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Psicoterapia

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A Confiança

Uma das razões pela qual a nossa confiança falha está em nos sentirmos muito ansiosos com a possibilidade de perda da nossa dignidade.

Há muitas situações que podem ser bastante interessantes e divertidas, mas também representam um perigo palpável de fazermos figura de parvos.

Se tentarmos beijar alguém, pode ser o começo de algo fantástico, mas também existe o risco que se afastem e pensem que somos idiotas por estupidamente termos presumindo que poderiam estar interessados em nós.

Se formos sozinhos a uma festa onde não conhecemos ninguém, podemos acabar por ter uma noite agradável – mas também é possível que nos sintamos muito sozinhos.

Podíamos em consciência pedir um aumento ou uma promoção, mas algumas pessoas seniores podem ver no nosso pedido um sinal de que estamos errados na avaliação do nosso mérito.

Quando dizemos que nos falta confiança, o que muitas vezes queremos dizer é que normalmente desistimos de oportunidades atractivas, mas incertas, de modo a evitar um possível golpe no nosso orgulho.

O nosso medo decorre da ideia comovente de que precisamos proteger a nossa dignidade para viver bem.

A imagem mental de nós mesmos é de que não somos idiotas – e, portanto, seria terrível se os outros começassem a pensar que somos.

Mas o facto estranhamente útil é que nós definitivamente já somos tontos.

Não porque haja algo particularmente estranho sobre nós como indivíduos: esta é apenas uma verdade básica sobre estar vivo.

É claro que somos estimulados por impulsos irracionais.

É claro que queremos coisas que não vamos conseguir.

Obviamente vamos perder coisas e fazer observações das quais mais tarde nos arrependeremos.

Inevitavelmente, interpretaremos mal certas situações e deixaremos os outros a pensar que somos estranhos.

Isso é o que acontece de forma regular se temos um cérebro humano que vagueia pelo mundo e interage com outras pessoas.

Para a pessoa com pouca confiança, o caminho para diminuir a ansiedade é a admissão firme e inteligente de que já somos tontos e, portanto, temos pouco a perder.

O pior que pode acontecer é os outros reconhecerem o que já reconhecemos como verdade. Assim não seremos afrontados por um ataque à nossa auto-imagem, teremos apenas a confirmação do que sabemos muito bem desde o início.

E – se nós assumirmos o risco – às vezes as coisas vão correr a nosso favor:

– O nosso pedido de promoção será recebido com um sorriso caloroso, faremos um novo amigo, e quem sabe, receberemos aquele beijo.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins
a partir de “On Confidence” – Alain de Botton

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