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Psicoterapia

Por que o sexo de reconciliação e de despedida são tão bons Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que o Sexo de Reconciliação e Despedida é fantástico?

“O sexo de reconciliação foi 10 vezes mais intenso do que eu alguma vez experimentei.”

“A única coisa que sei sobre sexo de reconciliação é que funciona muito bem.” – (mulher casada)

As pessoas descrevem o sexo de reconciliação como selvagem e extremamente gratificante, e é experimentado após uma discussão intensa.

O que faz com que no seguimento de uma discussão amarga, tudo seja esquecido, quando o casal se envolve no que muitos dizem ser um sexo incrivelmente selvagem e prazeroso?

E por que o sexo de despedida também é tão excitante?

 

Transferência de excitação

A explicação básica para a excitação no sexo de reconciliação é a transferência do estado de excitação de uma situação para outra.

Quando estamos excitados devido a um estímulo, é provável que sejamos facilmente excitados por outro.

O sexo de reconciliação é considerado por muitos como o melhor sexo que existe, o que, em muitos casos, compensa a discussão.

A excitação de transferência é explanada na clássica experiência da ponte realizada em 1974 por Donald Dutton e Arthur Aron.

Nessa experiência, transeuntes do sexo masculino são abordados por uma mulher muito atraente que lhes pede para preencher um questionário.

Metade dos entrevistados estava a atravessar uma ponte suspensa que gerava algum medo. A outra metade atravessava uma ponte baixa e segura.

A excitação sexual em relação à mulher foi maior nos sujeitos que atravessavam a ponte que gerava medo.

A excitação do medo foi transferida para a excitação sexual gerada pela presença de uma mulher atraente.

Outro exemplo deste género de transferência pode ocorrer quando assistimos a certos filmes:

– A nossa raiva em relação ao vilão pode facilmente transformar-se em excitação; a felicidade de vermos o vilão a ser castigado.

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas mas também de outras experiências agradáveis.

 

A grande excitação gerada pelo sexo de reconciliação pode ser explicada à luz dos exemplos anteriores.

O alto estado de excitação associado à discussão é transferido para um estado de grande excitação durante o sexo de reconciliação.

O sexo fantástico após uma discussão, deve-se, em certa medida, à mudança de humor e ao alívio (pelo menos temporário) que a reconciliação com o parceiro produz.

Mas também é resultado da transferência da excitação da discussão para o sexo.

O sexo de reconciliação ocorre após uma discussão desagradável e acalorada com um parceiro que abriu um abismo entre os dois, e assim, ameaçou a continuidade do relacionamento.

O sexo de reconciliação restabelece o vínculo de uma forma bastante palpável.

Como referiu uma mulher:

“O nosso relacionamento é muito mais seguro depois do sexo de reconciliação, para além do alívio adicional da re-conexão com o meu companheiro.

É um lembrete de que, embora nos tenhamos magoado, ainda estamos lá um para o outro.”

Uma maneira semelhante de aumentar a excitação sexual, através da transferência de excitação, é quando um parceiro age de forma selvagem e até mesmo sádica, em relação ao outro.

Aqui a excitação subjacente à raiva e até ao deseja de vingança é transferida para a excitação sexual.

Os casais também desenvolvem formas mais subtis de aumentar a excitação sexual. Por exemplo, através de provocações (teasing).

 

“Eu sinto mais amor durante o sexo de reconciliação, porque apesar do que aconteceu, sei que o nosso amor sobreviveu.” – (mulher casada)

 

A transferência da excitação não resulta apenas de emoções negativas, como a raiva que prevalece durante as contendas, mas também de emoções positivas, como o desfrutar de um bom jantar em conjunto ou de outras experiências agradáveis.

Também pode ser activada pela excitação sexual desencadeada por uma terceira pessoa, como um vizinho de boa aparência ou o herói de um filme que é, então, transferida para o parceiro.

