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Os três estados do Amor

O amor é o nosso valor mais elevado, o que todos desejamos e acreditamos, nos torna fundamentalmente humanos. No entanto, também é fonte de considerável ansiedade. Principalmente porque estamos preocupados em saber se amamos de forma correcta.

A sociedade é subtil e altamente prescritiva a este respeito. Isso sugere que, para sermos uma pessoa conforme, devemos estar disponíveis para o sexo e, além disso, devemos “amar” de uma maneira muito particular: devemos estar constantemente entusiasmados com a presença do nosso parceiro, devemos estar ansiosos por vê-lo depois de cada ausência, devemos querer mantê-lo nos nossos braços, beijar e ser beijados e – acima de tudo – desejar fazer sexo quase todos os dias. Por outras palavras, devemos seguir o roteiro do êxtase romântico ao longo das nossas vidas.

Isso é bonito em teoria mas extremamente punitivo na prática. Se quisermos definir este amor como estando de acordo com a normalidade, a maioria de nós terá que admitir (com considerável constrangimento) que não está muito por dentro do amor – e, portanto, não se encontra entre as pessoas saudáveis ou normais.

Criámos um culto do amor que contrasta radicalmente com a maioria das nossas verdadeiras experiências dos relacionamentos.

É aí que os antigos gregos nos podem ajudar. Eles cedo perceberam que existem muitos tipos de amor, cada um com as suas respectivas fases e virtudes.

Os gregos atribuíram aos poderosos sentimentos físicos que muitas vezes experimentamos no início de um relacionamento a palavra ‘eros’ (ἔρως). Eles sabiam que o amor não está necessariamente acabado quando essa intensidade sexual diminui, como quase sempre ocorre após um ano ou mais de relacionamento.

Os nossos sentimentos podem evoluir para outro tipo de amor que eles resumiram com a palavra “philia” ( φιλία ), normalmente traduzido como “amizade”, embora a palavra grega seja muito mais calorosa, mais leal e mais tocante; Podemos estar dispostos a morrer por ‘philia’. Aristóteles recomendou que superássemos o eros na juventude e, em seguida, alicerçar os nossos relacionamentos – especialmente os casamentos – numa filosofia de philia.

Os gregos tinham uma terceira palavra para o amor: “agape” ( ἀγάπη), que pode traduzida como um amor caridoso. É o que podemos sentir em relação a alguém que se comportou mal, ou que está triste devido às suas falhas de carácter – mas por quem ainda sentimos compaixão. É o que um Deus pode sentir pelo seu povo, ou o que o público pode sentir por uma personagem trágica numa peça de teatro. É o tipo de amor que experimentamos em relação à fraqueza de alguém. Isso lembra-nos que o amor não é apenas sobre a admiração pelas virtudes, é também sobre simpatia e generosidade em relação ao que é frágil e imperfeito em nós.

Tendo estas três palavras à mão – eros, philia e agape – ampliamos poderosamente a nossa compreensão do amor. Os gregos antigos eram sábios em dividir o amor nas suas partes constituintes.

Sob a sua tutela, podemos ver que provavelmente temos muito mais amor nas nossas vidas do que nosso vocabulário actual reconhece.

Traduzido e adaptado por Pedro Martins
a partir de Alain de Botton – Why We Need the Ancient Greek Vocabulary of Love

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