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A Criança Aprende a Dar -Amor- Recebendo

A Criança Aprende a Dar -Amor- Recebendo

Toda a criança, para um desenvolvimento afectivo normal, precisa de: Amor, Consideração; Apreço

Qualquer carência ao nível destas necessidades afectivas básicas conduz a um sentimento depressivo de falta; a qual, se não for preenchida, provoca a insuficiência narcísica.

A dor da privação ou da perda deixa como cicatriz a deficiência. Por isso, as carências ou perdas precoces não apresentam um bom prognóstico.

As privações ou perdas posteriores – depois da adolescência – já não têm a mesma influência sobre a organização narcísica; a não ser que reactivem feridas anteriores que tenham sido mal curadas.

De contrário, a solidez da compleição narcísica não se deixa facilmente abalar, mesmo que as carências ou perdas actuais sejam importantes.

Até mesmo as situações de humilhação ou de grande insucesso raramente atingem de forma depressivante a auto-imagem e o amor-próprio; provocam uma revolta sadia e eficiente e uma adaptação fácil.

Incidências psicopatológicas da falta de Amor, Consideração; Apreço

– A falta de amor, por indiferença ou rejeição da parte do outro, conduz, preferencialmente, ao bloqueio afectivo e à atitude agressiva.

– A falta de consideração, com atitude possessiva por parte do outro, e esmagamento dos desejos e dos direitos da criança, tende a produzir um desenvolvimento masochista.

– A falta de apreço, por desvalorização e, algumas vezes, troça por parte do outro, provoca uma deterioração da auto-imagem, repercutindo-se a lesão narcísica principalmente ao nível da auto-imagem sexuada. É aqui que o sentimento de inferioridade vais morder mais o amor-próprio.

A criança aprende a dar (amor) recebendo.

É importante sublinhar que a criança aprende a dar (amor) recebendo. Só, portanto, pais suficientemente amantes dos filhos – dando-lhes uma amor sereno, equilibrado, espontâneo e natural, humano e autêntico, mais oblativo que captativo, no intuito de apoiar o florescimento da personalidade genuína da criança e não no desejo normativo de a encaixar no modelo que eles concebem ou no desejo egoísta que o filho preencha as suas próprias carências ou realize, por delegação, os seus projectos frustrados – poderão ensinar a amar.

A criança vai-se direccionando mais para o outro, na medida em que vai aprendendo – intuindo, pois é uma aprendizagem predominantemente afectiva -, que amando o outro reforça o amor que dele recebe. É o circulo do amor ou da relação amorosa, que, pela reciprocidade do afecto, se vai desenvolvendo e aperfeiçoando até atingir uma maturidade genital.

Bibliografia: “A Depressão” – Coimbra de Matos

Ciúme e Inveja Psicoterapia

O Ciúme e a Inveja. Descubra as diferenças

O ciúme é um sentimento vivido na relação triangular (a três) originado no receio de perder o objecto de amor; a dificuldade no ciúme é a repartição do amor do outro.

O indivíduo pretende ser único e exclusivo depositário desse amor.

“O ciúme é um sentimento altamente perturbador e está na origem dos mais variados dramas passionais.”

No ciúme o sujeito luta pela posse total e exclusiva do amor do outro, sabendo de antemão que isso não é possível pela consciência que tem da existência de um terceiro.

Presente nos mais variados quadros clínicos, é sobretudo característico da estrutura obsessiva.

Trata-se de um sentimento forte e altamente perturbador que está na origem dos mais variados dramas passionais e portanto, traz muitos pacientes para a terapia.

Costuma-se distinguir entre ciúmes neuróticos (que corresponde à breve descrição que fizemos), os ciúmes mórbidos ou patológicos e os ciúmes delirantes, conforme o grau de maior ou menor crítica; os ciúmes patológicos ligam-se com a estrutura depressiva; o delírio de ciúme com a paranóia.

A inveja é um sentimento vivido na relação binária (a dois) e que traduz uma incompletude narcísica. É um sentimento de falta, experimentado na comparação com o outro; e condiciona o desejo de possuir os atributos desse outro.

O sentimento de inveja vai operar pela vida fora em todas as circunstâncias em que a consciência de défice se agudiza e a idealização do outro se avoluma, sendo portanto fácil de estalar em toda a estrutura narcisicamente tocada e em toda a relação em que o outro se torna demasiado importante para a segurança do sujeito.

Se o outro demonstra ou exibe aos olhos do sujeito, por qualquer forma, a sua qualidade de superior, a inveja duplica. Passa de um ressentimento e desejo de apoderar-se das posses e atributos do outro (que caracteriza genuinamente a inveja) para o desejo de o destruir; é nesta sequência se organiza o desejo de poder.

“No ciúme e na inveja o amor-próprio é altamente atingido.”

Enquanto na inveja conta um sentimento de falta e um desejo de apoderar-se, no ciúme está em causa um sentimento de perda ou ameaça de perda e um desejo de reter.

Em ambos os casos, a agressividade e o ódio jogam um papel predominante na relação com o outro. Num e noutro caso, o amor-próprio é altamente atingido; na inveja, sobre a forma de ressentimento; no ciúme, de humilhação. À revolta no invejoso, corresponde a depressão no ciumento.

