algo que não está bem, e oferecer àqueles que nos rodeiam outra perspectiva.

O problema é que dizemos a nós próprios – nos relacionamentos ou no trabalho – que os outros devem ter as suas boas razões para se comportarem da forma que se comportam; que devemos ser amáveis e bons e que seria uma afronta aos esforços dos outros manifestarmo-nos sobre um problema que, certamente, nem sequer compreendemos inteiramente.

Temos tendência para carregar a nossa modéstia desde a infância.

É uma excepção permitir que uma criança manifeste a sua frustração. Grande parte dos pais não está disposta a isso. Alguns pais estão mais interessados em ter um “bom menino”.

 

No trabalho, uma preocupação inabalável com a gentileza, a polidez e a deferência pode acabar por proporcionar as condições perfeitas para ser um pau para toda a obra.

 

Desde o primeiro momento, eles fazem saber à criança que ser “travesso” não tem graça e que esta não é uma família onde as crianças podem fazer o que bem lhes apetece com os adultos.

Birras, queixinhas e acesso de raiva não são bem aceites.

Isto certamente garante a obediência a curto prazo, mas paradoxalmente, o bom comportamento imposto inicialmente (contranatura) é geralmente um precursor de várias dificuldades.

Entre elas a dificuldade em respeitar as hierarquias e a figuras de autoridade, e um enorme mal-estar mental na idade adulta.

Sentir-se suficientemente amado para poder zangar-se e responder mal (dentro de certos limites) às figuras parentais pertence à saúde mental.

Pais verdadeiramente maduros têm regras e permitem que os seus filhos (por vezes) as quebrem.

Caso contrário, dá-se uma espécie de morte interior, resultado de ter tido de ser muito bonzinho cedo demais e de se resignar ao ponto de vista do outro sem mostrar a sua perspectiva, uma autodefesa.

Nos relacionamentos, isto pode significar uma tendência para embarcar numa viagem durante muitos anos, não em termos de abuso (embora também isso), mas de aceitar pequenas humilhações, que são uma espécie de dado adquirido nas pessoas que não conseguem mostrar o seu desagrado.

No trabalho, uma preocupação inabalável com a gentileza, a polidez e a deferência pode acabar por proporcionar as condições perfeitas para ser um pau para toda a obra.

Deveríamos – por vezes – reaprender a arte negligenciada de sermos educadamente chatos.

O objectivo é protestar com firmeza, mas de forma controlado: “desculpe-me, mas você está a destruir o que sobrou da minha vida; sinto muito, mas você está arruinar as minhas possibilidades de ser feliz; Peço desculpa, mas chega, não vou permitir que continue…”

 

A consequência de não permitir a expressão da raiva, que nenhuma das nossas dores legítimas seja expressa, é o surgimento de sinais (subterrâneos) de depressão.

 

Pensamos muito em ir de férias e experimentar novas actividades. Há muito entusiasmo em aprender outras línguas e em experimentar pratos estrangeiros.

Mas o verdadeiro exotismo e aventura podem estar mais perto de casa: na esfera emocional, e na coragem e originalidade necessárias para dar um impulso à raiva contida.

Já temos os discursos escritos nas nossas cabeças. É provável que haja um cônjuge, um pai, um colega ou um filho que não tenha ouvido o suficiente de nós durante demasiado tempo – e seria um benefício incalculável para o nosso bem-estar emocional e físico ter uma palavra a dizer.

Os tímidos imaginam sempre que a raiva pode destruir tudo o que é bom.

Esquecem – porque a sua infância os encorajou a fazê-lo – que a expressão raiva também pode ser profundamente libertador e fonte de mudanças.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton “Learning how to be angry”

Porque-escolhemos-pessoas-problemáticas-para-amar-Pedro-Martins-Psicoterapeuta

Por que Escolhemos Pessoas Problemáticas para Amar?

O que nos leva a escolher pessoas difíceis para amar?

Em teoria, somos livres para escolher o tipo de pessoa que amamos.

Não nos impuseram uma pessoa. Ninguém combinou o casamento por nós como acontecia no passado.

Mas, na realidade, a nossa escolha é muito menos livre do que imaginamos.

Poderosas restrições sobre quem podemos amar e sentir-nos verdadeiramente atraídos vêm de um lugar para o qual, talvez, não nos ocorra olhar: as nossas infâncias.

A nossa história psicológica predispõe-nos fortemente para amar certos tipos de pessoas.

Nós amamos ao longo de sulcos formados na infância. Procuramos pessoas que, de muitas maneiras, recriam os sentimentos de amor de quando éramos pequenos.

O problema é que o amor que absorvemos na infância provavelmente, não é só composto de generosidade, ternura e bondade.

É provável que o amor estivesse entrelaçado com certos aspectos dolorosos:

– Um sentimento de não se ser suficientemente bom; um amor por um pai que era frágil ou estava deprimido; uma sensação de que não era possível ser vulnerável junto dos pais.

