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Psicoterapia

O Coronavírus gera dois tipos de Ansiedade Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

O Coronavírus gera dois tipos de Ansiedade

Coronavírus: Como saber onde acaba o medo realista e começa o terror irrealista.

 

As nossas ansiedades sobre a epidemia do Coronavírus dividem-se em dois tipos – uma muito razoável, outra irracional e potencialmente prejudicial.

É importante poder diferenciá-las como forma de nos sentirmos melhor.

 

Medos Razoáveis vs. Terror Irrealista

Os receios razoáveis fazem perguntas reais e, por conseguinte, têm soluções racionais. A descoberta dessas respostas faz-nos sentir melhor.

Os medos irrealistas ou irracionais são muitas vezes baseados em memórias de infância ou traumas que ainda vivem dentro de nós, por vezes inconscientemente.

Identificar essas experiências passadas e compreender que já não estamos desamparados pode ser uma forma eficaz de nos tranquilizarmos.

Os medos realistas são fáceis de detectar. “Não vou conseguir pagar a renda de casa por estar sem trabalhar?” “O que fazer se ficar doente?”

O outro tipo de medo não é tão fácil de definir, o que é, em parte, o que o torna mais poderoso.

No momento actual podemos falar de receios de que a civilização se desmorone; que se verifique um contágio generalizado como a radiação após um ataque nuclear.

Este tipo de medo é geralmente irrealista, quase sobrenatural. Serem irrealistas, porém, não os torna menos poderosos. Se não forem reconhecidos, podem levar ao pânico.

 

As Memórias Influenciam os Nossos Medos

Quando as pessoas exploram os seus medos mais profundos e irrealistas, lembram-se frequentemente de medos de há muito tempo atrás, de monstros debaixo da cama ou no armário.

Os nossos medos adultos e irracionais lembram-nos do tempo em que estávamos verdadeiramente indefesos. Como crianças, não temos os mesmos mecanismos que os adultos têm para lidar com os medos.

 

Os receios razoáveis fazem perguntas reais e, por conseguinte, têm soluções racionais.

 

Existem superstições e explicações fantásticas a par da nossa descoberta de como o mundo funciona, porque a mente e o cérebro de uma criança ainda se estão a formar.

É por isso que uma criança precisa dos pais para a ajudar a desenvolver formas de lidar com a realidade.

Parte dessa realidade, que é difícil para as crianças lidarem, são os seus próprios sentimentos. Elas precisam dos adultos para as ajudar a processar os sentimentos provocados por certas ondas de emoções.

 

O mundo da fantasia vive em nós como uma memória.

Na verdade, é importante ter uma ligação com a parte inconsciente da nossa mente. É daí que vêm coisas misteriosas e poderosas como o amor, a paixão e a criatividade.

Quem decide de forma lógica por quem se apaixonar? Não se trata de algo lógico, emerge das profundezas de nós mesmos.

No entanto, neste nível fantástico de experiência pode, por vezes, sair o tiro pela culatra.

A humanidade não experimenta uma pandemia há muito tempo, e a forma como os vírus (coronavírus) funcionam ainda parece misteriosa a um certo nível (apesar das explicações dadas pela a ciência).

Parece uma ameaça misteriosa, reminiscente do assustador quarto escuro da nossa infância.

O medo do escuro não foi verdadeiramente compreendido, foi apenas tornado sem sentido à medida que a mente lógica se ia desenvolvendo.

Além disso, esses medos podem reaparecer quando estamos cansados, sob stress, ou confrontados com a incerteza.

 

Acompanhe as notícias, mas não em demasia

Podemos até ser atraídos por experiências horríveis, como quando vemos um filme de terror.

Podemos conhecer detalhes sobre a caracterização de um personagem de um filme de terror e dos efeitos especiais, e ainda assim ficarmos assustados como se a experiência fosse verdadeira.

 

Assistir constantemente a notícias sobre o coronavírus é prejudicial

 

As fontes noticiosas aproveitam este fascínio para se concentrarem constantemente nas piores manchetes.

Raramente os media mostram histórias de esperança, como quantas pessoas recuperaram, ou quando a curva de transmissão infecciosa vai acabar.

Só se deve ver notícias periodicamente para ir acompanhando os acontecimentos. Assistir constantemente aos noticiários não ajuda.

 

Aqui ficam algumas dicas adicionais para se manter realista:

Identifique os seus problemas reais no presente e no futuro próximo, e desenvolva um plano para os solucionar.

Ligue-se às pessoas. É o confiarmos uns nos outros que nos mantém ligados à realidade.

Mantenha-se informado. Encontre fontes de notícias que sejam fiáveis e não alarmistas.

Procure ajuda de um profissional de saúde mental de confiança se a ansiedade ou os receios começarem a ser avassaladores.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de: The Two Kinds of Coronavirus Anxiety – Chris Heath

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