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Ataques de Pânico Pedro Martins Psicoterapeuta - Psicoterapia

Ataques de Pânico

Os ataques de pânico constituem uma tentativa extrema de tornar o desamparo apreensível para o psíquico.

A especificidade metapsicológica do pânico situa-o dentro do campo dos estados em que a angústia é extrema e transbordante.

No pânico, o sujeito parece tentar levar a sua experiência do desamparo ao seu nível mais extremo, mais insuportável, como uma forma de obter um certo domínio sobre ela.

Desse ponto de vista, um ataque de pânico não pode ser concebido como a manifestação directa de uma pura descarga “automática” da energia.

Para quem os experimenta, os ataques de pânico podem parecer absurdos e sem qualquer relação com o resto da sua vida psíquica.

Ser tomado por um ataque de pânico atesta, pois, o reconhecimento inequívoco por parte do sujeito da dimensão de desamparo.

Os ataques de pânico – brutais, incompreensíveis, repetitivos – não parecem remeter a nada senão a eles mesmos, constituindo-se aparentemente uma experiência de pura perda.

Aos olhos de quem os experimenta, tais ataques podem parecer absurdos e sem qualquer relação com o resto da sua vida psíquica.

Os ataques de pânico apresentam-se como “espontâneos” e “incompreensíveis”.

Através do pânico busca-se um certo domínio sobre as realizações possíveis do perigo.

Trata-se, em última instância, de uma estratégia bastante singular de eliminação do horizonte do possível, no qual tudo o que é da ordem do terrível pode, efectivamente, realizar-se.

Tal estratégia consiste em tornar presente, imediato, aquilo que assusta apenas por ser possível.

O pânico distingue-se do terror, estado afectivo caracterizado precisamente pela perda de referências a um lugar de desamparo no psíquico.

No terror, o desamparo é sem limites, está em todo o lugar e todo o momento. O não-senso é a sua marca fundamental.

Já o pânico refere-se aos momentos de vacilação em que os limites que o sujeito reconhece como separando-o de um abismo infinito parecem apagar-se. O terror implica paralisia, entrega de si mesmo ao mortífero. É do lado da vida que se tem pânico.

Bibliografia: Pânico e Desamparo – Mário Eduardo C. Pereira

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