Isso predispõe-nos a procurar na vida adulta parceiros que não sejam necessariamente gentis connosco, mas que – mais importante – nos proporcionem um sentimento familiar.

O que pode ser visto como uma coisa subtil, mas da maior importância.

Podemos ser obrigados a desviar o olhar de possíveis candidatos porque eles não satisfazem o anseio pelas complexidades que associamos ao amor.

Podemos descrever alguém como “pouco sexy” ou “aborrecido” quando na verdade queremos dizer: é improvável que me faça sofrer da maneira que preciso sofrer para sentir que esse amor é real.

É comum aconselhar as pessoas que são atraídas por candidatos complicados a deixá-los e encontrar alguém mais saudável.

Isso é teoricamente tentador mas ao mesmo tempo, praticamente impossível.Não podemos alterar magicamente as fontes de atracção.

Em vez de procurar mudar o tipo de pessoas pelas quais somos atraídos, pode ser mais sensato ajustar a forma como reagimos e nos comportamos com as pessoas complicadas para as quais o nosso passado nos empurra.

Tendemos a procurar na vida adulta parceiros que nos proporcionam um sentimento familiar.

Os nossos problemas são frequentemente gerados porque continuamos a responder às pessoas que nos atraem da maneira que aprendemos a nos comportar enquanto crianças em torno dos nossos modelos.

Por exemplo, talvez os nossos pais ficassem furiosos com frequência e começassem a gritar.

Como os amávamos, reagíamos sentindo que quando estavam enfurecidos, devia ser por nossa culpa. Dessa forma, fomos ficando tímidos e submissos.

Agora, se um parceiro (por quem estamos magneticamente atraídos) se cruza connosco, respondemos como crianças esmagadas e com a testa franzida:

– Sentimos que a culpa é nossa, que somos merecedores de críticas, e assim vamos desenvolvendo ressentimentos.

Talvez nos sintamos atraídos por alguém com um pavio curto – que por sua vez nos faz explodir.

Ou, caso os nossos pais fosse muito vulneráveis e ficassem magoados com facilidade, acabamos por encontrar um parceiro também ele um pouco frágil e que exige que cuidemos dele.

Mas depois ficamos frustrados com a fraqueza dele – andamos em bicos de pés e tentamos encorajá-los e tranquilizá-los (como fizemos quando éramos pequenos), mas ao mesmo tempo, condenamos essa pessoa por não ser merecedora do que fazemos por ela.

“Não podemos mudar os nossos modelos de atracção, mas podemos mudar de um padrão de resposta infantil para um mais adulto.”

Provavelmente, não podemos mudar os nossos modelos de atracção.

Mas, em vez de procurar reprogramar radicalmente os nossos instintos, podemos tentar aprender a reagir a candidatos desejáveis, não como fazíamos quando éramos crianças, mas de uma maneira mais madura e construtiva, própria de um adulto racional.

É possível mudarmos de um padrão de resposta “infantil” para um mais adulto em relação às dificuldades pelas quais somos atraídos.

É possível que estejamos com alguém com um conjunto particularmente complicado de questões que desencadeiam os nossos desejos e os nossos movimentos defensivos infantis.

A resposta não é terminar o relacionamento, mas passa por nos empenharmos em lidar com os desafios que nos colocam, e fazer uso do conhecimento que não dispúnhamos quando estávamos com as figuras de amor da nossa infância.

Não temos muita responsabilidade nas nossas escolhas, mas somos responsáveis por nos comportarmos de maneira mais consciente em torno das áreas menos maduras do nosso parceiro.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de: “Why We’re Compelled to Love Difficult People” – Alain de Botton

Como a negligência emocional nos afecta. Pedro Martins Psicoterapeuta

Como a Negligência Emocional nos Afecta

Muitos de nós caminhamos pela vida com numerosos danos emocionais. Os mais comuns são as depressões e a ansiedade; sendo que ambas têm muito impacto nos relacionamentos afectivos.

De onde surgiram estas problemáticas?

Na maioria das vezes da infância, em particular da primeira infância.

A forma como fomos cuidados quando eramos crianças pequenas tem um efeito desmesurado na nossa vida profissional e pessoal.

O que necessitamos é, acima de tudo, pais responsivos: adultos que cuidam das nossas necessidades com sensibilidade e carinho.

Isso, literalmente, define muito das nossas vidas.

Pode não parecer muito importante, mas devido à falta desse amor responsivo, muitas vidas estão aquém do que poderiam e deveriam ser.

“A negligência emocional na infância afecta profundamente o desenvolvimento”

Entre as pesquisas que permitiram demonstrar os efeitos da negligência nas crianças está a “Still Face Experiment” -, efectuada pelo Dr. Ed Tronick, director da Unidade de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard.

