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A tirania do espírito positivo

Ao ler um artigo no jornal Público – “Cancro:afinal, é permitido chorar”, deparei-me com a expressão: “a tirania do espírito positivo”.

Arregalei os olhos, e disse: “Finalmente!”

“O espírito positivo não é o remédio universal para todos os males.”

Para bem de todos, e neste caso, para os doentes com cancro, cai por terra a ideia de que o espírito positivo é o remédio universal para todos os males.

É muito provável que os primeiros (naturais e compreensíveis) sentimentos após um diagnóstico de cancro, sejam de medo, de injustiça, de revolta e de raiva. “Porquê a mim?!” Não muito distante, deve andar a tristeza.

Pode ser que esteja enganado, que esteja só a falar por mim. Pode ser que eu seja um pessimista e por isso não consiga ver o sol a brilhar quando inesperadamente se abre uma janela para a escuridão.

É muito importante reconfortar alguém que está num grande sofrimento, independentemente, da forma.

Mas se conseguirmos fazer sentir ao outro que estamos disponíveis, resistir-mos às frases feitas, e dermos espaço ao outro para lidar com a sua dor, estamos a ser uma enorme ajuda.

Se já reconfortou alguém, usando alguma frase feita, não se preocupe, não é considerado um “tirano do espírito positivo”.

Para ser um verdadeiro “tirano”, precisa fazer sentir ao outro que os ditos “sentimentos não positivos” são maus, que lhe fazem mal, e se não os tivesse, com certeza, a sua vida seria melhor.

“A tirania do espírito positivo”, que se tenta eliminar na oncologia está profundamente enraizada e tem ferozes defensores, a maioria, impossibilitados de serem “honestos” com o que estão a sentir.

O nosso papel é ajudar o outro a construir uma narrativa sobre a sua dor, e dessa forma libertá-lo da tirania do espírito positivo.

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