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Implodir ou explodir?

Implodir ou explodir? A resposta não é fácil e, normalmente, a decisão está dependente dos (supostos) efeitos colaterais da explosão, ou seja, como recuperar dos danos resultantes – reais ou imaginados.

Embora provoque grandes estragos, a implosão (explosão interna) tem a “vantagem” de ser controlada pelo próprio.

Já na explosão (externa), o maior receio é a imprevisibilidade quanto aos (supostos) estragos. Temem-se os efeitos no outro e o reflexo no próprio.

É complicado abordar esta questão sem sabermos o que está por trás, mas tomemos o exemplo:

Imaginemos que a Filipa diminui e amesquinha constantemente a Inês através de observações desagradáveis, comentários depreciativos e a responsabiliza por tudo o que de mal ocorre.

Um dos efeitos nefastos da Inês não reagir traduz-se no desenvolvimento de sentimentos de desvalorização e de inculpação – absorção da maldade do outro transformando-a em sua-; algo que se pode enraizar profundamente no Eu a ponto de se constituir como parte integrante deste.

Neste caso, podemos supor que a “explosão” seria a resposta adequada, mas temos que considerar um aspecto. O que representa a Filipa para a Inês?

Se pensarmos que se trata de uma figura com uma grande representação afectiva, é natural que a reacção da Inês  possa ser bloqueada devido ao receio (normalmente fantasiado) de vir a perder a relação com a Filipa. Quando o medo é grande é muito mais provável que se dê uma implosão do que uma explosão.

Uma das conclusões que se podem tirar é que certas dinâmicas relacionais implicam custos muito elevados.

As coisas não são tão simples como tentei demonstrar, são, até, muito mais complexas. Cada caso é um caso, mas implodir não é a solução, pelo contrário, é uma forma de perpetuar certos padrões relacionais.

 

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