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A Insónia Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

A Insónia

As perturbações do sono são um fenómeno frequente nas doenças de natureza emocional; a mais frequente de todas essas alterações é a insónia.

Qualquer que seja a sua origem, a atitude do médico – como sempre – deve ser a de procurar chegar a um diagnóstico etiológico correcto e não “atacar” directamente e “levianamente” o sintoma, prescrevendo um hipnótico.

Atitude tanto mais grave quanto se usam correntemente drogas que dão habituação e dependência.

Pode parecer que fazemos uma elementar recomendação para principiantes ou leigos; mas tal não é o que a experiência nos ensina, pois o erro assinalado é cometido, com frequência, por médicos idóneos.

Simplesmente, não estão suficientemente avisados ou prevenidos para resistir à solicitação dos doentes (…), que é, em regra, a de obter uma receita para induzir, aprofundar ou prolongar o sono.

Quem consulta o médico nestas circunstâncias nem sempre está disposto a enfrentar os verdadeiros problemas com que se debate; e procura, consciente ou inconscientemente, ignorá-los, levando o médico a cair na “esparrela”.

Excertos do artigo “A Insónia”, publicado originalmente em 1977, Jornal do Médico, XCV, 1769: 398, Novembro.

Psicoterapia

O Sintoma em Psicoterapia

Em psicoterapia o sintoma tem um estatuto diferente daquele que vulgarmente lhe é atribuído.

O que é um sintoma?

Se um paciente se queixa de depressão, falta de desejo sexual ou de incapacidade de pôr termo a uma relação onde é vítima de um parceiro violento, qual é o sintoma?

O sintoma não é necessariamente aquilo de que se tem consciência.

Talvez seja mais apropriado chamar-lhe queixa, que não deve ser confundida com sintoma.

Segundo Mezan, “a queixa” traduz uma percepção que o indivíduo tem sobre si mesmo, uma “teoria” a seu respeito que, como qualquer produção psíquica, deve ser tratada com respeito.”

No entanto, nada indica que essa “teoria” esteja de acordo com os “reais” significados.

Por outro lado, o sintoma, por norma, apresenta-se como absurdo; o paciente não consegue perceber a sua razão de ser nem de onde ele provém.Se soubesse, provavelmente, não recorreria a um psicólogo.

O sintoma é sentido como absurdo porque encontra-se desconectado da restante vida mental.

Perante a impossibilidade de estabelecer essa conexão o sujeito desenvolve uma teoria para dar sentido ao seu sintoma.

Factos improváveis, mas plausíveis, são usadas para explicar/justificar o sintoma.

Portanto, numa psicoterapia, perante o sintoma, não deve ter-se a mesma atitude que a medicina.

O médico procura aliviar ou remover o sintoma que perturba a saúde do paciente. Neste caso o paciente não é “sujeito do seu mal”, mas “vítima”.

Do psicólogo espera-se que estabeleça as condições para que o paciente, ao seu ritmo, possa criar novas conexões que lhe permitam uma compreensão mais profunda da situação e de si, e ao mesmo tempo, o extinguir dos sintomas.

Diagnósticos como Destino. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Diagnósticos como Destino

Quando João me procurou já tinha perdido a conta ao número de psicólogos e psiquiatras (e diagnósticos) que tinha consultado.

Resolveu vir conversar comigo mais por pressão da família do que por sentir que eu o poderia ajudar.

Apresentava muitos sinais de cansaço.

Chega a uma altura em que é difícil continuar na busca de soluções; faltam as forças e desistir parece fazer mais sentido que continuar.

Como paciente “profissional” que era, apresentava no seu curriculum uma lista enorme de diagnósticos.

Alguns, diga-se de passagem, bem caricatos. Desse leque “incorporou” aqueles que de alguma forma eram mais congruentes e se adequavam à forma como se sentia.

Conhecia os sintomas e reconhecia-os em si. Conhecedor profundo do mundo “psi” (diagnósticos, sintomas e medicamentos), pouco ou nada sabia sobre si.

Fiquei a ouvi-lo atentamente enquanto desfiava a sua história pela enésima vez.

À medida que João ia falando senti que aquela não era bem a sua história, mas uma história que lhe tinha sido contada sobre ele próprio – em forma de diagnóstico.

Impossibilitado de ser aceite na sua plenitude foi cortando, aqui e acolá, partes de si – da sua história -, e acrescentando as que lhe eram apresentadas.

Como paciente “profissional” que era, apresentava no seu curriculum uma lista enorme de diagnósticos.

A partir desse momento ficou impedido de escrever a sua história, ficando a vida em “Pause”.

Sem o saber, João sabia que aquela não era a sua história, mas estava amarrado a ela e não podia desprender-se do que tinham traçado sobre ele – uma espécie de destino.

Sem possibilidade de romper seguia o guião que escreviam para ele.

Ainda assim, havia um resquício de esperança. A busca continuava.

Não tinha desistido, mas o tempo passava e as dúvidas eram cada vez mais: “talvez esta seja mesmo a minha história e nada mais. Talvez nem exista história, somente um tempo em contagem decrescente”.

Às vezes, papel e caneta, tempo e espaço, disponibilidade e amor, é quanto baste para reescrever a história. “Play”.

Tristeza ou Depressão. Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Tristeza ou Depressão

Onde havia sentimentos hoje há sintomas. Onde havia tristeza hoje há depressão. Onde havia uma reacção “normal” (egossintónica) hoje há patologia.

Ao abolir-se a reacção “normal” perante vivências inevitáveis da nossa vida, como por exemplo, a tristeza pela morte de alguém, transformando-a em sintoma, estamos a amputar a experiência humana e a enriquecer as estatísticas.

O ser humano, cada vez mais alfanumérico e menos ser-humano, trilha caminhos que o conduzirão à loucura, quando, paradoxalmente, foge dela. A coragem, humilde e primária da procura, deu lugar à arrogância do pseudo-conhecimento.

Este falso conhecimento assente em construções delirantes sobre o próprio e sobre o outro, mais não é que uma autofagia. Distorcendo a realidade, somos isto e somos aquilo, até deixarmos, simplesmente, de ser.

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