 

 

Se uma criança pode ficar tão transtornada após alguns segundos de comportamento frio e insensível por parte da mãe, podemos ficar com uma noção do que pode acontecer se este género de negligência persistir ao longo de anos.

Não é de admirar que alguns de nós não nos sintamos muito bem interiormente. Basta ter passado por situações idênticas  às do vídeo durante os primeiros anos da nossa vida (ou mais) para que marcas – profundas ou leves -, nos acompanhem.

“O amor é imprescindível para a estabilidade emocional”

Mas aperceber-nos de como somos vulneráveis não nos deve entristecer. Pelo contrário, podemos compreender melhor como fracassamos e estabelecer um elo entre o passado e as nossas dificuldades presentes.

Experiências como a “Still Face Experiment” são uma preciosa ajuda para nos compreendermos emocionalmente, e lançam uma luz científica sobre as origens dos nossos problemas.

Esta experiência prova algo inquestionável: o amor é imprescindível para a sanidade mental. A quantidade, mas principalmente, a qualidade desse amor, é determinante para uma vida que se deseja emocionalmente rica.

 

amar-se a si mesmo

Até Onde Pode Amar-se a Si Mesmo?

“A melhor defesa ou reparação da depressão é o amar-se a si mesmo.”

Quando o indivíduo não se sente amado, deprime-se. E a melhor defesa ou reparação dessa depressão é o amar-se a si mesmo, o investir-se narcisicamente.

Simplesmente, este processo tem limites – se o sujeito continua a não ser amado, esgota-se a energia amorosa para amar-se a si próprio (pois o amor nasce e desenvolve-se apenas na relação amorosa).

Mas do amor também se constituem reservas. E a maior reserva amorosa forma-se na infância, pelo amor que os pais dedicam aos filhos.

Se esta reserva não foi constituída ou é pequena, o indivíduo tem necessidade constante de ser amado e deprime-se em face da mais leve perda de amor ou da sua mais curta ausência. E só um forte amor posterior o poderá curar dessa carência.

O trágico é que o indivíduo que não foi amado não aprendeu a amar. E enquanto não souber amar dificilmente poderá vir a ser amado. A sua sede de amor é muito grande, mas o seu ódio à relação amorosa ou a sua descrença no amor levam-no a estragá-la ou a nunca a conquistar – pela relação ambivalente e depressivante à qual adere.

Só um verdadeiro amor, uma paixão, seja ela na vida ou na relação terapêutica, pode fazer uma renovação do sentir conduzindo a um renascimento do ser. É no estado nascente do enamoramento, no movimento amoroso, que se curam as feridas de amor.

“Ninguém se cura enquanto não adquirir um sentimento de ser capaz de merecer e atrair o amor de outrem.”

O poder ser objecto de amor é fundamental: ninguém se cura enquanto não adquirir um sólido sentimento de ser uma pessoa capaz de merecer e atrair o amor de outrem; vale dizer, enquanto não reparar a sua ferida narcísica, desfizer o sentimento de inferioridade ou menor valor.

A raiz dos sentimentos de inferioridade está no passado, na infância; nos insucessos infantis e adolescenciais; e na prisão às regras e aspirações da família de origem, no juízo crítico dos pais e educadores que sempre apontaram exemplos de perfeição, estabelecendo comparações deprimentes para o sujeito ou lamentado as suas imperfeições.

Designadamente, esta última atitude é altamente danificante da auto-imagem: o sujeito interioriza essa pena, essa mágoa, lamentando-se eternamente daquilo que é (“se eu fosse mais bonita… Se eu fosse mais forte… Se tivesse ouvido para a música… Se tivesse jeito para dançar”… etc.)

“Só muda quem se apaixona, quem se entusiasma, quem ama outra coisa, outro ser.”

Normalmente, o depressivo é aquele que vive no passado, prisioneiro do passado, do que foi. E ninguém pode viver no passado! Todos temos de ir para a frente.

Viver no passado é viver no purgatório, a expiar culpas; e na sombra, admirando os resplandecentes. Mas viver, propriamente viver, é saltar para o “paraíso”, dando-se a si mesmo o direito ao acesso ao prazer e deixando-se banhar pelo sol que é de todos! Podemos queimar-nos no inferno da decepção e do desaire, mas também atingir o éden da paixão. E só vivida apaixonadamente a vida tem sentido.

Só na paixão amorosa encontramos a verdade do outro e a nossa própria verdade. É a porta de entrada no mundo da autenticidade.

O depressivo deixou de se apaixonar (é isso a depressão), tem medo de se apaixonar, não quer (por raiva contra o outro e o mundo, e que se vira contra si próprio) apaixonar-se.

Toda a terapia que mereça esse nome passa por um movimento de rotura com o passado e com o presente, um movimento de renovação, um renascimento, um nascimento para uma nova vida, em moldes diferentes, com outros horizontes.