As emoções são fenómenos muito dinâmicos e contagiosos: elas podem facilmente passar de uma pessoa para outra.

Assim, quando vemos uma pessoa triste e a chorar, muitos de nós também ficamos tristes.

Quando alguém nos ama, é mais provável que amemos essa pessoa de volta.

E quando percebemos que a pessoa com quem estamos está excitada sexualmente, também ficamos excitados.

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

A situação de amor / ódio é um desses casos. O amor intenso pode tornar-se um terreno fértil para o surgimento de um ódio intenso.

 

Quando estamos excitados devido a um estímulo, facilmente somos excitados por outro.

 

Sexo de Despedida

O sexo de despedida (“one for the road”) é o sexo agridoce e apaixonado que você tem com o seu parceiro logo depois, enquanto, ou pouco antes de terminar o relacionamento com ele.

Algumas pessoas consideram que o sexo de despedida é ainda melhor do que o sexo de reconciliação.

A excitante natureza do sexo de despedida deve-se às suas circunstâncias únicas:

  • É a última oportunidade de desfrutarem do sexo um com o outro.

Tal como Ted Spiker referiu, “é como no dia anterior ao início de uma dieta. Amanhã vou começar, mas hoje vou aproveitar para comer as coisas que mais gosto”.

O sexo é especialmente prazeroso quando o relacionamento é basicamente bom.

“O sexo de despedida é incrível! É realmente difícil entender até você experimentar! É melhor do que fazer sexo de reconciliação!” – (homem anónimo)

O sexo de despedida envolve o carinho que permanece apesar da separação.

Devido à sua natureza “final”, as pessoas não sentem inibições ou restrições no sexo e comportam-se como desejam, sem se preocupar com o futuro ou o efeito no outro.

Nesta experiência comovente e triste, as pessoas geralmente não falam dos maus momentos e do que arruinou o relacionamento; elas estão imersas na presença excitante, sabendo que não existe amanhã.

Frequentemente adoptam a atitude de: “comer, beber e ser feliz, porque hoje é o ultimo dia das nossas vidas”.

Nada tem importância, excepto a presente união sexual.

No sexo de despedida, a excitação resulta de experimentar uma ligação que não é restringida por circunstâncias passadas e futuras.

 

A natureza dinâmica e maleável das emoções não se reflecte apenas na transferência de emoções de uma pessoa para outra, mas também na transferência de emoções dentro da própria pessoa.

 

No sexo de reconciliação, a excitação tem origem na superação das dificuldades do passado e em olhar positivamente para o futuro.

A total ausência de constrangimento é o que faz com que o sexo de despedida geralmente seja o mais excitante dos dois.

 

Os riscos do sexo de reconciliação e de despedida

O sexo de reconciliação tem os seus próprios riscos, um dos quais é reforçar as discussões, ou pelo menos não levar as contendas tão a sério quanto deviam.

Isto é particularmente verdadeiro quando as discussões são violentas, como no caso das mulheres agredidas.

Muitas vezes, imediatamente após a uma situação de violência doméstica, os homens obrigam as mulheres a fazerem sexo com eles.

Não é preciso dizer o quanto isto é terrivelmente devastador para as mulheres.

No entanto, noutros casos, quando já passou um certo tempo desde que a violência ocorreu, o sexo de reconciliação pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

Esta é a história real de Tina Nash, uma mulher severamente espancada que ficou com o namorado apesar dos seus comportamentos violentos.

Depois de um episódio particularmente violento, ela voltou no dia seguinte com o intuito de apanhar o carro que ficado estacionado à porta de casa dele.

Ela refere: “Fizemos amor apaixonado naquela noite. O sexo de reconciliação com ele foi 10 vezes mais intenso do que eu já tinha experimentado antes. Ele foi carinhoso e olhava para mim como se quisesse possuir a minha alma.”

