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Psicologização. Psi quê? Importa-se de repetir? Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Psicologização. Psi quê? Importa-se de repetir?

Em virtude do aumento da presença da psicologia e dos psicólogos na vida quotidiana, começou a ouvir-se falar de psicologizar; psicologizante; psicologização.

Em meu entender, esse termo, nos exemplos em que era usado, referia-se a uma atitude passiva e permissiva dos pais/educadores em relação ao comportamento das crianças e dos adolescentes.

“Agora fazem tudo o que querem”; “Psicologia para aqui, psicologia para ali, não sei onde isto vai parar”;

“Agora não se pode tocar nas criancinhas”; “No meu tempo levavam umas palmadas e acabava-se logo com as parvoíces”; “são uns delinquentes, deixam-nos fazer tudo”.

A propósito da psicologização, ocorreu-me uma “conversa” que o Dr. João dos Santos teve com João Sousa Monteiro:

«Uma mãe desejava falar-me e trazia o filho de 8 ou 9 anos. O miúdo queria assistir à conversa.

Era uma família de elevado nível social e cultural, e tinham conversas muito intelectuais com os filhos.

A mãe queria conversar comigo porque tinha um problema qualquer com o miúdo, e o miúdo dizia que também queria assistir à conversa, que não queria ficar de fora.

Eu disse-lhe: “Não não, tu agora esperas aí porque eu preciso falar com a tua mãe, ela tem umas coisas para me dizer que não quer que tu oiças, portanto esperas aí fora”.

E o miúdo disse-me assim: “mas eu posso ouvir tudo, porque eu até sei o que é o superego”.

E eu disse-lhe: “tu não sabes nada o que é o superego, o superego não é nada disso que tu imaginas, é isto que eu te vou mostrar”.

Agarrei-o por um braço e disse-lhe: “se tu não vais já lá para fora, levas dois estalos e então ficas logo a saber o que é o superego».

“Agora fazem tudo o que querem, não se pode tocar nas criancinhas”

Aqui temos um bom exemplo de que psicologizar tem pouco a ver com permissividade.

Temos um terapeuta (um adulto) que pensa no bem-estar da criança; que sabe que existem certos espaços, que para salvaguarda (mental) da criança, ela não deve ter acesso a eles.

É mentalmente tranquilizador (apesar de frustrante) para uma criança saber (que lhe mostrem) qual é o seu espaço e qual é o do outro.

E que ao entrar em espaços “proibidos”, apesar de muito desejados, existe alguém que a protege e lhe coloca um limite.

Actualmente, as crianças são vistas de forma muito diferente e a psicologia deu o seu contributo ao emprestar uma maior compreensão deste “ser complexo”.

Daí resultaram, como resultam sempre, várias interpretações e respectivas aplicações. A psicologização parece ser uma delas.

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