Esta rotura processa-se através de um movimento emocional, afectivo, por uma paixão por outra coisa, por outra pessoa. Só muda quem se apaixona, quem se entusiasma, quem ama outra coisa, outro ser – para se tornar ele próprio “outra pessoa”.

Bibliografia: Matos, A. C. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi Editores

vinculação apego

Vinculação Segura e Insegura

Vinculação segura e Insegura

Muito do que somos resulta da forma como – tipo de vinculação – fomos criados na infância.

Apego é um termo definido pelo psiquiatra e psicanalista John Bowlby, que analisou as carências das crianças que ficaram órfãs na 2ª Guerra Mundial.

Bowlby afirmou que a nossa necessidade de apego não é secundária à alimentação, como era defendido na altura.

Constatou que a forma como fomos cuidados por certas figuras de referência se reflecte nos sentimentos de segurança.

Os cuidados físicos, emocionais e mentais vão mudando ao longo das fases de desenvolvimento.

Uma vinculação segura, geralmente, é considerada concluído aos 18 meses.

É por isso que hoje se considera que a licença de maternidade e paternidade deve ter no mínimo a duração de um ano.

A vinculação é uma necessidade básica determinada pela espécie.

Precisamos de amor, amparo e alimentação.

Dependendo da forma como esses cuidados são prestados, adquirimos resistência à adversidade ou ficamos vulneráveis, o qual é um factor de risco muito importante no que diz respeito à possibilidade de sofrer transtornos mentais a partir da adolescência.

Há vinculações saudáveis e patológicas.

A vinculação segura é aquela nos torna resilientes.

Não significa que devemos estar todo o dia agarrados à criança. Pelo contrário, deve promover-se a sua autonomia de acordo com as fases; em cada idade a criança precisa de um tipo diferente de relação afectiva e cognitiva.

A vinculação é uma necessidade básica determinada pela espécie.

Os transtornos de personalidade estão intimamente relacionados com o nosso modo de vida.

O estilo parental influencia muito. Se uma criança é criada numa vinculação segura, a probabilidade de ter uma doença mental é baixa.

Uma vinculação saudável promove autonomia pessoal. Em cada momento, temos que nos separar um pouco dos nossos filhos para que possam explorar e relacionar-se com o mundo.

O excesso de preocupação – por exemplo, a sobreprotecção leva a uma vinculação insegura e com menor resistência à adversidade.

É o mal da sociedade moderna; está relacionado com transtorno da personalidade limite (borderline).

Quando os pais são muito protectores, na adolescência os filhos fazem rupturas muito marcadas, como forma de os castigar.

A outra vinculação que favorece o transtorno mental é a vinculação insegura evitante, que é completamente ao contrário: pais excessivamente desapegados.

A criança é separada ainda muito jovem, e o que é importante é a rectidão.

É um apego que está relacionado a figuras de paternas muito poderosas.

A vulnerabilidade tende para a psicose, porque os filhos são ensinados a confiar apenas em si próprios, num mundo hostil e persecutório, onde mostrar afectos é considerado uma fraqueza.

É um apego que favorece o individualismo e a pressão para triunfar. São distúrbios mais próximos das questões narcísicas.

O mais tóxico de todos é a ausência de relações de vinculação. O que chamamos de apego desorganizado. Maus tratos, abuso, violência física e colégios muito rígidos.

Essas crianças apresentam patologias desde muito cedo.

São crianças do género psicopata; aqueles que torturam o gato, que maltratam outras crianças.

Se não há vinculação, não há empatia.

Excertos da entrevista de Diego Figuera ao El País

A importância do pai

A Importância do Pai

O papel do pai na sociedade tem-se transformado, sobretudo, nas últimas décadas.

A “condição” de Pai evoluiu e contínua em evolução, devido às transformações culturais, sociais e familiares.

É reconhecido o seu papel no desenvolvimento da criança, e a relação entre pai e filho é um dos factores de relevo para o desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e a integração da criança na sociedade.

O pai é visto como uma figura de autoridade, mas dele é exigido participação e afecto.

Historicamente, até ao fim do século passado, o pai desempenhava essencialmente a função de educador e disciplinador, segundo códigos frequentemente rígidos e repressivos.

Actualmente o pai já não é aquele sujeito todo-poderoso e assustador, autoritário por excelência.

O pai é visto como uma figura de autoridade, responsável por funções que asseguram o desenvolvimento dos filhos. Dele é exigido participação e afecto.

Quando o bebé nasce a função materna é a mais importante: a função psíquica de contenção dum bebé absolutamente dependente, que necessita de acolhimento e cuidados.

Mas, desde o momento inicial da vida, a função paterna e a função materna estão interligadas e tornam-se complementares.

São funções mentais que não estão directamente relacionadas com um ou outro género sexual.