Alguns meses depois, ela perdeu a visão em resultado de outro episódio de violência.

Fazer sexo de reconciliação quando a relação é má não envolve uma verdadeira resolução para o conflito, mas um encobrimento temporário, que distrai a atenção do casal dos seus profundos problemas.

 

Riscos: pode facilitar o retorno das mulheres aos seus companheiros violentos como se nada tivesse acontecido.

 

Quando as discussões são constantes e extremas, o sexo de reconciliação pode funcionar como uma droga que dá um alívio temporário e ilusório, mas não é uma solução real.

O sexo de despedida pode ser importante, principalmente, em duas situações:

(a) Ainda gostam um do outro e querem continuar amigos

(b) A decisão de terminar a relação é mútua

Em alguns casos, o sexo de despedida pode ser muito triste e doloroso.

Miguel refere: “A minha namorada levou-me para um fim-de-semana romântico com a ideia de fazermos sexo o máximo de vezes possível e antes de se ir embora disse-me que a nossa relação estava terminada. Isso deixou-me enfurecido e amargurado”.

Para outras pessoas, especialmente aquelas cujo amor pelo parceiro se extinguiu, o sexo de despedida faz com que se sintam tristes por estarem a ser usadas e a cederem a fazer sexo por pena do parceiro.

Outro problema (ou vantagem) do sexo de despedida é que, se é tão bom, gera segundos pensamentos em relação ao fim da relação, que ambos pensavam ser a decisão certa.

 

Sexo de reconciliação em bons e maus relacionamentos

O sexo de reconciliação é um remédio superficial para as discussões.

O remédio é benéfico quando o relacionamento é basicamente bom, e as discussões são tipicamente circunscritas e reduzidas, ou seja, não expressam uma divisão profunda e hostil.

Entretanto, quando existem problemas mais profundos na relação, o sexo de reconciliação tem pouco valor e pode mesmo invocar emoções negativas ao não se abordar o problema com seriedade.

Quando os conflitos subjacentes ao sexo de reconciliação são circunscritos e reduzidos, eles podem ser como pequenas quantidades de um vírus que imuniza o sistema.

Mas quando as doses do vírus são grandes o sistema pode colapsar.

 

Ter relações sexuais extremamente prazerosas não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Quando as discussões que antecedem o sexo de reconciliação são raras, elas podem ser consideradas como um obstáculo que o casal pode superar, e o sexo é uma das maneiras de fazê-lo.

Neste último caso, quando o relacionamento é basicamente bom, o sexo de reconciliação é normalmente muito bom, e a relação provavelmente melhora.

Quando as contendas são significativas e expressam a natureza problemática do relacionamento, o sexo de reconciliação pode prejudicar ainda mais a relação e os parceiros individualmente.

Não é necessário provocar discussões sérias para ter sexo muito prazeroso, pois há um preço a pagar pelas contendas.

Além disso, se uma discussão é deliberadamente provocada, o sexo subsequente pode perder a sua atracção como reafirmação do amor.

Para além do mais, como os desentendimentos, mal-entendidos e discussões são comuns nos relacionamentos saudáveis, não há necessidade de provocá-los artificialmente – somente a necessidade de superá-los de forma positiva.

Em suma, o sexo de reconciliação e o sexo de despedida podem ser importantes e maravilhosos em certas circunstâncias.

No caso do sexo de reconciliação, as discussões devem ser circunscritas e reduzidas

No caso do sexo de despedida, os dois ainda devem gostar um do outro, e o desejo de terminar resultar de um acordo mútuo.

Noutros casos, tanto o sexo de reconciliação como o sexo de despedida podem ser prejudiciais, já que não resolvem os problemas, mas apenas os aprofundam.

Em qualquer caso, um magnífico sexo não se limita a experiências pós-discussões ou de despedida, também pode ser parte de um amor profundo.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de Why make-up sex and breakup sex are so good – Aaron Ben-Zeév

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