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Ansiedade de Desempenho - Psicoterapia

Ansiedade de Desempenho

Muitos actores, políticos, atletas, figuras públicas e músicos sofrem de ansiedade de desempenho – também conhecido como “medo do palco” – Barbra Streisand, Beyonce, Adele, Emma Stone, David Beckham, Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey, Thomas Jefferson, Warren Buffett, Mahatma Gandhi, para citar alguns.

Aqueles que não são famosos também se debatem com a ansiedade de desempenho. Isso inclui gestores, escritores, académicos, advogados e até profissionais de saúde mental.

Debati-me com o “medo do palco” enquanto estudante e sofria com as dúvidas quando tocava piano em público. Então, pratiquei mais. Os meus mentores e professores garantiram-me que eu “não me deveria preocupar”.

Essas garantias não ajudaram. Senti-me sozinha e confusa. As pessoas não queriam falar sobre o “medo do palco”; agiam como se fosse contagioso.

Apesar da minha ansiedade apresentei-me, mas a experiência foi esgotante, confusa e perturbadora.

 

A ansiedade de desempenho ou “medo do palco” não afecta apenas as pessoas sujeitas a grande exposição 

 

Alguns sintomas da ansiedade de desempenho

Hoje, a ansiedade de desempenho é menos estigmatizada, mas continua a debilitar e a desmoralizar muitas pessoas. A ansiedade de desempenho apresenta sintomas físicos e psicológicos, como:

– Tremores

– Insegurança

– Pavor de cometer erros; Humilhação

– Vergonha de não ser “perfeito” perante uma plateia

– Grande preocupação com o que as pessoas pensam

– Medo de decepcionar os outros

– Preocupações em parecer “esquisito” ou “estúpido”

– Ruminação constante ou pensamento circular

 

O medo leva à “luta” ou à “fuga”

Quando as pessoas ficam assustadas e se sentem atacadas, elas tentam defender-se. Infelizmente, a luta pode transformar-se num ataque a si próprio.

Esquecendo o que sabe, a pessoa acredita que o público não irá apreciá-los ou vai rir deles.

Como exemplo, alguns artistas procrastinam na preparação para uma apresentação – e depois dizem que não tiveram tempo suficiente para se preparar!

Outros param completamente de fazer apresentações.

A forma como alguém se aproxima – ou evita uma ameaça é importante para entender e gerir a ansiedade de desempenho.

Os psicanalistas chamam às respostas defensivas à ansiedade de “defesas do ego” porque o ego (ou o Eu) está a proteger-se da percepção de um temido desastre.

 

Quando as pessoas ficam assustadas e se sentem atacadas, elas tentam defender-se. Infelizmente, a luta pode transformar-se num ataque a si próprio.

 

Diminuir a ansiedade

Exemplo 1

Clara temia que o público desaprovasse as suas performances e, frequentemente sentia-se inibida em expressar as suas ideias musicais.

As suas mãos ficavam geladas e isso causava-lhe um grande sofrimento. Na terapia, ela percebeu que os seus medos e sensações físicas tinham um significado emocional na sua vida.

Os seus pais divorciaram-se quando ela era muito jovem. Clara não conseguia entender a depressão da sua mãe ou o desaparecimento do seu pai.

Ela assumiu que tinha tido algum papel na separação e sentiu-se responsável e culpada.

Clara sentiu que os seus pais eram indiferentes e que não respondiam às suas necessidades. Eles também não tinham ideia do impacto que as suas acções tinham na filha.

Ela ficou furiosa com os humores da sua mãe e a ausência do seu pai, mas tentou sempre ser uma filha “perfeita” para encobrir a sua raiva.

Clara usou duas defesas do ego para se proteger da ansiedade:

Ela negou a sua raiva porque temia que a raiva fizesse com que as pessoas a abandonassem.

Ela desconectou-se das suas emoções, raiva e medo em particular, fora do cenário das apresentações, mas tornou-se ansiosa quando estava em palco, temendo que uma apresentação “imperfeita” fizesse com que o público a desaprovasse.

Enquanto Clara e eu trabalhámos para entender as raízes mais profundas das suas mãos frias, ela descobriu que a sua ansiedade era um sinal de um sentimento desconfortável, como o medo ou a raiva.

Percebida essa conexão, poderia expressar-se através de palavras e, posteriormente, através das suas performances, que ela antecipou com prazer, em vez de medo.

 

Hoje, a ansiedade de desempenho é menos estigmatizada, mas continua a debilitar e a desmoralizar muitas pessoas.

 

Exemplo 2

Francisco tornou-se violoncelista apesar das objecções dos seus pais, que acreditavam que os músicos “acabavam a tocar no metro”. Ele persistiu nos seus estudos, mas desenvolveu uma dor no braço.

Francisco consultou vários médicos que não encontraram nenhum problema físico.

Fiz-lhe a seguinte pergunta: “Vamos considerar que a dor no seu braço provém de alguns sentimentos dentro de si – dentro da sua mente”.

Embora duvidoso, ele começou a explorar as suas reacções emocionais como uma pista importante para a sua dor física.

Ele passou a compreender como o medo e a raiva eram uma expressão da sua ansiedade de desempenho.

Ele temia comprovar que os seus pais estavam certos se não triunfasse.

Na verdade, ele estava tão enfurecido com eles por duvidarem da sua capacidade que às vezes quando estava preocupado batia no seu próprio braço.

Descobrir esses sentimentos ajudou-o a eliminar a sua dor e permitiu que Francisco controlasse a sua ansiedade de desempenho.

 

Descobrir certos sentimentos ajudou Francisco a eliminar a sua dor e permitiu que controlasse a sua ansiedade de desempenho.

 

Como gerir a ansiedade de desempenho

Aqui estão algumas coisas importantes a serem lembradas sobre a ansiedade no desempenho:

Não existe uma performance “perfeita”. A perfeição existe nas nossas mentes, fantasias e desejos.

Sentir ansiedade não significa que você não é excelente naquilo que faz.

A ansiedade é um sinal para desenvolver a curiosidade sobre as reacções e acções de alguém.

A vergonha é um sentimento complexo sobre si mesmo e também um medo de rejeição do público. Isso pode ser resolvido através da compreensão da fonte do seu desconforto emocional.

Perceba que a autocrítica intensa vem da mente do artista. Não é necessariamente o que o público sente.

Sintomas físicos como mãos frias, estômago embrulhado e dores de cabeça são algumas das maneiras pelas quais o corpo transmite pistas sobre o seu estado emocional.

Através da terapia, Clara e Francisco aprenderam a falar livremente sobre a raiva e o medo. Eles começaram a compreender que os sintomas físicos podem resultar de emoções difíceis de lidar. Uma vez expressadas as emoções, o sintoma físico começou a desaparecer.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

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