A função paterna no início da vida do bebé relaciona-se com dar condições de segurança, apoio e estabilidade para que aquele que desempenha a função materna possa fazê-lo integralmente.

Ele é o investimento narcísico daqueles que cuidam do bebé, e o reflexo deste investimento libidinal.

Bebés lindos e mães extenuadas e descuidadas são, muitas vezes, a cara e a coroa de uma mesma moeda.

O bebé e a mãe, nesse sentido, são indistinguíveis. Não existe um bebé independente, destituído de uma função materna que o acompanhe.

Ao longo do crescimento do bebé a função paterna passa a ser menos periférica, assumindo uma maior centralidade na vida da mãe e, também, da criança.

O “não” surge como a primeira expressão nítida e fundamental da função paterna dirigida ao bebé.

O cuidador do bebé precisa lidar com os desenvolvimentos motores e, portanto, com uma maior preocupação com o mundo, já que o bebé passa a adquirir paulatinamente maior autonomia.

Mas ainda não é, de facto, uma verdadeira autonomia; assim o “não” surge como a primeira expressão nítida e fundamental da função paterna dirigida directamente para o bebé.

Ela tem a função de limitar os seus avanços no mundo que surgem naturalmente, mas de modo pouco cuidadoso.

Portanto, a função paterna tem como objectivo apresentar o mundo para a criança pequena, mas um mundo que se torne seguro para ela.

Uma das funções fundamentais do pai é colocar limites nos filhos e aceitar os seus eventuais sentimentos hostis, pois no desenvolvimento infantil é importante ter a quem odiar e a amar – a divisão amor / ódio será superada posteriormente.

Aceitar sentimentos hostis dos filhos significa reconhecer que nas crianças existe agressividade e que elas precisam que essa parte seja acolhida.

O “não” inicial limita certos avanços perigosos da criança, mas é preciso levar em conta que já existiu um “sim” na relação desta criança com o mundo.

A função paterna separa a mãe da criança para incluí-la num mundo mais amplo, o mundo do universo simbólico. A função paterna, portanto, separa para incluir.

A autonomia é a finalidade da realização satisfatória da função paterna e materna na vida mental do filho.

O pai enriquece o mundo infantil ao trazer novidades e as brincadeiras da sua infância.

O mundo paterno é alvo de maior curiosidade, pois a criança está mais ligada à mãe e ao mundo doméstico, de certa forma mais limitado.

A presença da função paterna e materna mantém-se ao longo da vida dos pais, mudando de intensidade e de importância de acordo com as circunstâncias da vida do filho.

Mas também são funções que se transmitem, de modo que um jovem adulto pode ter o seu próprio filho e valer-se das funções materna e paterna prontas para serem desempenhadas com uma nova criança. Quando isso acontece, o filho pode “prescindir” dos seus pais.

A autonomia, portanto, é a finalidade da realização satisfatória da função paterna e materna na vida mental do filho.

Os filhos, desse ponto de vista, podem ir adiante, fazendo com que os pais se tornem menos importantes.

Deixar ser suplantado, tornado desimportante e poder orgulhar-se da autonomia do filho e da possibilidade de ser desimportante é o último bastião da função paterna.

Trata-se de confiar que aquilo que foi transmitido poderá ser retransmitido nas futuras gerações.

a arte de se separar ou ficar junto

A difícil arte de estar junto (ou de se separar)

Balint – Ocnofilia e Filobatismo 

Namoros, casamentos, empregos, ideias, relações eróticas, e toda uma variedade de coisas com que nos relacionamos têm fim.

Como pode então uma situação tão à mão de todos os mortais, um assunto tão discutido, do charlatanismo à filosofia, causar desastres quando faz a sua chegada?

Porque não conseguimos deixar os outros partirem, transformando anos, décadas de amor, apego e suporte em ódio, indiferença e vingança?

A “resposta” está relacionada com duas posições básicas que começam no bebé e, cristalizadas, podem às vezes permanecer no adulto, gerando ansiedade, angústia e fazendo com que muitos de nós se transformem em “escravos” nos relacionamentos.

Balint recorre ao mundo infantil (brinquedos e/ou brincadeiras que causam arrepios, como por exemplo a montanha-russa) para nos ajudar a compreender a existência de duas posições no que diz respeito à relação como o objecto – (o objecto é uma representação mental de um objecto externo, um sujeito/outro/pessoa*).

Balint dá particular atenção a uma questão notória: o facto de que para alguns esses brinquedos/brincadeiras são fonte de intenso prazer, enquanto outros mal podem pensar em sentir o tal arrepio e frio na barriga. Guardemos essas duas reacções (aparentemente) antagónicas – elas são a base para o núcleo do pensamento neste trabalho.

Numa clara discordância de Freud (e Melanie Klein), Balint não acredita na existência do narcisismo primário, ou seja, o investimento total do bebé em si mesmo nos primeiros meses de vida de modo a que pense ser o único ser do mundo e o criador de todos os objectos*.

