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A sensibilidade à rejeição é proporcional ao medo de ser rejeitado

Como humanos temos a necessidade de pertencer e manter vínculos estreitos com os outros. Qualquer coisa que ameace o vínculo pode activar o alarme psicológico, levando-nos a fazer o que pudermos para impedir a rejeição.

Para algumas pessoas, o sistema de alarme é hipersensível, reagindo a ameaças inexistentes e, nesse sentido, desencadear uma resposta exagerada. A sensibilidade à rejeição pode ter origem em experiências de rejeição por parte dos pais ou em relacionamentos anteriores.

Faz sentido que após experiências dolorosas de rejeição se fique mais vigilante e com receio de confiar em pessoas novas. O problema é que um alto grau de vigilância pode não ser necessário em novas relações com parceiros mais confiáveis. Nesses relacionamentos, em vez de proteger o Eu da rejeição, a hipersensibilidade pode ter o efeito contrário, aumentando a probabilidade de rejeição.

As pessoas sensíveis à rejeição são mais propensas a concluir que o comportamento do seu parceiro reflecte uma rejeição intencional, ao invés de considerar outras possibilidades, como por exemplo, uma semana de trabalho particularmente complicada.

Um estudo com estudantes universitários mostrou que os participantes que obtiveram valores mais altos na sensibilidade à rejeição apresentaram maior probabilidade de interpretar o comportamento hipotético dos seus parceiros como intencional, excluindo outras potenciais explicações.

Quando os parceiros assumem rapidamente que um comportamento levemente distante reflecte algo mais profundo e mais pessoal, como a falta de amor ou de compromisso, existe uma grande probabilidade de surgir um conflito e que ele possa rapidamente escalar. Noutro estudo verificou-se através de gravações que as pessoas sensíveis à rejeição eram mais propensas a usar tons de voz hostis, negar a responsabilidade num problema, gozar com o parceiro e expressar desgosto; comportamentos que tendem a ser destructivos.

As interacções negativas podem, por sua vez, reduzir a satisfação no relacionamento. Um terceiro estudo descobriu que as pessoas que apresentavam alta sensibilidade à rejeição tendiam a ser percebidas pelos seus parceiros como mais ciumentos (para os homens) ou mais hostis e menos disponíveis (para as mulheres), e essas percepções estavam relacionadas com a diminuição da satisfação no relacionamento.

A sensibilidade à rejeição pode alimentar um ciclo vicioso em que o trauma passado é repetido.

A interrupção destes ciclos passa por desconstruir a dinâmica internalizada rejeitado-e aquele que rejeita.

No entanto, do ponto de vista externo existem alguns aspectos que podem ajudar no sentido de adequar a resposta ao que se está a sentir. Perante um sinal de rejeição tendemos a concentrar-nos nas características da situação que confirmam as nossas expectativas, e o nosso primeiro instinto pode passar por atacar o parceiro. Mas se conseguirmos expandir o foco de atenção podemos pensar que um certo grau de conflito é uma parte normal da maioria dos relacionamentos; podemos considerar explicações alternativas que justifiquem a distância sentida ou colocarmo-nos no lugar do parceiro, em vez de imaginarmos o cenário mais catastrófico.

Traduzido e adaptado a partir de:
“How Rejection Sensitivity Derails Relationships”
Juliana Breines

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