Na inveja há um défice narcísico e no ciúme um ferimento narcísico; o invejoso sente-se pobre, o ciumento empobrecido.

Centrado no sentimento de perda, o ciumento oscila entre os pólos da depressão e da raiva: quanto mais agressivo, menos deprimido.

Enquanto o invejoso jamais se sente suficientemente poderoso, o ciumento nunca se sente completamente amado.

Na inveja o tom afectivo básico é a insatisfação; no ciúme a tristeza. O ciumento sente-se desvalorizado, é tímido e submisso; o invejoso ambiciona e luta (isto numa visão extremada, é evidente).

Estas descrições – da inveja e do ciúme – são notoriamente esquemáticas e intencionalmente forçadas, para bem distinguir os cambiantes típicos dos afectos (as suas estruturas) em causa. Na vida afectiva real, o que encontramos é uma mistura dos dois sentimentos, polarizando-se mais num sentido do que noutro.

A partir de “A inveja e o ciúme.” A. Coimbra de Matos

amar-se a si mesmo

Até Onde Pode Amar-se a Si Mesmo?

“A melhor defesa ou reparação da depressão é o amar-se a si mesmo.”

Quando o indivíduo não se sente amado, deprime-se. E a melhor defesa ou reparação dessa depressão é o amar-se a si mesmo, o investir-se narcisicamente.

Simplesmente, este processo tem limites – se o sujeito continua a não ser amado, esgota-se a energia amorosa para amar-se a si próprio (pois o amor nasce e desenvolve-se apenas na relação amorosa).

Mas do amor também se constituem reservas. E a maior reserva amorosa forma-se na infância, pelo amor que os pais dedicam aos filhos.

Se esta reserva não foi constituída ou é pequena, o indivíduo tem necessidade constante de ser amado e deprime-se em face da mais leve perda de amor ou da sua mais curta ausência. E só um forte amor posterior o poderá curar dessa carência.

O trágico é que o indivíduo que não foi amado não aprendeu a amar. E enquanto não souber amar dificilmente poderá vir a ser amado. A sua sede de amor é muito grande, mas o seu ódio à relação amorosa ou a sua descrença no amor levam-no a estragá-la ou a nunca a conquistar – pela relação ambivalente e depressivante à qual adere.

Só um verdadeiro amor, uma paixão, seja ela na vida ou na relação terapêutica, pode fazer uma renovação do sentir conduzindo a um renascimento do ser. É no estado nascente do enamoramento, no movimento amoroso, que se curam as feridas de amor.

“Ninguém se cura enquanto não adquirir um sentimento de ser capaz de merecer e atrair o amor de outrem.”

O poder ser objecto de amor é fundamental: ninguém se cura enquanto não adquirir um sólido sentimento de ser uma pessoa capaz de merecer e atrair o amor de outrem; vale dizer, enquanto não reparar a sua ferida narcísica, desfizer o sentimento de inferioridade ou menor valor.

A raiz dos sentimentos de inferioridade está no passado, na infância; nos insucessos infantis e adolescenciais; e na prisão às regras e aspirações da família de origem, no juízo crítico dos pais e educadores que sempre apontaram exemplos de perfeição, estabelecendo comparações deprimentes para o sujeito ou lamentado as suas imperfeições.

Designadamente, esta última atitude é altamente danificante da auto-imagem: o sujeito interioriza essa pena, essa mágoa, lamentando-se eternamente daquilo que é (“se eu fosse mais bonita… Se eu fosse mais forte… Se tivesse ouvido para a música… Se tivesse jeito para dançar”… etc.)

“Só muda quem se apaixona, quem se entusiasma, quem ama outra coisa, outro ser.”

Normalmente, o depressivo é aquele que vive no passado, prisioneiro do passado, do que foi. E ninguém pode viver no passado! Todos temos de ir para a frente.

Viver no passado é viver no purgatório, a expiar culpas; e na sombra, admirando os resplandecentes. Mas viver, propriamente viver, é saltar para o “paraíso”, dando-se a si mesmo o direito ao acesso ao prazer e deixando-se banhar pelo sol que é de todos! Podemos queimar-nos no inferno da decepção e do desaire, mas também atingir o éden da paixão. E só vivida apaixonadamente a vida tem sentido.

Só na paixão amorosa encontramos a verdade do outro e a nossa própria verdade. É a porta de entrada no mundo da autenticidade.

O depressivo deixou de se apaixonar (é isso a depressão), tem medo de se apaixonar, não quer (por raiva contra o outro e o mundo, e que se vira contra si próprio) apaixonar-se.

Toda a terapia que mereça esse nome passa por um movimento de rotura com o passado e com o presente, um movimento de renovação, um renascimento, um nascimento para uma nova vida, em moldes diferentes, com outros horizontes.

Esta rotura processa-se através de um movimento emocional, afectivo, por uma paixão por outra coisa, por outra pessoa. Só muda quem se apaixona, quem se entusiasma, quem ama outra coisa, outro ser – para se tornar ele próprio “outra pessoa”.

Bibliografia: Matos, A. C. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi Editores

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