Para Balint, esse mundo inicial já é um mundo de relação com o outro, mas nele os outros atendem às necessidades do bebé de maneira incondicional. Os outros seguram-no, amamentam-no, o sustentam (no sentido físico), suportam a sua existência em toda a sua (do bebé) fragilidade.

Façamos agora a síntese dessas duas proposições:

Quais seriam as reacções possíveis do bebé ao perceber que os objectos* não existem para servi-lo? Que falham, têm vida e desejos próprios.

São duas as reações:

Ou se “penduram” no outro* para não o deixar escapar ou criam mecanismos para viver sem ele.

As duas posições básicas:

Balint dá tanta importância à sua descoberta que propõe duas palavras novas para descrever cada uma das respostas do bebé, às vezes também presentes nos nossos pacientes adultos; duas posições estas que são uma reacção à descoberta dos outros como autónomos.

Para o primeiro caso, a palavra proposta é ocnofilia, que vem de um radical grego que significa pendurar-se, encolher-se, hesitar (implícito aqui de que isso aconteça por medo, vergonha ou pena em relação a um outro. Este é o bebé que não gosta de andar na montanha-russa (metaforicamente falando): ao descobrir que os outros* não o servirão de forma incondicional para o resto da vida ele – cria mentalmente -, a possibilidade de se pendurar neles, quer eles queiram quer não.

Ou seja, para o ocnofílico, as distâncias são desesperantes, uma terrível ameaça e um vazio indizível. Apenas firmemente preso aos outros, ele pode viver e serenar a sua angústia.

A outra posição, advinda do mesmo problema é chamada de filobatismo.

Balint faz um mergulho nos significados arcaicos do radical desta palavra, mas para quem fala português o melhor é pensar no paralelo com a palavra acrobata. Este é o bebé que – cria mentalmente a ideia de que – não precisa dos outros*; melhor dito, que vive melhor sem eles. Ele confia no ambiente e em si e sente que a ameaça vem dos outros* que se aproximam dele. É um mundo inteiro “estruturado por distância segura e visão/observação”.

O filobata confia no mundo, nas distâncias. O problema surge quando necessita negociar com um outro que se impõe. Entretanto ele não despreza o outro: O filobata cuida dos outros. Na verdade ele transforma-os para o seu uso (e por isso cuida deles). O filobata não precisa dos outros, pelo menos, nenhum em particular.

Não parece difícil concordar com o autor: tudo o que é pensado aqui remete para questões muito primárias. O encontro com o mundo externo independente e com a consequente pergunta “e agora, o que vou fazer se o mundo se recusa a atender, de maneira absoluta, todos os meus desejos?”.

As duas saídas propostas são a ocnofílica e a filobática, ambas insatisfatórias, com seus prós-e-contras, se é que podemos falar assim, e que se tornam claras a partir do pensamento dos skills que cada posição desenvolve.

O ocnofílico tem os outros* como objectivo e desenvolve skills visando “um caminho eficiente para se pendurar e talvez (…) um método custoso para ser aceite pelo outro* como um tipo de parasita”. É uma técnica relativamente efectiva. O seu ponto fraco encontra-se no facto de que “o seu verdadeiro desejo nunca pode ser alcançado pelo estar colado ao outro*. O verdadeiro desejo é o de ser seguro pelo outro* e não o de pendurar-se desesperadamente nele”.

Já para o filobata o mundo é bem diferente. Desde que as coisas não fiquem demasiado complicadas, ele, o acrobata, sente-se imensamente seguro voando pelos céus. O risco encontra-se nos outros*, que não podem satisfazê-lo e são, por isso, perigosos.

Encontra segurança em relações em que faz dos outros* equipamentos que estão sempre dispostos a servi-lo nas suas acrobacias e por isso são, pelo filobata, muito bem cuidados.

Agora, claro, dada a característica primitiva das duas posições é inevitável, para Balint e para nós, falar de dois sentimentos também primitivos, avassaladores e conectados: amor e ódio. (brevemente)

 

 

Este post teve por base excertos (modificados) de:

A difícil arte de estar junto (ou de se separar) – Luis Fernando Santos

Teoria da vinculação

A influência da vinculação nas relações amorosas

As relações de vinculação na infância apresentam fortes semelhanças com as relações de cariz amoroso na idade adulta, sendo as primeiras prototípicas das últimas.

Ao longo do desenvolvimento do ser humano, a complementaridade de papéis vai dando lugar à reciprocidade, as representações internas vão adquirindo maior relevo e articulação com a manifestação dos comportamentos de vinculação.

A necessidade de presença física, para obtenção de conforto e segurança em situações de adversidade, vai sendo substituída, progressivamente, pela presença simbólica ou pela interacção à distância (Fonseca, Soares, & Martins, 2006).

Os padrões de vinculação manifestados por um adulto dependem de variáveis como:

– a idade, o género e as experiências vivenciadas com as figuras de vinculação nos seus primeiros anos de vida.

Habitualmente, uma relação de vinculação persiste ao longo do ciclo vital do indivíduo.

Muito embora durante a adolescência as vinculações da infância possam atenuar-se ou serem até substituídas por novos vínculos, as primeiras não são facilmente abandonadas, sendo comum persistirem na idade adulta (Bowlby, 1982).

As relações de vinculação na infância apresentam fortes semelhanças com as relações de cariz amoroso na idade adulta.

Assim, uma nova vinculação a outra figura, nomeadamente a um companheiro amoroso, não significa necessariamente que a vinculação às figuras parentais tenha cessado.

Na verdade, verifica-se uma relação causal significativa entre as experiências de um indivíduo com as suas figuras parentais e a sua capacidade para estabelecer vínculos afectivos posteriores.

Assim, o estilo de vinculação construído nos primeiros anos de vida mantém-se e irá moldar o padrão de relacionamentos estabelecidos na adultícia.

A Escala de Vinculação do Adulto (EVA) apresenta resultados consistentes com a teoria de que a qualidade das relações precoces prevê as interacções num contexto amoroso nas suas relações futuras (Dinero, Conger, Shaver, Widaman & Larsen-Rife, 2011).

Mais concretamente, indivíduos categorizados como inseguros revelaram-se mais propensos a exibir emoções negativas e a mobilizar estratégias inadequadas, durante situações conflituosas com um parceiro.

Hazan e Shaver (1987) salientam paralelismos entre as relações de vinculação primárias e as relações amorosas na idade adulta.

Estas efectivam-se na concepção de que na adultícia a relação com o outro poderá constituir-se como promotora de segurança, na medida em que o indivíduo procura proximidade em situações avaliadas como ameaçadoras, recorrendo ao outro para readquirir uma percepção de competência pessoal e uma capacidade de exploração do mundo.

Ao conceptualizarem as relações íntimas como relações de vinculação, Hazan e Shaver identificaram três estilos de vinculação na idade adulta, semelhantes aos de Ainsworth.

O estilo de vinculação construído nos primeiros anos de vida mantém-se e irá moldar o padrão de relacionamentos estabelecidos na adultícia.

Estes designam-se por estilos de vinculação Seguro, Inseguro Ambivalente/Ansioso e Inseguro Evitante, associados a formas distintas de vivenciar o relacionamento amoroso.

Neste sentido, foi elaborado um modelo bidimensional composto por eixos dicotómicos compostos por modelos de si e modelos dos outros.

Da interface destes dois eixos surgem quatro estilos de vinculação, sendo estes Seguro, Inseguro Preocupado, Inseguro Evitante Desligado e Inseguro Evitante Amedrontado.

Indivíduos com estilo de vinculação seguro apresentam modelos positivos de si e dos outros, manifestando baixos níveis de ansiedade e evitamento face à intimidade com o outro.

Estes indivíduos caracterizam-se pela valorização das suas relações íntimas, através de uma capacidade de as manter sem prejuízo da autonomia pessoal, destacando-se uma coerência das narrativas das suas relações.

Por sua vez, indivíduos com um estilo de vinculação inseguro evitante desligado possuem um modelo positivo do self e negativo dos outros, minimizando as suas percepções subjectivas de angústia ou de necessidades sociais, negando defensivamente a necessidade ou o desejo de relacionamentos próximos.

Assim, na regulação emocional e no comportamento interpessoal, manifestam um baixo nível de ansiedade mas um elevado evitamento de proximidade, decorrente das expectativas negativas que têm dos outros.

Mostram ainda um elevado sentido de mérito pessoal, negando o valor das relações íntimas e exacerbando a estima pela independência.

Tanto os indivíduos inseguros preocupados como os inseguros amedrontados detêm um profundo sentido de auto-desmerecimento.

Indivíduos com um estilo de vinculação inseguro preocupado apresentam um modelo negativo do self e positivo dos outros, manifestando uma elevada ansiedade e um baixo evitamento face à proximidade.

Já indivíduos com estilo de vinculação inseguro evitante amedrontado operam através de modelos negativos de si e dos outros.

Encaram-se como não merecedores do amor dos outros, manifestam uma elevada ansiedade e evitamento, mas possuem um desejo consciente de contacto social que é inibido por medos associados às suas consequências.

Ou seja, na regulação emocional e no comportamento interpessoal, são indivíduos que apresentam uma elevada dependência dos outros contudo, devido às expectativas negativas que deles têm, evitam a intimidade para evitarem o sofrimento de uma eventual perda ou rejeição.

Em muitas situações o sujeito não tem consciência de que está a ser manipulado pelas suas experiências passadas.

Os modelos representacionais de figuras de vinculação e do eu que um indivíduo constrói durante a sua infância e adolescência tendem a persistir até e durante a vida adulta.

Esta manutenção das representações de vinculação pode apresentar como consequência uma tendência para apreender uma nova pessoa, com quem pode construir um vínculo afectivo, sustentado num modelo existente, continuando frequentemente apesar de repetidas evidências de que o modelo é inadequado.

Tornando-se cada vez mais desadequado, o indivíduo espera ser percebido e tratado de um modo coerente ao seu modelo do self, permanecendo com tais expectativas apesar de evidências contrárias.

Tais percepções e expectativas distorcidas conduzem a falsas crenças acerca dos outros, falsas expectativas acerca do modo como os outros se comportarão e a atitudes inadequadas, com a intenção de frustrar o comportamento do outro.

A título de exemplo, um sujeito que durante a sua infância foi frequentemente ameaçado de abandono pode precipitadamente atribuir intenções semelhantes ao seu companheiro amoroso.

Assim, interpretará os comportamentos do cônjuge, como o que este diz ou faz, em função dessas intenções que lhe atribuiu e tomará uma iniciativa que julgue ser a mais adequada para enfrentar a situação que acredita existir, permanecendo equívocos e conflitos no seio da relação amorosa.

Em todo este processo, o sujeito não tem consciência de que está a ser manipulado pelas suas experiências passadas, nem de que as suas crenças e expectativas actuais são infundadas.

O conteúdo cognitivo estabelece-se como extremamente relevante na consideração das respostas disfuncionais no seio dos conflitos, considerando que a adesão a crenças irrealistas, especificamente a respeito da natureza dos relacionamentos, é indicadora de um nível de perturbação das relações.

Este post foi composto com excertos do trabalho de Sara Damas:

“Relação entre os Estilos de Vinculação do Adulto, os Esquemas
Precoces Desadaptativos e as Relações Interpessoais.”

psicólogo

A esperança

Para muitos de nós a esperança teve um custo muito elevado para voltarmos a apostar nela.

É possível que tenhamos sido expostos a grandes decepções quando éramos mais jovens ou num momento em que estávamos muito frágeis para lidar com elas.

Talvez esperássemos que os nossos pais ficassem juntos mas separaram-se. Ou esperávamos que algo que desejávamos muito acontecesse, mas não aconteceu. Talvez após nos atrevermos a amar alguém e, depois de algumas semanas de felicidade, tudo tenha terminado.

Isso acabou por criar em nós uma profunda associação entre esperança e risco. Daí que possamos viver de forma mais tranquila a decepção, e com receio a esperança.

A solução é lembrarmo-nos que podemos, apesar dos nossos medos, sobreviver à perda da esperança.

Já não somos aqueles que sofreram as decepções que nos levaram a sermos estas pessoas tímidas. As condições que forjaram os nossos receios já não correspondem à nossa vida actual.

O inconsciente pode, como é seu costume, estar a ler o presente através das lentes usadas no passado, mas o que tememos que possa acontecer – na verdade – já aconteceu.

Estamos a projectar no futuro uma catástrofe que pertence a um passado onde nos vimos impossibilitados de responder adequadamente.

Para além disso, o que fundamentalmente distingue a idade adulta, da infância, é que o adulto tem acesso a mais fontes de esperança do que a criança.

Podemos sobreviver a uma desilusão aqui e ali, porque nós já não vivemos numa pequena província, delimitada pela família, o bairro e a escola.

Nós temos um mundo inteiro onde podemos nutrir-nos de uma variedade de esperanças que, inevitavelmente, alguma pode resultar numa desilusão, mas – e essa é a grande diferença – apenas ocasional.

 

Traduzido e Adaptado por Pedro Martins

a partir de Alain de Botton

Narcisismo Normal e Patológico Pedro Martins Psicoterapeuta

Narcisismo Normal e Patológico

Existe um narcisismo normal, útil, baseado num amor são para consigo mesmo, que facilita o desenvolvimento de um amor são para com o outro e que implica uma protecção psíquica e somática.

O Eu deste tipo de narcisismo mostrará capacidade para gratificar e ser gratificado, e para reparar e elaborar lutos pelas perdas.

Por outro lado, há um narcisismo patológico em que predominam a inveja e a agressão para com o outro e para com o Self, que se reforça em função da atitude do ambiente familiar para com a criança.

Quando esta atitude é predominantemente negativa, aumenta a ferida narcísica e intensifica-se a patologia, com diminuição da auto-estima, aparecimento de afectos destrutivos e persecutórios, humilhação, difamação e desamparo, aos quais a criança pretende resistir com omnipotência e megalomania.

Bibliografia: Culpa e Depressão – Léon Grinberg

Do Domínio ao Abuso Narcisista Pedro Martins Psicólogo Clínico Psicoterapeuta

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